A síndrome do olho seco é uma doença multifatorial da lágrima e da superfície ocular que resulta em sintomas de desconforto, distúrbios visuais e instabilidade do filme lacrimal podendo ocorrer lesão da superfície ocular.
Esse quadro pode se agravar pela presença de fumaça, vento, baixa umidade, calor e até mesmo quando se trabalhar muitas horas no computador podendo ocorrer piora no final do dia.
Etiologia
⦁ Estilo de vida: clima árido, exposição a alérgenos, tabagismo, períodos extensos de leitura, trabalho no computador.
⦁ Doenças do tecido conectivo: síndrome de Sjögren, artrite reumatoide, granulomatose de Wegener, lúpus eritematosos sistêmico.
⦁ Fibrose conjuntival: penfigoide cicatricial ocular, síndrome de Stevens-Johnson, tracoma e queimadura química.
⦁ Fármacos: contraceptivos orais, anticolinérgicos, anti-histamínicos, antiarrítmicos, antipsicóticos, antiespasmódicos, antidepressivos tricíclicos, b-bloqueadores, diuréticos, retinoides, inibidores seletivos da recaptação de serotonina, quimioterápicos.
⦁ Infiltração das glândulas lacrimais: sarcoidose e tumor.
⦁ Fibrose após radiação das glândulas lacrimais.
⦁ Deficiência de vitamina A: pode ocorrer por desnutrição, má-absorção intestinal ou cirurgia bariátrica.
⦁ Após ceratomileuse in situ por laser (pode ser secundária à ruptura de nervos corneanos e tenha interferência com o lacrimejamento reflexo normal).
Fisiopatologia
A síndrome do olho seco pode ser classificada em: evaporativa e deficiência aquosa.
A síndrome do olho seco evaporativa pode ser dívida em intrínseca (deficiência da glândula de Meibomius, distúrbios da abertura palpebral, redução da frequência dos piscamentos e uso de drogas) e em extrínseca (deficiência de vitamina A, uso de lentes de contato e doença da superfície ocular). A evaporativa ocorre pela deficiência da camada lipídica externa da lágrima pode estar associada por exemplo a blefarite.
Já o olho seco por deficiência aquosa é subdividido em olho seco associado à síndrome de Sjögren (primário ou secundário) e olho seco sem síndrome de Sjögren (deficiência lacrimal, obstrução do ducto da glândula lacrimal, bloqueio reflexo e drogas de ação sistêmica). Ocorre pela deficiência da camada aquosa média da lágrima e essa produção diminui com a idade.
Quadro Clínico
⦁ Queimação;
⦁ Ressecamento;
⦁ Sensação de corpo estranho;
⦁ Visão leve a moderadamente diminuída;
⦁ Lacrimejamento excessivo (seguidos de um período de grande secura).

Alguns outros incômodos causados pela síndrome do olho seco são a sensação de irritação nos olhos, presença de secreção viscosa no olho, fotossensibilidade e desconforto em leitura prolongada. Essa condição pode até interferir na visão do paciente, causando episódios de visão desfocada ou turva.
Diagnóstico
⦁ Investigar histórico do paciente;
⦁ Realizar exame sob lâmpada de fenda com coloração de fluoresceína (examinar o menisco lacrimal e o tempo de eliminação do filme lacrimal).
⦁ Coloração de rosa bengala e lissamina verde (examinar a córnea e a conjuntiva);
⦁ Teste de Schirmer – após remover o excesso de lagrima no olho, o papel do filtro de Schirmer é colocado na junção dos terços médio e lateral da pálpebra inferior em cada olho por cinco minutos (olhos devem permanecer abertos e piscando normalmente).

Tratamento
Olho seco leve
⦁ Usar lágrimas artificiais 4x/dia.
Olho seco moderado
⦁ Usar lágrimas artificiais a cada 1 a 2 horas (sem conservantes e dose unitária).
⦁ Usar géis ou pomadas lubrificantes ao deitar.
⦁ Em pacientes com olho seco crônico e diminuição de lagrimas secundaria à inflamação ocular, a ciclosporina 0,05 % 2x/dia é efetiva. A ciclosporina pode causar ardor logo após aplicação nas primeiras semanas e leva de 1 a 3 meses para ocorrer uma melhora clínica. Para acelerar a melhora e diminuir os efeitos colaterais pode tratar os pacientes junto com colírio de corticosteroide leve, ex. loteprednol a 0,5% – 2 a 4x/dia por um mês ao iniciar o tratamento com ciclosporina.
⦁ Pode ser feito também a oclusão do ponto lacrimal (oclusão com colágeno ou com plugues de silicone ou acrílico).
Olho seco severo
⦁ Ciclosporina 0,05%.
⦁ Oclusão do ponto lacrimal.
⦁ Lágrimas artificiais sem conservantes a cada 1 ou 2 horas.
⦁ Pomada ou gel lubrificante 2 a 4x/dia.
⦁ Óculos com lubrificação à noite.
⦁ Considerar tarsorrafia lateral permanente se todas as medidas anteriores falharem.
Autores, revisores e orientadores
Autor(a) : Juliana Mandarino Martino e Silva Revisor(a): Raíza Pereira – @raizapereira
Orientador da liga: Dr. André Portes
Referências
GERSTENBLITH, Adam T; RABINOWITZ, Michael P. Manual de doenças oculares do Wills Eye Hospital: diagnóstico e tratamento no consultório e na emergência. 6 ed. – Dados eletrônicos – Porto Alegre, Artmed 2015.
Apostila de Oftalmologia da Universidade de São Paulo. Disponível em:
https://www.docsity.com/pt/apostila-oftalmologia-usp/574002/. Acesso em: 16/10/2021.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto
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