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Tabagismo e cicatrização de feridas: entenda a relação | Colunistas

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A relação entre o tabagismo e a cicatrização de feridas provém de uma complexa interação entre fatores hemodinâmicos, sistema nervoso autonômico e múltiplas substâncias tóxicas ao organismo humano presentes no cigarro

Podemos observar facilmente, em ambiente de prática cirúrgica e vascular, que a maior parte dos pacientes portadores de feridas crônicas de difícil cicatrização são tabagistas ou ex-tabagistas. Isso porque pacientes cirúrgicos ou doentes vasculares crônicos fumantes possuem pior prognóstico em cicatrização devido ao efeito deletério dos compostos do cigarro ao organismo humano.

De forma aguda, vale ressaltar que a nicotina presente no cigarro gera ativação do sistema nervoso simpático e provoca redução da oferta de oxigênio aos vasos e miocárdio, entre outras consequências que veremos adiante. 

Tabagismo ativo e passivo: o que são? 

tabagismo é o ato de se consumir de forma ativa (fumando) ou passiva (convivendo com quem fuma e inalando a fumaça) cigarros ou outros produtos que contenham tabaco, cuja droga ou princípio ativo é a nicotina

O tabagismo é reconhecido, segundo o INCA, como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina. De acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde [CID-11], ele integra o grupo de “transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento” em razão do uso da  substância psicoativa (WHO, 2022). Ele também é considerado a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo (Drope et al, 2018).      

Os não fumantes que inalam a fumaça do tabaco (tabagistas passivos) têm um risco maior de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo. Quanto maior o tempo em que o tabagista passivo fica exposto à poluição tabagística ambiental, maior a chance de adoecer.

Você pode ler mais sobre tabagismo no site da FIOCRUZ ou do INCA.

A fisiopatologia do tabagismo: como o cigarro interfere na fisiologia do corpo humano?

A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.720 substâncias tóxicas diferentes (confira a imagem abaixo); que se constitui de duas fases fundamentais:

  • Fase particulada: definida como o material que fica aprisionado quando o fumo corrente passa através do filtro de fibra (nicotina e alcatrão);
  • Fase gasosa: é o material que passa através do filtro (monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína).
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Fonte: https://www.euroclinix.net/br/parar-de-fumar/fatos-sobre-fumar

O tabaco pode ser usado de diversas maneiras de acordo com sua forma de apresentação: inalado (cigarro, charuto, cigarro de palha); aspirado (rapé); mascarado (fumo-de-rolo), porém sob todas as formas ele é maléfico à saúde.

A disseminação da nicotina se dá para todos os tecidos do corpo, tais como pulmão, cérebro e outros. Ela também é encontrada na saliva, no suco gástrico, leite materno, músculo esquelético e no líquido amniótico de tabagistas. 

O tabagismo está associado a diversas doenças crônicas não transmissíveis. Exemplos são variados tipos de câncer, como o de pulmão, laringe, esôfago, pâncreas, entre outros; doenças pulmonares; cardiovasculares; e úlceras venosas crônicas. Estas últimas, objetivo principal deste texto.

Quais são as consequências do tabagismo na cicatrização de feridas? 

O tabagista sofre com menor oxigenação do sangue, pois o monóxido de carbono (CO) – componente da fase gasosa anteriormente citado na fisiopatologia do tabagismo – quando inalado, tem mais afinidade com a hemoglobina que o próprio oxigênio (O2). Quando esses elementos se ligam, acabam formando o composto carboxiemoglobina, que dificulta a oxigenação do sangue em diversos órgãos, como a pele. 

A produção do colágeno, sintetizado na fase proliferativa da cicatrização, é insuficiente devido ao fluxo sanguíneo de O2 reduzido, o que prejudica o fechamento da lesão e atrapalha a cicatrização. Para saber mais sobre as fases de cicatrização, leia mais no texto “Fases da Cicatrização: inflamatória, proliferativa, maturação e mais!”

Vale destacar, ainda, que níquel e arsênico, compostos também supracitados do cigarro, provocam gangrena (morte de um tecido causada por uma infecção ou falta de fluxo sanguíneo), que é mais um fator de piora da cicatrização em tabagistas.

O tabagismo também prejudica a síntese do colágeno por diminuir as vitaminas A, C e E, também importantes na cicatrização e consideradas antioxidantes naturais, o que contribui para diminuição da resistência da pele aos radicais livres.

A nicotina, também é uma das substâncias que mais impedem a ferida de cicatrizar. Ela aumenta a liberação de catecolaminas, composto orgânico que contrai os vasos sanguíneos, causando taquicardia e hipertensão arterial, o que propicia o aparecimento de feridas e a dificuldade de cicatrização do paciente.

Isso tudo retarda o processo de cicatrização e contribui para que o paciente tenha um pós-operatório complicado, com possibilidade de deiscência de suturas, necrose, queloides e tromboembolismo, já que o sangue e o oxigênio não são transportados em quantidade suficiente para a área comprometida e os nutrientes que auxiliam na cicatrização não são absorvidos. 

Tempo de cessação do tabagismo para a prevenção de complicações na cicatrização de feridas cirúrgicas

Devido a todas as implicações do tabagismo em cicatrização, usualmente, pede-se aos pacientes que cessem o uso do cigarro ainda no pré-operatório. Segundo Cavichio et. al., dez estudos avaliados mostraram que a cessação do tabagismo por um período mínimo de quatro semanas é benéfica para a redução de complicações da cicatrização de feridas cirúrgicas, para que ocorra a restauração dos níveis de oxigênio nos tecidos, diminuição do estresse oxidativo, redução do impacto negativo sobre a função dos macrófagos e aumento dos níveis de vitamina C e de colágeno.

Resumo

  • Pacientes cirúrgicos ou doentes vasculares crônicos tabagistas possuem pior prognóstico em cicatrização devido ao efeito deletério dos compostos do cigarro ao organismo humano;
  • O tabagismo pode ser ativo ou passivo, sendo que ambos prejudicam a saúde e a cicatrização de feridas;
  • O tabagismo pode ser dividido em fase particulada e fase gasosa;
  • O cigarro possui mais de 4720 substâncias tóxicas, sendo as que mais contribuem para má cicatrização: nicotina, monóxido de carbono, níquel e arsênio;
  • A disseminação da nicotina se dá para todos os tecidos do corpo, tais como pulmão, cérebro, pele e outros;
  • São consequências do tabagismo para a cicatrização de feridas: redução da oxigenação do sangue, redução de vitaminas A, C e E, maior risco de necrose, queloides, infecção e deiscência de suturas;
  • É fundamental que ocorra a cessação do tabagismo no pré-operatório por um período mínimo de quatro semanas para a redução de complicações na cicatrização de feridas cirúrgicas.

Autora: Thaís Silva Vervloet

Instagram: @thaisvervloet

Referências:

DE SOUSA, Márcio Gonçalves. Tabagismo e Hipertensão arterial: como o tabaco eleva a pressão. Rev Bras Hipertens vol, v. 22, n. 3, p. 78-83, 2015.

Tabagismo – O mal da destruição em massa: 

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/tabagismo

Tabagismo: https://www.inca.gov.br/tabagismo

WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Classification of Diseases 11th Revision. The global standard for diagnostic health information. Available at: https://icd.who.int/en Access in: 02 Jun. 2022.

DROPE, J. et al.  The Tobacco Atlas. Atlanta: American Cancer Society and Vital Strategies, 2018. Disponível em:. Acesso em: 2 jun. 2022.

Como o cigarro afeta a cicatrização de feridas: http://ohb.com.br/blog/quais-sao-as-consequencias-do-cigarro-na-cicatrizacao-de-feridas/

Cicatrização: como o cigarro pode atrapalhar o tratamento? 

http://www.hiperbarica.med.br/noticias/detalhes/cicatrizacao-como-o-cigarro-pode-atrapalhar-o-tratamento

CAVICHIO, Barbara Vieira et al. Tempo de cessação do tabagismo para a prevenção de complicações na cicatrização de feridas cirúrgicasRevista da Escola de Enfermagem da USP, v. 48, p. 170-176, 2014.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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