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Suplementação em crianças: quando é necessária? | Colunistas

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Devido
ao rápido crescimento e desenvolvimento infantil, as crianças representam um
grupo de vulnerabilidade para deficiências de macro e micronutrientes e, apesar
da grande carga de conhecimento que temos atualmente, este é um tema amplamente
discutido sem verdade absoluta.

O
crescimento cerebral, que tem seu pico a partir do terceiro trimestre de
gestação até os dois anos de vida, é resultado de intensa neurogênese,
acompanhada de mielinização e sinaptogênese. Uma falha na oferta nutritiva
nesta fase de neurodesenvolvimento pode causar consequências a longo prazo,
como a ocorrência de doenças crônico-degenerativas.

Uma
criança “saudável” (e com isso quero dizer sem causas aparentes de
desnutrição ou doença) teoricamente não necessitaria de suplementação, mas
existem outros fatores que influenciam suas indicações, como: tipo de dieta,
local onde vive e atividades diárias. O leite materno contém baixas
concentrações de vitamina K, vitamina D e ferro, sendo motivo para o
Departamento de Nutrologia da SBP fazer recomendações referentes a esses
nutrientes. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) prioriza a
suplementação das vitaminas A e D e dos minerais iodo, zinco e ferro, os quais
estão associados à maior deficiência devido ao alto impacto social destes em
todo o mundo.

Recomendações

2.1. 
Vitamina D

            A deficiência de vitamina D é muito
frequente em todo o mundo e muito comum em lactentes, crianças e adolescentes
no Brasil. Apresenta papel crucial na saúde óssea, e, além disso, estudos
apontam que a hipovitaminose D pode estar associada a várias comorbidades,
como: diabetes melito tipo 1, asma, dermatite atópica, alergia alimentar, doença
inflamatória intestinal, artrite reumatoide, doença cardiovascular,
esquizofrenia, depressão e variadas neoplasias (mama, próstata, pâncreas,
cólon).

A
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Academia Americana de Pediatria
(AAP) e o Global Consensus Recommendations on Prevention and Management of
Nutritional Rickets recomendam a suplementação preventiva universal de vitamina
D da seguinte forma: 

A termo:

  • 400UI
    por dia para lactentes de 0-12 meses a partir da primeira semana de vida
    (independentemente da alimentação);
  • 600UI
    por dia para maiores de 1 ano até 2 anos.

Pré-termo:

  • 400UI
    por dia, quando o peso for superior a 1.500 gramas e houver tolerância à
    ingestão oral;
  • 600UI
    por dia dos 12 aos 24 meses.

Quais são os parâmetros para definir
suficiência vitamina D?

  • Suficiência:
    25(OH)D > 20ng/ml.
  • Insuficiência:
    25(OH)D entre 12-20ng/ml.
  • Deficiência:
    25(OH)D < 12ng/ml.
  • Toxicidade:
    25(OH)D > 100ng/ml.

            A mensuração de vitamina D só deve
ser feita na suspeita de insuficiência em grupos que pertencem aos grupos de
risco ou quando a situação clínica é relevante (raquitismo, osteomalácia,
quedas e fraturas frequentes).

Para
o tratamento de hipovitaminose D, o Global Consensus Recommendations on
Prevention and Management of Nutritional Rickets preconiza o seguinte esquema:

Idade Dose diária Dose de manutenção
<
1 ano
2.000UI
por 12 semanas
Pelo
menos 400UI/dia
1-12
anos
3.000
– 6.000UI por 12 semanas
Pelo
menos 600UI/dia
>
12 anos
6.000UI
por 12 semanas
Pelo
menos 600UI/dia

            Além da suplementação, crianças
maiores e adultos devem satisfazer as necessidades nutricionais através da
alimentação e exposição solar.

2.2. Vitamina A

            O Ministério da Saúde possui o
Programa de Suplementação de Vitamina A e preconiza a utilização de megadose
única para:

  • Crianças
    de 6-12 meses: dose de 100.000UI;
  • Crianças
    de 12-72 meses: dose de 200.000UI.

2.3. Ferro

            A anemia por deficiência de ferro é
muito prevalente entre crianças, principalmente nos países em desenvolvimento.
Esta é considerada a carência nutricional mais comum e exige conduta corretora,
pois prejudica o desenvolvimento mental e psicomotor da criança, reduz o
desempenho individual em tarefas diárias e afeta a resistência a infecções.

            A Sociedade Brasileira de Pediatria
indica a suplementação preventiva nas seguintes situações:

A termo

  • Para
    recém-nascido de peso adequado para a idade gestacional: 1mg de ferro
    elementar/kg de peso/dia, a partir do 3º mês até o 24º mês de vida.
  • A
    suplementação independe do aleitamento materno exclusivo, misto ou somente
    fórmula infantil.

Pré-termo

  • 2mg
    de ferro elementar/kg ou mais (conforme o peso do RN), a partir do 1º mês, por
    1 ano.
  • 1mg
    de ferro elementar/kg de peso/dia por mais 1 ano.

Profilaxia
de ferro elementar de acordo com situação do RN e posologia especificada:

Situação Posologia
RN
termo, peso adequado, em aleitamento materno exclusivo ou não
1mg/kg
de peso/dia (3 a 24 meses)
RN
termo, peso adequado, recebendo menos de 500ml de fórmula/dia
1mg/kg
de peso/dia (3 a 24 meses)
RN
termo, peso < 2.500g
2mg/kg
de peso/dia, a partir do 1º mês de vida por 1 ano; após, 1mg/kg de peso/dia
por mais 1 ano
RN
pré-termo, peso entre 1.500-2.500g
2mg/kg
de peso/dia, a partir do 1º mês de vida por 1 ano; após, 1mg/kg de peso/dia
por mais 1 ano
RN
pré-termo, peso entre 1.000-1.500g
3mg/kg
de peso/dia, a partir do 1º mês de vida por 1 ano; após, 1mg/kg de peso/dia
por mais 1 ano
RN
pré-termo, peso menor que 1.000g
4mg/kg
de peso/dia, a partir do 1º mês de vida por 1 ano; após, 1mg/kg de peso/dia
por mais 1 ano

A
Academia Americana de Pediatria recomenda triagem para deficiência de ferro,
sem anemia (dosagem de ferritina) ou com anemia (hemograma), aos 12 meses de
vida. Se constatado deficiência, o tratamento é o seguinte:

  • 3-5mg
    de ferro elementar/kg de peso/dia, VO, por pelo menos 8 semanas (até correção
    da anemia e normalização dos níveis de ferritina) – a duração total pode durar
    até 3-6 meses.

Orientação nutricional 

Exames
solicitados para diagnóstico de anemia ferropriva de acordo com as fases da
anemia:

Fase Definição Exames
Depleção
(latente) de ferro
Redução
do estoque de ferro no organismo
Ferritina
<12μg/L (6-60 meses)
Ferritina
<15μg/L (5-12 anos)
Hb,
HT, VCM, iSat, CTLT e Fe normais
Deficiência
de ferro
Redução
agravada da deposição de ferro no sistema reticuloendotelial; redução do
ferro sérico
Fe
sérico <30mg/dL
Capacidade
de total de ligação da transferrina (CTLT) aumentada (valor normal = 250-390μg/L)

Índice
de saturação da transferrina (iSat) <15%
Ferritina
baixa
Hb,
HT e VCM normais

Anemia
por deficiência de ferro
Redução
do ferro para eritropoiese; microcitose e anemia
Hb*
<11g/dL (6-60 meses) (*OMS)
Hb*
<11,5g/dL (5-12 anos)
Fe,
Ferritina, iSat baixos
CTLT
aumentada
VCM
e HCM baixos (ref. idade)

2.4. Zinco      

O
zinco é um elemento importante para o organismo, presente em abundância, com
atuação no sistema imunológico, crescimento, desenvolvimento cognitivo,
reparação tissular e replicação celular.

            A dosagem sérica não reflete com
precisão o real estado nutricional do mineral e sua prova terapêutica é feita
utilizando zinco na dosagem de:

A termo:

  • 1
    mg/kg/dia e observando-se a resposta clínica em 5-10 dias de uso.

Pré-termo:

  • 0,5
    ml/dia até 1 ano de idade.

Quando
existe carência de zinco, o tratamento é feito da seguinte forma:

  • 1-2mg/kg/dia
    de zinco elementar por via oral e correção dietética adequada;

Em
casos de diarreia aguda:

  • 20mg/dia
    para crianças acima de seis meses e 10mg/dia para crianças abaixo de seis meses.

Autor:
Stephanie Kischener Seif

Instagram:
@tete_seif

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