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Suporte Básico de Vida: você conhece as ações para o cuidado no alívio do engasgo de crianças e adultos?| Colunistas

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       Provavelmente, você já deve ter presenciado alguém sofrer engasgo. Nesse momento, é muito comum que sua primeira iniciativa seja prestar socorro à pessoa vítima de obstrução de via aérea por corpo estranho (OVACE) por meio de pancadas nas costas dela. Por sua vez, outros indivíduos mais corajosos tentam pinçar com as próprias mãos o material ocluído na laringe da pessoa alvo do engasgo, na tentativa desesperada de aliviar a asfixia. Definitivamente, essas atitudes são bem intencionadas. Contudo, não resolvem, na maioria dos casos, o fenômeno de Obstrução de Via Aérea por Corpo Estranho – OVACE NO SUPORTE BÁSICO DE VIDA. Você, socorrista leigo ou profissional da saúde, sabe o porquê da ineficiência ou falibilidade dessas ações? A seguir, veja, com detalhes, quais as orientações e manobras legítimas de suporte básico de vida aos bebês, às crianças e aos adultos vítimas de engasgo.

Reconhecendo a Asfixia em Adultos e Crianças

        Segundo o Ministério da Saúde, dados de 2015, a inalação ou ingestão de alimento, levando à obstrução do conduto aéreo, configura como umas das principais causas de óbito por acidente respiratório súbito, a saber: 213 mortes naquele ano. Diante dessa emergência, a qual afeta principalmente crianças menores de 3 anos de idade, é fundamental que vocês, socorrista leigo e profissional da saúde, saibam como proceder adequadamente frente à situação de asfixia (dificuldade ou impossibilidade de respirar).

         Imagine o seguinte cenário: você está em uma festa de casamento de seu amigo e, após servirem os salgados, um convidado adulto inicia um quadro de engasgo por ingestão de alimento sólido, apresentando, portanto, tosse forçada, a qual, depois de alguns segundos, torna-se fraca e silenciosa, além de associada à cianose labial (boca roxa). Você sabe como conduzir efetivamente tal situação? E se fosse uma criança, as suas medidas de intervenção seriam as mesmas? Atente-se, para tanto, aos sinais de Obstrução de Via Aérea por Corpo Estranho (OVACE) que serão pontuados adiante.

 Sinais de Asfixia em Adultos e Crianças

           Em adultos, os casos mais frequentes de OVACE são decorrentes de oclusão aérea por alimentos, dentes e próteses. Já na faixa etária infantil, destacam-se, como os casos mais típicos de OVACE, alimentos, moedas, balões e outros brinquedos. Na obstrução respiratória parcial (condição leve), os sinais são: tosse forçada, troca de ar preservada, inquietação, rubor (vermelhidão) facial, sibilos ou estridores, taquicardia (coração acelerado) e respiração forçada e rápida. Já na obstrução respiratória total (condição grave), as manifestações são: tosse fraca ou incapaz de tossir, troca de ar deficiente ou ausente, ruídos agudos durante à inspiração (podem estar ausentes), dificuldade respiratória, pele cianótica (arroxeada), incapacidade de falar e sinal universal de asfixia (mãos envolvendo o pescoço). Por isso, é fundamental que você identifique, com agilidade, esses sinais no paciente alvo de oclusão de via aérea, visto que 40%, entre crianças e adultos, morrem por obstrução total e 30% evoluem com sequela do tipo encefalopatia hipóxica, graças à asfixia parcial.

                                              Figura 1 – Sinal Universal do Engasgo

Tratamento para Engasgo em Adultos e Crianças Conscientes

        Neste momento, você deve estar se perguntando: “como, então, eu vou reverter um evento de asfixia de forma eficiente e pontual?” A resposta é facilmente encontrada avaliando 2 momentos distintos na abordagem ao indivíduo com dificuldade ventilatória por engasgo.

Conduta na OVACE Parcial

     Ao se deparar com uma pessoa com sinais de asfixia parcial, você precisa incentivá-la a tossir e a esforçar-se para respirar espontaneamente; deve estar ao lado da vítima a fim de monitorar sua condição (vê se progride ou não para OVACE Total) e precisa chamar o SAMU (192) ou os Bombeiros (193). Por fim, aguarde a pessoa cuspir o material obstrutivo.

           É possível que você esteja se questionando: “posso bater nas costas dela?” A resposta é não! Se você fizer isso, o corpo estranho alojado na via aérea da vítima irá se instalar em uma região mais profunda do conduto ventilatório, o que culminará em obstrução total respiratória e, fatalmente, morte do indivíduo ou paciente.

Conduta na OVACE Total

Caso você identifique a infeliz evolução da asfixia parcial para a total, notadamente pelos sinais de OVACE Total, deve encaminhar-se para a realização da Manobra de Heimlich, a qual é detalhada na tabela da American Hearth Association 2015 (AHA, 2015)abaixo.

Fonte – American Heart Association 2015

Figura 2 – Heimlich em adulto          Figura 3 – Heimlich em Gestante            Figura 4 – Heimlich em Criança

Figura 2 – Heimlich em adulto  
Figura 3 – Heimlich em Gestante
Figura 4 – Heimlich em Criança

Tratamento para Engasgo em Adultos e Crianças Inconscientes

     Suponha que aquela vítima de engasgo da festa de casamento não conseguisse expelir o corpo estranho (salgadinho) e, por isso, desmaiasse em seus braços. A situação, reconheço, é um pouco angustiante. No entanto, você, de uma vez por todas, será capaz de intervir adequadamente nesses casos.

Conduta na OVACE Total

      Caso presencie um adulto ou uma criança em asfixia completa, inconsciente (não acordado), você deve, inicialmente, rastrear o objeto dentro da orofaringe (garganta) da vítima e ver se pode pinçá-lo sem muito esforço, a fim de desobstruir o canal ventilatório. Na impossibilidade de retirar o material oclusor da garganta da pessoa, você precisa iniciar, de imediato, acionar o Serviço Móvel de Urgência e Emergência (SAMU), 192, ou os Bombeiros (193), deitá-la em uma superfície plana imóvel e iniciar as Reanimação Cardiopulmonar (RCP), dando ênfase às compressões torácicas. Lembre-se: o pulso carotídeo do indivíduo em engasgo estará, a princípio, pulsátil, visto que a problemática em análise decorre de parada respiratória, e não cardíaca.

    As compressões torácicas no adulto são na ordem de 30 compressões e 2 ventilações (30:2) por 2 minutos (5 ciclos). Em crianças e bebês (menos de 1 ano de idade), as compressões também são 30:2, se houver apenas um socorrista leigo ou um profissional de saúde prestando suporte ao ocorrido. Na presença de mais de 1 pessoa socorrendo a vítima, devem-se administrar, sobre o tórax de crianças e bebês, 15 compressões e 2 ventilações (15:2).

        Fique atento para a seguinte especificação: se você não estiver com a criança ou com o adulto no momento da asfixia, e encontrá-los já desmaiados, chame primeiro o serviço de emergência local (SAMU ou Bombeiros). Depois, principie as compressões na caixa torácica do indivíduo com obstrução de via aérea por corpo estranho.

Autor: Thiago de Sousa Rodrigues
Acadêmico de Medicina, UFC, Fortaleza

Instagram: @thi10_rodrigues


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Protocolo de Suporte Básico de Vida, 2016, SAMU 192

American Heart Association, 2015

Atendimento Pré-Hospitalar, 2020

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