A Síndrome do Crupe se caracteriza como um grupo de doenças que irão ocasionar a obstrução inflamatória das vias aéreas superiores. Possuem envolvimento anatômico e etiologia variados, e se manifestam clinicamente com os seguintes sintomas: estridor inspiratório, tosse ladrante, rouquidão e desconforto respiratório.
SE LIGA NO CONCEITO! Vias aéreas superiores abrange fossas nasais, faringe e laringe. Anatomicamente, as vias aéreas superiores estão divididas em três áreas principais: via aérea supraglótica (acima das cordas vocais), via aérea glótica e subglótica e via aérea intratorácica.
Didaticamente, pode-se dividir a síndrome de acordo com a sua localização: laringite, laringotraqueíte e laringotraqueobronquite.
Nessas manifestações, o evento fisiopatológico básico é a presença de edema, podendo também ocorrer espasmo laríngeo.
Epidemiologia da Síndrome do Crupe
Possuem maior relevância em lactentes e crianças pequenas, incidindo em 3% na faixa etária de 2 meses a 6 anos, sendo mais comum aos 18 meses. Predomínio do sexo masculino (1:2). Embora a maioria dos casos ocorra no outono e inverno, o crupe viral se manifesta durante todo o ano. A causa mais comum é a laringotraqueobronquite, sendo responsável por 90% dos casos.
Apresentam potencial risco de desenvolvimento de falência respiratória:
- Crianças menores de 6 meses de idade;
- Pacientes com estridor em repouso;
- Pacientes com alteração do nível de consciência;
- Detecção de hipercapnia.
Etiologia da Síndrome do Crupe
A etiologia viral de crupe é a mais comum, sendo os principais agentes os vírus parainfluenza (tipos 1, 2 e 3), influenza A e B e vírus respiratório sincicial. Nas crianças maiores de 5 anos, tem importância etiológica o Mycoplasma pneumoniae.
Manifestaçõão Clínica Geral
A doença possui início com rinorreia clara, faringite, tosse leve e febre baixa. Após 12-48 horas iniciam-se os sintomas de obstrução de vias aéreas superiores, característicos na síndrome de crupe, com progressão dos sinais de insuficiência respiratória e aumento da temperatura corpórea.
SE LIGA! O estridor é o som respiratório produzido pela passagem de ar em uma via aérea de grosso calibre estreitada.
Os sintomas podem se resolver em 3-7 dias. Em casos mais graves pode chegar a 14 dias e irão se apresentar com sintomas mais intensos, como aumento da frequência cardíaca e respiratória, retrações claviculares, esternais e de diafragma, batimento de aletas nasais, cianose e agitação psicomotora.
A maioria das crianças terão sintomas leves que não progridem para obstrução progressiva das vias aéreas. Entretanto, crianças que possuem maior potencial de evoluir para falência respiratória (ver fatores de risco em item anterior) deve ter seus sintomas monitorados:
- Oximetria de pulso: Avaliação da saturação de oxigênio, onde estado de hipóxia pode indicar doença avança ou falência respiratória iminente. Importante salientar que uma saturação de oxigênio normal pode gerar impressão falsa de baixo risco associado a doença, porém a luz dessas vias aéreas estreita-se marcadamente antes da criança ficar hipóxica.
- Estridor: Avaliação da gravidade da obstrução das vias aéreas, baseados em sinais e sintomas clínicos, através de escores: