Síndrome factícia: o que é, sintomas e como fazer o diagnóstico!
A nova da TV Globo, “Travessia”, está prevista para estrear neste mês de outubro. A trama irá abordar o transtorno factício autoimposto ou Síndrome de Münchausen, através da personagem Chiara, interpretada por Jade Picon.
Esse transtorno foi citado pela primeira vez na literatura em 1951, por Richard Asher. O pesquisador começou a analisar indivíduos que propositalmente inventam sintomas de determinadas doenças para buscar acompanhamento especializado.
Assim, inicialmente o transtorno ficou conhecido como “Síndrome de Münchausen” em homenagem ao Barão Karl Friedrich Hieronymus Freiherr von Münchhausen. O Barão ficou conhecido após juntar-se às forças armadas russas e contar histórias fantásticas e fantasmagóricas sobre as batalhas de que participou contra os turcos otomanos.
Atualmente, o Transtorno Factício não tem prevalência conhecida, entretanto, estima-se que cerca de 1% de casos de indivíduos hospitalizados atendam aos critérios diagnósticos.
O que é a síndrome factícia?
A característica principal dessa doença é a simulação, de forma consciente, de sintomas patológicos relacionados a aspectos físicos, psicológicos ou cognitivos. Em casos mais graves, para manter-se indo a hospitais e até mesmo ter a validação médica, o paciente pode até adulterar laudos de exames laboratoriais.
O maior objetivo dos pacientes com esse transtorno é a busca de vantagens como:
- Medicamentos, muito relacionado a paciente hipocondríacos
- Internações
- Atestados médicos
Outra característica importante é que após um período, o paciente adquire um comportamento manipulador. Se os médicos não estiverem atentos, podem ser manipulados por esses pacientes.
Classificação do transtorno fictício
Esse transtorno está subdividido em dois tipos:
- Imposto a si: relacionado a pacientes que alegam diferentes doenças e simulam os sintomas, principalmente na presença de algum profissional de saúde
- Imposto ao outro: ligado ao perfil de mão narcisista, em que o indivíduo sofre abuso psicológico. Nesses casos, os pais são responsáveis por inventar sinais e sintomas para o paciente. Esse tipo de síndrome factícia é visto na The Act, em que uma menina que passou a vida inteira acreditando que tinha uma doença grave por causa de uma farsa criada por sua mãe.
Como diagnosticar o transtorno factício?
No distúrbio factício imposto a si próprio, o critério de diagnóstico utilizado foi feito pelo American Psychiatric Association (APA):
- A. Paciente inventa sinais psicológicos e físicos, induz lesões ou doenças; distúrbio factício
- B. O indivíduo apresenta-se para outros como doente, incapaz ou lesionado
- C. Paciente com comportamento fraudulento evidente mesmo na falta de compensações externas óbvias
- D. O comportamento não é bem explicado pelo distúrbio, tal como delírio ou outra condição psicótica Específico: Episódio único Episódios recorrentes (dois ou mais eventos de imitação de doença e/ou indução de lesão)
Já os critérios diagnósticos para distúrbio factício imposto a outro, são:
- A. Sinais e sintomas psicológicos e físicos, ou indução de lesão ou doença em outro, são fabricadas em associação com as fraudes identificadas
- B. Indivíduo apresenta o outro (vítima) como doente, incapaz ou lesionado
- C. Comportamento fraudulento é evidente, mesmo com falta de compensações externas óbvias
- D. Comportamento não é mais bem explicado devido à lesão, tal como delírio ou outra condição psicótica.
Indicações de síndrome factício com condições psicológicas
Os principais sinais que indicam essa condição psicológica são:
- Piora do sintoma devido à alta hospitalar
- Sintomas inconsistentes com aqueles encontrados em uma síndrome Resposta consistente com tratamento
- Relatos de trauma emocional e físico, porém os dados não podem ser confirmados Pseudologia fantástica (mentira patológica)
- Relação intensa com outros pacientes e equipe de saúde
- Sintomas similares àqueles de outros pacientes apresentados durante a internação
Qual o tratamento para síndrome factícia?
Atualmente, a literatura mostra que não há nenhuma terapia biológica ou psicológica que demonstre eficácia no tratamento desses pacientes. Contudo, alguns autores afirmam que a hospitalização psiquiátrica involuntária é o principal tratamento para pacientes que colocam sua vida em risco e que não podem ser tratados em unidades ambulatoriais.
O ambiente hospitalar geral, em que o paciente é hospitalizado e assistido por equipe multidisciplinar de cuidados intensivos, é o local ideal para identificar o distúrbio, iniciar tratamento e tomar medidas adequadas. Especialmente em casos de abuso de criança, idoso ou pessoa com deficiência.
Dessa forma, o tratamento destes pacientes é extremamente difícil, apresentando baixas taxas de adesão e tem prognóstico ruim, além de poucos relatos de melhoria.

Referência bibliográfica
- American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e estatístico e transtornos mentais DMS-5. 5a ed. Tradução de Maria lnês Corrêa Nascimento, Paulo Henrique Machado, Regina Machado Garcez, Rêgis Pizzato, Sandra Maria Mallmann da Rosa. Porto Alegre: Artmed; 2013. Transtorno factício; p. 325-7.
- Bass C, Halligan P. Factitious disorders and malingering: challenges for clinical assessment and management. Lancet. 2014;383(9926):1422-32. Review