Introdução
Existe uma série de síndromes associadas ao COVID-19. Os pacientes podem apresentar apenas sintomas leves, mas há casos mais graves que envolvem pneumonia ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG/SARA).
O manejo é complicado, mas apesar de pequenas diferenças o manejo desse paciente é como de qualquer outra SARA. Fique por dentro da definição, epidemiologia, fisiopatologia, etiologia e tratamento, tudo o que você precisa saber para manejar o seu paciente com SARA na emergência.
Definição de SARA
A SARA é definida como uma lesão inflamatória aguda e difusa pulmonar que provoca aumento da permeabilidade vascular do pulmão, determinando aumento do seu peso e diminuição de tecido aerado.
Epidemiologia
Seu eixo corresponde a 10% das internações na UTI. Além disso, 23% dos pacientes em ventilação mecânica preenchem critérios de SARA. Apesar de possuir mortalidade hospitalar alta (40%), ainda é pouco diagnosticada.
Fisiopatologia
Para caracterizar a SARA, é necessário um insulto agudo (descrito nos Critérios de Berlim). Este insulto inflamatório atrai os macrófagos e aumenta a permeabilidade vascular, o que culmina em uma inundação alveolar. Este edema gera destruição alveolar e quebra do surfactante, que é o responsável pela redução da tensão superficial da água dentro do alvéolo e, assim, impede o colapso do mesmo. Dessa forma, os alvéolos colabam levando à hipoxemia.
Etiologia
A disposição etiológica da SARA envolve principalmente:
- Pneumonia (40%)
- Sepse (32%)
- Aspiração (9%)
- Trauma/outros (19%)
Diagnóstico de SARA
Com fora dito acima, para caracterizar a SARA, é necessário um insulto agudo, melhor descrito através Critérios de Berlim.
Critérios de Berlim
- Tempo: dentro de uma semana de um insulto clínico;
- Imagem de tórax (Rx ou TC): opacidades bilaterais não explicadas por derrames, colapso lobar/pulmonar ou nódulos;
- Origem do edema: IR não completamente explicada por insuficiência cardíaca ou sobrecarga de fluidos;
- Hipoxemia: PaO2/ FiO2 ≤ 300; Leve: entre 200 e 300; Moderada:
entre 100 e 200; Grave: menor que 100.
Tratamento de SARA
Ventilação Protetora
Como grande parte do pulmão está colapsada e o volume corrente é pe-
queno, é necessário que se efetue uma ventilação atenuada, de forma a proteger os alvéolos de barotrauma e reduzir a lesão pulmonar. Para isso é necessário ajustar os seguintes parâmetros:
- VC < 6mL/Kg (peso predito, peso ideal calculado pela altura);
- Pressão de platô < 30 cmH2O;
- Pressão de pico < 50 cmH2O;
- Hipercapnia permissiva: PaCO2 < 80, desde que o pH seja > 7,2;
- PEEP ajustada de acordo com a FiO2 (para evitar o colapso alveolar).
Prona
Posição de decúbito ventral é benéfica, porque a área mais bem perfundida (a posterior) passa a ser também bem ventilada, melhorando a relação V/Q e reduzindo a hipoxemia. A indicação para esse posicionamento é quando a relação PaO2/FiO2 é menor que 150.
Terapia Farmacológica
Pacientes com PaO2/ FiO2 < 120 se beneficiam do uso do bloqueador neuromuscular. Além disso, pode-se utilizar corticoide (controverso) e recomendar balanço hídrico negativo (diurético).
Mapa mental de SARA
