Resumo completo sobre sofrimento fetal agudo e vitalidade fetal. Acesse e tenha em um só lugar tudo que você precisa para dominar o assunto!
O sofrimento fetal agudo pode ser definido como a presença de dois achados decorrentes de um comprometimento na troca de gases do feto: a hipoxemia que é a baixa quantidade de O2 e a hipercapnia, um aumento de CO2 no sangue que causa uma acidose metabólica.
Na maioria das vezes, essa intercorrência ocorre durante o período do parto, contudo em casos mais raros pode acontecer, também, em períodos de anteparto. Esse agravo costuma acometer de 2% a 5% de todas as gestações.

Etiologia do sofrimento fetal agudo
As principais causas de sofrimento fetal agudo são:
- Hiperatividade Uterina;
- Hipotensão arterial materna;
- Insuficiência fetoplacentária aguda.

Hiperatividade uterina
A hiperatividade uterina pode ocorrer sem motivo aparente ou então associada a algum outro problema, como pré-eclâmpsia ou parto obstruído. Essa hiperatividade pode ocorrer de três formas:
- Hipersistolia uterina;
- Taquissistolia uterina;
- Hipertonia uterina.
A hipersistolia uterina ocorre quando a contração do útero ultrapassa o valor da PA materna, causando uma alteração na circulação sanguínea uteroplacentária, diminuindo a exposição de O2 para o feto.
A taquissistolia uterina, por sua vez, não apresenta um aumento da intensidade, mas sim um aumento da quantidade de contrações que ocorrem em um curto intervalo de tempo, isso reduz o tempo de circulação sanguínea, causando alteração na circulação fetal.
Já a hipertonia uterina é caracterizada por compressões persistentes, entre uma contração e outra, sobre os vasos sanguíneos do útero que, consequentemente, causam uma diminuição considerável de sangue disponível para a placenta.
Hipotensão arterial Materna
A hipotensão arterial materna, por sua vez, pode ser decorrente de hemorragias internas, mudanças de posição da paciente (hipotensão postural), uso de medicações e o uso da anestesia.
Ela causa principalmente uma perda da força responsável por fazer circular o sangue pelos vasos sanguíneos do útero e da placenta e isso acarreta em uma grande compressão desses vasos pelo miométrio, o que é responsável pela anóxia da placenta, aumentando o grau de hipóxia que o feto é exposto.
Insuficiência aguda
A insuficiência aguda, outra das causas de sofrimento fetal, pode ser decorrente da associação a patologias funiculares como:
- nós falsos
- prolapso
- circulares
- nós verdadeiros dentre outras
- ou então associada a compressão, decorrente de um oligoidrâmnio.
Diagnóstico
O diagnóstico consiste na avaliação da frequência cardíaca do feto e do uso da cardiotocografia.
A presença de um quadro taquicárdico (mais de 160 bpm), por 10 minutos ou mais, já indica um achado de hipoxemia fetal relevante.
Na cardiotocografia pode-se observar:
- uma linha acompanhada de alterações como perda de acelerações;
- presença de desacelerações;
- perda de oscilações, dentre outros.
Além disso, um quadro bradicardico (menos de 110 bpm), por mais de 10 minutos poderá ocasionar uma complicação de bradicardia severa que evolui para o óbito fetal.
Na cardiotocografia o traçado pode indicar sofrimento fetal quando a linha é caracterizada pela perda das acelerações ou das oscilações na base, além da presença de desacelerações no traçado.

É válido ressaltar que apenas a presença de mecônio não é sugestiva para sofrimento fetal agudo, a suspeita só deve ocorrer quando, associado a esse mecônio, existirem alterações na FC do feto.
Profilaxia
A prevenção de quadros de sofrimento fetal agudo consistem em:
- não acelerar o parto;
- permitir que ele ocorra naturalmente;
- reduzir a ansiedade da mãe a partir da garantia de um ambiente calmo e com apoio familiar;
- monitorar tanto a mãe quanto o feto;
- corrigir situações de hipotensão, hipovolemia, distúrbios hidroeletrolíticos e hipoglicemia;
- não efetuar a amniotomia precoce (Romper a bolsa);
- usar apenas quando necessário a ocitocina e seguir rigorosamente os protocolos para indução do parto caso seja necessário.
Tratamento
A conduta para um quadro de sofrimento fetal agudo consiste inicialmente:
- na oxigenação da paciente;
- na alteração da sua postura para o decúbito lateral;
- suspensão do uso de ocitocina venosa;
- na infusão de vasoconstritores para a correção da hipotensão arterial;
- e no uso de uterolíticos.
Os uterolíticos servem para abolir as contrações uterinas temporariamente, uma opção é o Salbutamol, 5 mg em 500 ml de SG, 20 gotas por minutos (10 microgramas/min).
Por fim, vale ressaltar que a partir da expulsão da massa placentária o uso de ocitocina é recomendado para evitar hipotonia, a ocitocina venosa deve ser usada na dosagem de 20 UI em 500 ml de soro glicosado a 5%, perfundidas na velocidade de 20 gotas/min – 40 mUI/min).
Vitalidade Fetal
A avaliação da vitalidade fetal tem serventia para a identificação de sofrimento fetal, agudo ou crônico de modo a evitar a morte do feto. Utilizam-se, atualmente, alguns exames para tal, a cardiotocografia, o perfil biofísico fetal (PBF), o mobilograma, e o doppler da artéria umbilical
A cardiotocografia é bem disseminada e ela registra continuamente a frequência cardíaca do feto para uma melhor avaliação (identificação de taquicardia, bradicardia, arritmia). Além disso, observa-se nele também alterações acidobásicas, contrações uterinas e alterações episódicas.

Sugestão de leitura complementar
- Resumo sobre sangramento uterino anormal (completo)
- Cistite: a ITU, principais causas, tratamento e mais
- Qual a diferença entre Tricomoníase e Vaginose bacteriana? | Ligas
- Doença Inflamatória Pélvica (DIP): um resumo completo
Referências
- Sofrimento fetal agudo Rotinas Assistenciais da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro – www.me.ufrj.br/images/pdfs/protocolos/obstetricia/sofrimento_fetal_agudo.pdf
- Sofrimento Fetal Agudo: definição, fisiopatologia, etiologia e mais! – www.sanarmed.com/sofrimento-fetal-agudo
- Avaliação da vitalidade fetal | Colunistas – www.sanarmed.com/avaliacao-da-vitalidade-fetal-colunistas
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