Soroprevalência de anticorpos contra SARS-COV-2 em Wuhan, China | Colunistas

  • maio 4, 2021
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Soroprevalência de anticorpos contra SARS-COV-2 em Wuhan, China | Colunistas

Wuhan, na China, foi o primeiro epicentro do COVID-19, com estimativa de quase 500 mil pessoas infectadas pela doença em 2020. Após um pouco mais de um ano de pandemia, sendo considerada uma das cidades “mais seguras”, será que a população da província conseguiu desenvolver anticorpos contra a doença? Por meio de alguns estudos com testes sorológicos, pode-se realizar a análise na situação do local.

Importância dos Testes sorológicos

Em dezembro de 2019 foi registrado o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus humano (SARS-COV-2) em Wuhan, província chinesa. Covid-19, um vírus grave, com alta transmissibilidade que em apenas três meses dos primeiros casos registrados se espalhou pelo mundo, e em 11 de março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia. Após o primeiro ano de pandemia, o mundo superou 102 milhões de infecções. Os sintomas da infecção são variados, podendo ser inespecíficos ou até mesmo não existir, o que contribui para a existência de casos não notificados e assim mascarando os verdadeiros números de infectados pela doença.

O teste padrão ouro para diagnóstico da Covid-19 é o RT-PCR que consiste na detecção direta do patógeno. Como geralmente os casos testados e relatados são aqueles que apresentaram sintomas previamente e/ou teve contato com caso sintomático, a aplicação de testes sorológicos complementa o rastreamento feito pelo RT-PCR, pois detectam a presença de anticorpos, indicando atividade imunológica do organismo em resposta ao contato com o vírus. Sendo a imunoglobulina IgM a principal formada pelo organismo após a infecção, podendo ser detectada via teste sorológico nos primeiros dias pós contágio. Com a evolução da infecção, as taxas de IgM vão diminuindo e as taxas da imunoglobulina IgG aumentam, indicando uma infecção passada e imunidade ao vírus.

Resultados dos estudos

O estudo transversal publicado em outubro de 2020, “Seropositive Prevalence of Antibodies Against SARS-CoV-2 in Wuhan, China” realizado por Togji Hospitals of Huazhong University of Science and Technology, analisou a taxa de soropositividade para COVID-19 em Wuhan entre março e maio de 2020 constatando uma taxa geral de soropositividade de apenas 3,9%, sendo a maioria dos indivíduos participantes da pesquisa testados positivos apenas para o anticorpo IgG. Porém, esse estudo apresentou limitações que comprometem a taxa verdadeira da soropositividade, como não ter incluído vários grupos, pessoas menores de idade e maiores de 60 anos, a baixa qualidade dos kits de testagem em relação à sensibilidade e especificidade aos anticorpos e pelos testes terem sido feitos em um curto intervalo de tempo, possibilitando uma grande taxa de falso positivo e/ou falso negativo.

Já em Março de 2021,um estudo longitudinal e transversal  com método de amostragem randomizado envolvendo 13 distritos de Wuhan de abril a dezembro de 2020, foi publicado pelo The Lancet, “Seroprevalence and humoral immune durability of anti-SARS-CoV-2 antibodies in Wuhan, China: a longitudinal, population-level, cross-sectional study” .Os indivíduos incluídos no estudo foram aqueles que viveram pelo menos 14 dias em Wuhan desde dezembro de 2020, foram cerca de 4.600 residências selecionadas pelo estudo. Foram realizadas 3 investigações em tempos diferentes nos participantes da pesquisa, a fim de encontrar a soroprevalência na população.

Foi constatado que 6,9% da população testada teve soroprevalência, sendo 3% em participantes entre 12-17 anos e 9,5% nos indivíduos maiores de 66 anos, sendo que em 40 % dos participantes que já tinham sido infectados pelo vírus os anticorpos neutralizantes, foram detectados. Os pesquisadores também constataram que uma boa parte dos indivíduos participantes da pesquisam eram assintomáticos, cerca de 82%, número muito maior que estimativa anterior de pessoas que não desenvolveram sintomas. Tanto para os indivíduos sintomáticos e assintomáticos, foi apontado que as taxas de anticorpos se mantiveram elevadas por quase nove meses. A limitação do estudo é não saber com exatidão o dia de infecção dos indivíduos, o que interfere na informação sobre da resposta imune ao vírus.

CONCLUSÃO

A soroprevalência da COVID-19 em Wuhan é muito baixa e mostra que a província não está perto da imunidade coletiva mesmo após ser o epicentro da doença e seguir fortes estratégias para contenção da transmissibilidade do vírus. Sendo assim, manter as medidas de higienização e isolamento social junto com a vacinação em massa são necessárias para aumentar a soroprevalência de SARS-COV- 19 em Wuhan.

Autora: Camila Figueira

Instagram: @camiifigueira


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

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Liu, A., Li, Y., Wan, Z., Wang, W., Lei, X., &Lv, Y. (2020). Seropositive Prevalence of Antibodies Against SARS-CoV-2 in Wuhan, China. JAMA network open, 3(10), e2025717 (2020). https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2020.25717.

Xu, X., Sun, J., Nie, S. et al. Seroprevalence of immunoglobulin M and G antibodies against SARS-CoV-2 in China. Nat Med 26, 1193–1195 (2020). https://doi.org/10.1038/s41591-020-0949-6.

LIMA, João. Prevalência soropositiva de anticorpos contra SARS-CoV-2 em Wuhan, China | Colunistas. InPrevalência soropositiva de anticorpos contra SARS-CoV-2 em Wuhan, China | Colunistas. Sanar Med, 2020. Disponível em: https://www.sanarmed.com/prevalencia-soropositiva-de-anticorpos-contra-sars-cov-2-em-wuhan-china-colunistas. Acesso em: 24 abr. 2021.

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