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Síndromes de Impacto dos Coxins do Joelho | Colunistas

Síndromes de Impacto dos Coxins do Joelho

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Conceito

Traumas diretos ou uso inadequado e extenuante da articulação do joelho, bem como o encurtamento de músculos que participam da sua movimentação, podem causar a síndrome do impacto, e dentre as várias consequências, está a inflamação dos coxins gordurosos.

A inflamação desses coxins provoca edema e sangramento. Nos estágios finais, os adipócitos podem sofrer necrose e proliferação de fibroblastos, resultando em fibrose e ossificação.

O movimento repetitivo e de alto impacto no joelho é comum em atletas de endurence (esportes de resistência), como ciclismo, atletismo e triátlon, por exemplo, por isso são eles os mais afetados por essas doenças.

Tipos:

  • Síndrome de impacto do coxim suprapatelar anterior ou quadricipital
  • Síndrome de impacto do coxim infrapatelar ou Síndrome de Hoffa
  • Síndrome do coxim suprapatelar posterior ou pré-femoral

Revisão da anatomia

É importante salientar que embora ambos tenham a função de amortecer a articulação e facilitar o movimento, as bolsas sinoviais não correspondem aos coxins gordurosos. As bursas contém líquido sinovial, de conteúdo seroso, já os coxins são pequenos aglomerados de gordura acompanhados por membrana sinovial.

Adam, GREENSPAN, e BELTRAN, Javier. Radiologia Ortopédica – Uma Abordagem Prática, 6ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017.

Síndrome de impacto do coxim suprapatelar

Detectada por uma dor anterior no joelho e edema (inchaço) na área superior da patela.

O diagnóstico é feito por exames de imagem, o mais eficiente é a ressonância magnética, sendo menos comum o uso de ultrassonografia. Na RM detecta-se um alto sinal T2 e baixo sinal T1, o que indica edema. Também observa-se aumento do tamanho do coxim, derrame articular, compressão do tendão do quadríceps femoral (efeito de massa), podendo haver fibrose e ossificação.

O tratamento é o mesmo da Síndrome de Hoffa, que será vista adiante.

Síndrome de Hoffa ou Hoffite

Descrita por Hoffa em 1904, essa síndrome é causada por microlesões na gordura de hoffa, o coxim infrapatelar, que se localiza profundamente abaixo do tendão patelar, nos espaços femorotibial e femoropatelar.

Os sintomas são dor na porção inferior da patela, edema e aumento do tamanho da região inferior do joelho, com limitação do movimento, principalmente na extensão.

Pacientes com outras condições no joelho, como a redução dos espaços femorotibial ou femoropatelar e instabilidades são mais susceptíveis a desenvolver essa síndrome. Portadores de artrite reumatoide também estão mais passíveis de desenvolver a inflamação na gordura de Hoffa por acúmulo de imunocomplexos.

Semiologia: O exame clínico é marcado pelo “sinal de Hoffa” (dor à extensão do joelho ao se aplicar compressão digital sobre a gordura infrapatelar). Esse sinal é difícil de se observar, mas pode ser muito específico por provocar uma forte dor e um comportamento defensivo do paciente.

Além do exame físico, o diagnóstico também é feito por RM.

Dê uma olhada no vídeo a seguir para entender como o teste é feito: https://www.youtube.com/watch?v=pHuPPBBHWqs

O tratamento geralmente é conservador, sendo recomendado repouso, compressas de gelo, AINEs e fisioterapia para o fortalecimento dos músculos que alinham o joelho (quadríceps, glúteos e músculos do quadril). Casos mais graves, com fibrose, podem se beneficiar da retirada artroscópica desse coxim gorduroso.

A infiltração de corticosteroides local, profundamente ao tendão patelar, na própria gordura de Hoffa, pode confirmar o diagnóstico e aliviar os sintomas.

Região da gordura de Hoffa com inchaço:

https://pedrogiglio.com/hoffite-inflamacao-da-gordura-de-hoffa/

Casos clínicos

Para ajudar nos casos clínicos vamos relembrar algumas informações importantes

Na RM existem 3 tipos principais de imagens obtidas: ponderada em T1, ponderada em T2 e densidade ponderada por prótons.

  Ponderada em T2 Ponderada em T1
Gordura e tecidos moles Escura Brilhante
Agua e líquidos Brilhante Escura

Ressonância magnética normal do joelho:

A. imagem sagital em sequência MPGR (ângulo de flip, 30°) ponderada em T2*. C. imagem sagital spin echo ponderada em T1

Adam, GREENSPAN, e BELTRAN, Javier. Radiologia Ortopédica – Uma Abordagem Prática, 6ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017.

CASO 1: Paciente de 20 anos, atleta saltadora, com dor localizada na região anterior do joelho há 2 semanas, associada à limitação da extensão máxima e dificuldade nos treinamentos de salto e corrida. Qual é o possível coxim acometido e como você chegou a essa conclusão?

https://www.institutosport.com.br/sindrome-da-gordura-de-hoffa/
 

Resolução: A Imagem frontal do joelho mostra áreas de edema na porção inferior da patela, além de limitação da extensão do joelho, sendo, portanto, a Síndrome de Hoffa, com o acometimento do coxim infrapatelar.

CASO 2: Paciente do sexo feminino, 30 anos, com dor crônica na face anterior do joelho, sem história de trauma. O que pode ser observado na RM indicado nas setas? (Lembrando-se que o coxim é feito de gordura).

Imagem A com ponderação em T2 e imagem B com ponderação em T1
https://casereports.bmj.com/content/casereports/2012/bcr-2012-007643.full.pdf?sid=6220ab96-ba81-4626-9b04-9faf17401725

Resolução: Na RM detectou-se aumento do coxim suprapatelar, indicado na seta, além de derrame articular e edema.

  • Hipersinal (mais claro) em RM com T2 ponderado (imagem A) indica que há liquido nos coxins, correspondendo ao edema por causa da inflamação.
  • Hipossinal (mais escuro) do coxim com T1 ponderado (imagem B).

CASO 3: Jogador de futebol, 23 anos, sente dor há 6 meses no joelho direito e também apresenta inchaço/edema. O exame clínico foi positivo para o “sinal de Hoffa”. O paciente foi submetido a uma ressonância. O tratamento foi a remoção cirúrgica do coxim por artroscópio, com melhora do quadro. Ao observar a RM, qual é a região afetada do joelho e como você chegou a essa conclusão? Qual é o nome da patologia?

RM ponderada em T1 sagital na imagem 1 e ponderada em T2 sagital na imagem 2.
https://casereports.bmj.com/content/2013/bcr-2013-008795

Resolução: Nota-se que existe lesão no coxim infrapatelar, já que ele está com hipersinal e um leve derrame articular em T2W1 (ponderado em T2- imagem 1) e com hipossinal em T1W1(ponderado em T1-imagem 2). Portanto, trata-se da Síndrome de Hoffa ou Síndrome do impacto do coxim infrapatelar.

Conclusão

Embora pouco conhecidas, as síndromes de impacto nos coxins não são raras e devem ser consideradas para diagnóstico diferencial de lesões dolorosas no joelho.

Referências

SBOT. Ortopedia e Traumatologia. Grupo GEN, 2017. [Minha Biblioteca].

       Filho, Tarcisio Eloy Pessoa de, B. et al. Clínica Ortopédica. Disponível em: Minha Biblioteca, Editora Manole, 2012

Adam, GREENSPAN, e BELTRAN, Javier. Radiologia Ortopédica – Uma Abordagem Prática, 6ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017.

Morini G, Chiodi E, Centanni F, Gattazzo D. Malattie del corpo adiposo di Hoffa: Risonanza Magnetica e chirurgia a confronto [Hoffa’s disease of the adipose pad: magnetic resonance versus surgical findings]. Radiol Med. 1998 Apr;95(4):278-85. Italian. PMID: 9676203.

Krebs VE, Parker RD. Arthroscopic resection of an extrasynovial ossifying chondroma of the infrapatellar fat pad: end-stage Hoffa’s disease? Arthroscopy. 1994 Jun;10(3):301-4. doi: 10.1016/s0749-8063(05)80117-3. PMID: 8086026.

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/t%C3%B3picos-especiais/princ%C3%ADpios-de-imagens-radiol%C3%B3gicas/resson%C3%A2ncia-magn%C3%A9tica

Bas, Ahmet, et al. “Quadriceps fat-pad impingement syndrome: MRI findings.” Case Reports 2012 (2012): bcr2012007643.

https://casereports.bmj.com/content/2013/bcr-2013-008795

Autora: Isabelle Galego H.

Insta: @isabelle.g.holosback


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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