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Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) do Recém-Nascido | Colunistas

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A Síndrome do Desconforto Respiratório
(SRD), também conhecido como Doença da Membrana Hialina (DMH) é uma doença que
frequentemente acomete recém-nascidos (RN) pré-termo, principalmente os com
menos de 28 semanas.

A principal causa da SDR é a
deficiência de quantidade adequada de surfactante pulmonar. Para seu
diagnóstico é necessário conhecimento adequado da história materna obstétrica e
familiar, além de estar atento às condições do recém-nascido (RN) ao
nascimento.

Fisiopatologia:

O surfactante alveolar é produzido a partir da 20ª semana de gestação pelos pneumocitos tipo II, tendo sua produção aumentada de forma progressiva no decorrer da gestação, com o pico na 35ª semana.

A principal função do surfactante
é diminuir a tensão superficial na interface ar-líquido alveolar e nos
bronquíolos distais, garantindo adequada expansão pulmonar e evitando colapso
pulmonar, além de ser importante na defesa pulmonar.

Dessa forma, sua deficiência
aumenta a tensão superficial e força de retração elástica, acarretando em
instabilidade alveolar e atelectasias progressivas. Essas atelectasias causam
diminuição da relação ventilação/perfusão, aumentando assim o shunt
intrapulmonar, que leva a hipoxemia e acidose.

Outro fator é o aumento da permeabilidade
da membrana alvéolo-capilar que se observa em RN pré-termo, aumentando
quantidade de líquido pulmonar. Dessa forma, ocorre uma diminuição da
complacência pulmonar e inativação do surfactante presente na superfície
alveolar.

Seus achados patológicos mais comuns e que são observados precocemente são: atelectasias, edema pulmonar, congestão vascular pulmonar, hemorragia pulmonar e evidência de lesão direta ao epitélio pulmonar. Histologicamente observa-se membrana hialina e espaços alveolares fechados.

Fatores de risco:

Prematuridade, diabetes materna, sexo masculino, história de SDR em irmãos, malformações torácicas que causam hipoplasia pulmonar (hérnia diafragmática), cesárea eletiva, anoxia/asfixia neonatal.

Diagnóstico:

Manifestações clínicas + história materna + radiologia sugestível.

Clínica:

Sinais de insuficiência respiratória nas primeiras 72 horas, como taquipneia ou bradpneia, gemência, cianose em ar ambiente, batimento de aletas nasais, tiragem intercosta e retração esternal e crises de apneia.

Radiológico:

Na radiografia de tórax veremos a presença de broncogramas aéreos e aumento de líquido pulmonar, além da presença de infiltrado retículo-granular difuso de intensidade variada, classificada em graus:

  • Grau I – leve: broncogramas aéreos mínimos, com
    visualização completa da área cardíaca;
  • Grau II – moderado: broncogramas aéreos se estendem para
    fora do mediastino, mantendo a visualização completa da área cardíaca;
  • Grau III – grave: broncogramas aéreos se estendem para
    fora do mediastino e alcançam a periferia. Nesse grau a área cardíaca torna-se
    pouco perceptível;
  • Grau IV – opacidade total: opacificação total dos campos
    pulmonares, sem visualização da área cardíaca.

Diagnósticos diferenciais principais:

Taquipneia transitória do RN ou síndrome do pulmão úmido, pneumonias, persistência da circulação fetal (PCF), síndrome da aspiração meconial (SAM) e cardiopatias congênitas cianóticas (CCC).

Manejo:

Medidas de suporte ao paciente afim de garantir a oxigenação adequada (PaO2>50 mmHg), ventilação adequada (paCO2 <50 mmHg), com administração de surfactante exógeno, manutenção térmica, calórica e hídrica.

  1. Manutenção térmica: ambiente neutro como incubadoras ou berço
    com calor radiante e monitores acoplados são fundamentais para reduzir o
    consumo de oxigênio e produção de CO2.
  • Oferta hídrica: afim de prevenir hipovolemia, hipotensão –
    determinação da pressão arterial também é fundamental, e/ou choque também
    faz-se necessário afim de evitar vasoconstricção do leito capilar, acidose
    metabólica e oligúria.

– 1º
dia de vida: 80 a 90 ml/kg/dia se Soro Glicosado (SG);

– 2º
dia de vida: 100 ml/kg/dia de SG;

– 3º
dia de vida em diante: 110 ml/kg/dia de SG, aumentando gradualmente até chegar
em 150 ml/kg/dia. A reposição dos eletrólitos Sódio e Potássio faz-se
necessária acrescentar ao soro de manutenção a partir do 3º dia de vida –
Sódio: 3 mEq/kg/dia; Potássio: 2,5 mEq/kg/dia.

  • Hipocalcemia: Gluconato de Cálcio a 10% EV em doses de 20
    a 60 mg/kg/dia ou 2 a 6 ml/kg/dia, mesmo que a deficiência de Cálcio seja
    assintomática.
  • Oxigenoterapia: a hipoxemia é causada principalmente pela
    hipoventilação, bloqueio na difusão dos gases e curto-circuito circulatório. Muitas
    vezes faz-se necessário oxigênio para estabilização desses pacientes em sala de
    parto, devendo ser controlado por Blender (misturando Oxigênio com ar), em
    concentração inicial de 30% para RN com menos 28 semanas e 21 a 30% em RN entre
    28 e 31 semanas. Nos casos em que o RN não responde à ventilação, deve-se considerar
    a intubação traqueal, com necessidade de administração de surfactante exógeno.
  • Surfactante exógeno: sua indicação tem sido cada vez mais
    seletiva, atualmente sendo mais frequentemente usado em RN com hipótese
    diagnóstica de SDR e que necessitam de um FiO2 (fração inspirada de oxigênio)
    maior que 30%, intubação traqueal, em UTI neonatal ou nos que o CPAP (suporte
    respiratório não invasivo) falha. A dose inicial recomendada é de 200 mg/kg.
    Pode-se avaliar uma segunda ou terceira doses se insuficiência respiratória
    progressiva com requerimento de maiores concentrações de oxigênio e/ou
    necessidade de manutenção de intubação em ventilação mecânica – nesses casos a
    dose recomendada é de 100 mg/kg com intervalo de 8 horas entre as doses, sendo
    no máximo 3 doses até 48h após a primeira dose. Nesses casos, deve-se sempre
    afastar outras causas de insuficiência respiratória como persistência do
    canal-arterial (PCA) e pneumotórax.

A via
de administração é intraqueal, em dose única, de maneira contínua, evitando
ocorrência de refluxo pela cênula ou pela boca, e a obstrução da cânula.
Recomenda-se utilizar cânula traqueal com injetor lateral ou cânula com
dispositivo para adaptação de seringa. Evitar aspirar da cânula traqueal na
primeira hora após o tratamento.

Existem
dois métodos menos invasivos descritos, sendo o primeiro o método alemão LISA (less
invasive surfactant admnistration
– administração de surfactante menos invasivo),
no qual enquanto o RN está no CPAP, se usa um cateter de fino calibre e
flexível posicionado na traqueia usando laringoscopia e fórceps de Magill. O
segundo é o método australiano MIST (minimally invasive surfactante
treatment
– tratamento com surfactante minimente invasivo), no qual sob
visualização da traqueia por laringoscopia direta se usa um cateter vascular
fino e suficientemente rígido, o RN também é mantido no CPAP.

Vale
salientar a importância do controle radiológico após 6 horas da administração
de surfactante exógeno, e monitorização contínua da oxigenação arterial através
da oximetria de pulso e pela coleta de gasometria arterial da 1ª a 6ª hora
subsequente.

Complicações da SDR:

Displasia broncopulmonar (DBP), pneumotórax, pneumomediastino, retinopatia da prematuridade, PCA, hemorragia cerebral intraventricular (HCIV), entre outras.

Considerações Finais:

A prevenção principal não apenas da SDR, como de outras doenças neonatais, é o pré-natal adequado e prevenção da prematuridade. O uso de corticoides antenatais pode ajudar na diminuição da incidência e gravidade da SDR. O prognóstico desses RNs relaciona-se com a gravidade da SDR, idade gestacional e se as técnicas terapêuticas usadas foram adequadas.

Autora: Amanda Bassani Pagotto
Acadêmica do 9º período de medicina na Faculdade Brasileira (Multivix), Vitória – ES.
Atualmente estagiária no CiaTox-ES.
Instagram: @amandabpagotto

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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