Em 1992, foi
criado o primeiro smartphone. Junto com ele, uma cascata de revoluções
tecnológicas foram ocorrendo na sociedade, sobretudo na medicina. Diante disso,
é importante ressaltar que não se pode desconectar o século XXI da onipresença
dos smartphones, produtos que, a cada ano, modernizam-se, refletindo
consequências positivas e negativas à população.
De um lado, os
aparelhos celulares oferecem comunicação mais rápida entre todos os cidadãos,
fácil acesso à internet, aplicativos atuantes em diversas áreas da vida humana (saúde,
educação, economia etc.). Por outro lado, os smartphones têm sido
responsáveis pela manutenção de uma sociedade mais egocêntrica, individualista,
criando pessoas menos preparadas para o convívio social.
Como a
medicina avança junto ao contexto em que vive, não é raro presenciar médicos
utilizando seus aparelhos celulares no atendimento ao paciente. Hoje em dia, há
mais de 10 aplicativos médicos responsáveis por diversas funções, a ponto de
garantir suporte técnico e terapêutico ao profissional. Através disso, o médico
acaba por ter, muitas vezes, em suas mãos, o diagnóstico da doença e as
condutas necessárias para a resolução de problemas.
Nesse
contexto, já que muitos profissionais vivem rotinas intensas de atendimentos
com altas demandas, o smartphone vem como ferramenta essencial na
resolução rápida e eficaz, atraindo ainda mais o olhar médico para o uso desses
aparelhos em seus consultórios, criando uma verdadeira relação de amizade.
Dentre as
funções dos smartphones na medicina, destacam-se: contagem de calorias e
de batimentos cardíacos; diagnóstico de diversas doenças, como asma e
osteoporose; medição do nível de hemoglobina sanguínea; realização de
eletrocardiogramas etc.
Uma pesquisa feita
em 2015 no Annals of Medicine & Surgery nomeada de A UK perspective on smartphone use
amongst doctors within the surgical profession demonstrou que, dentre os 341
médicos entrevistados, 93,5% possuíam smartphone, dentre estes, 54,2%
tinham aplicativos médicos e 86,2% usavam o disposto para acessar recursos
médicos online. De modo geral, 79,3% afirmaram que estariam dispostos a usar
seu smartphone para uso clínico.
Além disso, aqui no Brasil, mais especificamente no Hospital das
Clínicas (HC – USP), pesquisadores adaptaram smartphones ao endoscópio,
melhorando a visualização do interior do organismo. Destarte, devido ao grau de
importância, tal realização foi publicada, por meio de artigos científicos, na
revista científica internacional de neurocirurgia, a Journal of Neurosurgery.
Diante disso, comprova-se como os recursos online
contribuem para as atividades clínicas e cirúrgicas dos médicos. Assim, o
profissional ganha mais confiança e credibilidade em seus procedimentos e o
paciente usufrui da qualidade do tratamento, conferindo um ambiente promotor de
saúde e de bem-estar social.
Sem dúvidas,
há indagações de que a utilização de smartphones pode comprometer a
relação médico-paciente, sobretudo quando o profissional de saúde torna seu
atendimento mais mecanizado, ou seja, o celular passa a ser o fio condutor da
consulta, o protagonista da cena. Com isso, há uma desconstrução do processo de
humanização, deixando o tocar, o ouvir e o olhar do médico sobre o paciente em
segundo, ou em nenhum, plano.
Ao contrário disso, os smartphones precisam ser auxiliadores, instrumentos de eficácia e de melhoramento das condições do paciente, com intuito de tornar não só o espaço de atendimento, mas também toda a medicina, um ambiente de progresso e de humanização.
Autor:
Vinício
Sallet