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Síndrome do coração partido | Colunistas

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Introdução

A síndrome do coração partido é um importante diagnóstico diferencial de síndrome coronariana aguda (SCA). Além disso, com a COVID-19, os casos desta síndrome têm aumentado, isso porque, como o próprio nome diz, esta doença acontece quando há um estresse emocional ou até mesmo físico que libera catecolaminas que podem alterar o bombeamento cardíaco (isso será melhor discutido na parte de fisiopatologia).

Essa síndrome também é conhecida como cardiomiopatia de takotsubo, devido à forma que o coração fica. Em japonês, takotsubo significa armadilha de polvo, e o miocárdio, quando observado no ecocardiograma, fica com um formato semelhante ao de um takotsubo na sua forma aguda.

Por ser um importante diagnóstico diferencial de SCA e por sua prevalência estar crescendo devido à pandemia, resolvi escrever este texto explicando um pouco sobre esta doença.

Epidemiologia

Em 90% dos casos da cardiomiopatia de takotsubo, a doença acontece em mulheres na pós-menopausa (> 60 anos de idade). Existem teorias que defendem que o motivo dessa maior ocorrência nesta faixa etária é por causa de um suposto fator protetivo do estrogênio.

Além disso, 43% das pacientes têm hipertensão arterial sistêmica, 25% têm dislipidemia, 23% são tabagistas, 12% têm história familiar de doença cardíaca e 11% eram diabéticas. Outros estudos ainda mostram que, quanto à hipertensão, não são 43%, mas 76%!

Vale ressaltar também que a mortalidade segundo alguns estudos é de 3,2%.

Fisiopatologia

A fisiopatologia da cardiomiopatia de takotsubo ainda não está definida, sendo que atualmente há várias teorias, como um espasmo miocárdio vascular, devido a uma isquemia do miocárdio, e como também uma ação de catecolaminas. Hoje a teoria mais aceita é que as catecolaminas aparecem após um estresse físico ou emocional. Além disso, a quantidade de catecolaminas presentes são 2-3x maiores que a quantidade que aparece quando há um infarto agudo miocárdio com uma classe funcional correspondente.

Pelo fato de que a provável fisiopatologia seja em função de um estresse, fatores de risco prováveis são qualquer situação que possam causar um estresse na pessoa, como perda de dinheiro, divórcio e morte de pessoas próximas para os casos emocionais e cirurgias, acidente vascular cerebral e dor intensa para os casos de estresse físico.

Quadro clínico e diagnóstico

A clínica da síndrome do coração partido envolve principalmente dor precordial e dispneia, além de alterações eletrocardiográficas de isquemia e aumento de biomarcadores de necrose miocárdica, ou seja, é muito semelhante aos sinais e sintomas da síndrome coronariana aguda. Então, para realizar o diagnóstico correto, também precisamos de uma cineangiocoronariografia e ventriculografia esquerda, que mostrarão ausência de obstruções importantes nas coronárias e presença de acinesia ou discinesia apical ou da parte média do VE com hipercinesia basal do mesmo. Essas alterações são o motivo do balonamento apical ventricular que é observado no ecocardiograma e na ressonância nuclear magnética.

Eletrocardiograma mostrando supradesnivelamentos nas derivações precordiais. Podendo indicar síndrome coronariana aguda ou takotsubo. (https://litfl.com/tako-tsubo-cardiomyopathy-ecg-library/)

Portanto, vale ressaltar que, pela clínica, pelo ECG e pelos biomarcadores de necrose miocárdica, a diferenciação entre síndrome coronariana aguda e cardiomiopatia de takotsubo é impossível. Por isso que, para o diagnóstico, é importantíssimo solicitar a cineangiocoronariografia e a ventriculografia esquerda.

Tratamento

Devido a sua fisiopatologia incerta, o tratamento da síndrome do coração partido ainda é incerta. Também, este depende da severidade dos sintomas e se a pessoa está hipotensa ou tem sintomas de congestão pulmonar. Usualmente, o tratamento consiste num suporte hemodinâmico e em casos de edema pulmonar podemos utilizar oxigenoterapia, diuréticos e nitrato.  Já em casos de choque cardiogênico, é recomendado usar aminas vasoativas com parcimônia.

Outro ponto importante é que não se deve utilizar fibrinolíticos, pois, apesar de ser clinicamente muito parecido com um IAM, sua fisiopatologia é totalmente distinta.

O uso de alfa e beta bloqueadores, apesar de serem utilizados por muitos médicos, ainda precisa de estudos para comprovar seu benefício. Além disso, muitos utilizam beta bloqueadores para prevenir um novo caso da doença, mas isso também não tem muita evidência científica.

Em resumo, o tratamento da cardiomiopatia de takotsubo ainda é incerta e necessita muitos estudos para se estabelecer um tratamento definitivo.

Quanto ao prognóstico, estudos mostram que é bom e que sua recorrência é rara.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Hoekstra, BE; Reis, ESS; Ribeiro, Bruno; Costa, MAC. Doença de Takotsubo (Síndrome do Coração Partido): uma Doença Subdiagnosticada?. Rev. Bras Cardiol. 2014;27(5):327-332. Disponível em: http://www.onlineijcs.org/english/sumario/27/pdf/v27n5a06.pdf . Acesso em 04 de março de 2021.

Jabri A, et al. Incidence of Stress Cardiomyopathy During the Coronavirus Disease 2019 Pandemic. JAMA Netw Open. 2020;3(7):e2014780. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.14780

Reis, JGV; Rosas, G. Cardiomiopatia de Takotsubo: um diagnóstico diferencial da síndrome coronariana aguda: revisão da literatura. Revista Médica de Minas Gerais, volume 20.4. Disponível em: http://rmmg.org/artigo/detalhes/341 . Acesso em 04 de março de 2021.

Takotsubo cardiomyopathy (broken heart sydrome). Harvard Womens’s Health Watch. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/heart-health/takotsubo-cardiomyopathy-broken-heart-syndrome . Acesso em 07 de março de 2021.

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