Do ponto de vista da mortalidade, as síndromes hipertensivas na gestação são as mais temidas durante a gestação e no puerpério precoce.

1. Como deve ser feita a medida da PA em mulheres grávidas?
Deve-se utilizar o método manual auscultatório de preferência, devido os dispositivos automáticos subestimarem os valores da PA. O tamanho do manguito precisa ser adequado para a paciente, a posição em que ela deve estar é sentada ou em decúbito lateral esquerdo. Após a primeira aferição , é necessário que o procedimento seja repetido após 4 horas, só assim podemos dar o diagnóstico de quaisquer síndrome hipertensiva na gestação.
2. Conduta terapêutica
2.1 Suplementação de cálcio
O cálcio é suplementado na dose de > 1g /dia somente nas gestantes que possuem baixa ingestão do mesmo (<600mg/dia) , e nas pacientes que possuem risco moderado e aumentado de pré-eclâmpsia. Para essa classificação de risco leva-se em conta a história materna e a avaliação da resistência ao fluxo nas artérias uterinas , que são analisados através de uma ultrassonografia com Doppler, feita no primeiro trimestre da gestação.
2.2 ASS
O ASS é usado em baixas doses , ou seja, 75-150 mg/dia como forma de prevenir eclâmpsia. É recomendada para gestantes com risco moderado e aumentado para pré-eclâmpsia, sem esse risco ele não deve ser utilizado. Esse medicamento precisa ter seu uso iniciado antes das 16 semanas de gestação.
Existe uma Calculadora de risco da Fetal Medicine Foundation utilizada para a indicação do ácido acetilsalicílico usado na profilaxia de pré-eclâmpsia.
2.3 Sulfato de magnésio
O sulfato de magnésio é utilizado para a prevenção e o tratamento da eclâmpsia.
2.4 Anti-hipertensivos
O tratamento medicamentoso com medicamentos anti-hipertensivos é indicado em caso de hipertensão com cifras em torno de 150-160/100-110 mmHg, e na presença de sinais premonitórios , como dor abdominal, sintomas visuais ou cefaleia. E se tem como meta pressórica para essas pacientes a PA entre 120-160/80-100 mmHg.
Se inicia com a monoterapia medicamentosa com os seguintes fármacos, que são considerados de primeira linha :metildopa, nifedipina de ação prolongada ou betabloqueadores , excetuando-se o atenolol.Se com esse plano terapêutico não for atingido as metas podemos associar outro fármaco de primeira ou segunda linha como diurético tiazídico, clonidina e hidralazina. Precisa-se atentar para não se combinar fármacos da mesma classe .
É contra indicado utilizar inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) e bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA), devido a capacidade desses de causarem má formação fetal.
qNas emergências hipertensivas em gestantes pode-se utilizar nifedipina, via oral ou hidralazina , intravenosa. Mas, se dá preferência para nifedipina 10 mg, VO, que pode ser repetida na posologia de 10 a 20 mg a cada 20-20 min .Caso não se obtenha resposta após a terceira dose, faz-se hidralazina,IV, 5mg a cada 20-30 minutos , tendo como dosagem máxima de 15 mg.
Em situações extremas, como quando a paciente apresenta edema agudo de pulmão e hipertensão grave e refratária, podemos utilizar o nitroprussiato de sódio, como a primeira opção para o controle urgente da pressão arterial, mas só deve ser usado por no máximo
4 horas, devido este medicamento ter riscos de causar risco de impregnação fetal por cianeto
No puerpério as mulheres podem usar qualquer medicamento anti-hipertensivo, no entanto, mulheres que amamentam devem preferir os fármacos que passam em menor quantidade para o leite.

3. Conduta expectante
A conduta expectante é recomendada entre 34 e 37 semanas da gestação, em pacientes que estão estáveis , e não se enquadram na classificação de hipertensão grave. Após 37 semanas ela não é sugerida, nem em mulheres com hipertensão gestacional nem nas que estão com pré-eclâmpsia.
4. Acompanhamento das síndromes hipertensivas na gestação
Deve-se aferir a PA periodicamente, avaliando diariamente o peso da gestante, e sua diurese, além de se orientar a paciente sobre sinais que precedem a eclâmpsia. Os exames laboratoriais que devem ser pedidos são: hemograma com plaquetas, enzimas hepáticas, ácido úrico, creatinina e proteinúria, com intervalo de uma a duas vezes por semana. Já o feto pode ter seu acompanhamento realizado pela avaliação dos movimentos fetais, analisando o seu crescimento, e bem-estar através da ultrassonografia.
Qual a definição de Pré-eclâmpsia?
PAS ≥ 140mmHg e/ou ≥ 90mmHg, depois das 20 semanas de gestação e na maioria das vezes acompanhada de proteinúria (> 300mg/24h).
Como aferir a PA da paciente grávida?
Pelo método auscultatório, com auscultas intervaladas em 4 horas, para que seja possível realização do diagnóstico de síndromes hipertensivas da gestação.
Qual a profilaxia para eclâmpsia?
Em pacientes com risco moderado a elevado, faz-se uso de AAS em doses baixas (75-100mg), com início até a 16ª semana de gravidez.
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