Anúncio

Caso clínico: Síndrome de Wernicke-Korsakoff em paciente idosa com etilismo crônico

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Caso clínico Síndrome de Wernicke-Korsakoff – abordagem diagnóstica, manifestações neurológicas e estratégias de tratamento em pacientes com deficiência grave de tiamina.

A Síndrome de Wernicke-Korsakoff (SWK) representa uma condição neurológica grave associada ao déficit de tiamina (vitamina B1), frequentemente relacionada ao etilismo crônico. Embora classicamente descrita como duas entidades distintas — a encefalopatia de Wernicke e a psicose de Korsakoff —, ambas compõem um espectro da mesma doença, sendo a primeira fase aguda e reversível, enquanto a segunda é crônica e muitas vezes irreversível.

Caso clínico: paciente com quadro neurológico progressivo e etilismo crônico

Identificação e queixa principal

M.A.B.R., sexo feminino, 60 anos, branca, viúva, natural e residente em Salvador-BA, foi encaminhada ao serviço de emergência após uma queda em domicílio, com queixa de dor no punho esquerdo.

História pregressa

Segundo relato do irmão, a paciente apresenta quadro depressivo crônico há cerca de vinte anos, desencadeado pela perda do cônjuge. Desde então, houve um aumento significativo no consumo de álcool, que se tornou progressivo e diário. Além disso, ele relatou episódios frequentes de confusão mental, perda de memória e distorções de eventos passados, sugerindo amnésia retrógrada. Nos últimos dois anos, a paciente perdeu 18 kg, referindo hiporexia e padrão alimentar irregular.

Embora estivesse abstêmia no momento da queda, o irmão relatou sintomas como tontura, incoordenação motora e lentificação da marcha, além de dificuldade para realizar tarefas simples, como escrever ou lavar louça.

Caso clínico Síndrome de Wernicke-Korsakoff: exame físico

No exame clínico, observou-se uma paciente em mau estado geral, apática, embora alerta. Estava orientada no espaço, mas apresentava desorientação temporal. Assim, durante a anamnese, elaborava confabulações ao tentar explicar como ocorreu a queda.

Os principais achados incluíram:

  • Diplopia, nistagmo e estrabismo convergente bilateral
  • Ataxia de marcha
  • Amnésia retrógrada
  • Parestesias em membros inferiores
  • Hipotensão postural
  • Taquicardia (FC = 140 bpm)

Exames complementares não foram realizados imediatamente, mas a suspeita clínica foi fortemente sugestiva de encefalopatia de Wernicke, com provável progressão para psicose de Korsakoff.

O que é a Síndrome de Wernicke-Korsakoff?

A Síndrome de Wernicke-Korsakoff é composta por duas fases:

  • Encefalopatia de Wernicke (EW): fase aguda e reversível, com tríade clássica de confusão mental, ataxia e alterações oculomotoras (nistagmo, oftalmoplegia).
  • Psicose de Korsakoff: fase crônica, caracterizada por amnésia anterógrada, confabulação e deterioração cognitiva persistente.

Embora a tríade clássica esteja presente em apenas 10% dos pacientes, a presença de um ou mais sintomas neurológicos em paciente desnutrido ou etilista deve sempre levantar suspeita clínica.

Caso clínico Síndrome de Wernicke-Korsakoff: entendendo a fisiopatologia

A tiamina (vitamina B1) é um cofator essencial na produção de energia celular. Ela participa de reações importantes no ciclo de Krebs e na via das pentoses fosfato. Além disso, em sua ausência, ocorre acúmulo de ácido lático e estresse oxidativo, levando à morte neuronal.

As áreas mais afetadas incluem:

  • Corpo mamilar
  • Tálamo dorsomedial
  • Hipotálamo
  • Hipocampo
  • Cerebelo (vermis)

Essas regiões são altamente dependentes de metabolismo aeróbico e, portanto, sensíveis à deficiência de tiamina.

A deficiência de tiamina ocorre principalmente em:

  • Etilistas crônicos (maior causa)
  • Pacientes com desnutrição
  • Cirurgias bariátricas
  • Síndromes de má-absorção
  • Hiperalimentação parenteral sem suplementação vitamínica

Portanto, em qualquer cenário de hipovitaminose associado a alterações neurológicas, a hipótese de SWK deve ser considerada.

Manifestações clínicas

As manifestações podem variar, mas usualmente envolvem:

Encefalopatia de Wernicke

As manifestações clínicas da encefalopatia de Wernicke podem variar de paciente para paciente, mas, de modo geral, envolvem um conjunto clássico de sinais e sintomas neurológicos que indicam disfunção cerebral aguda. Essa condição é decorrente da deficiência de tiamina (vitamina B1), frequentemente associada ao alcoolismo crônico, desnutrição ou síndromes de má absorção.

Os principais sinais da encefalopatia de Wernicke incluem:

  • Confusão mental aguda: o paciente pode apresentar desorientação no tempo e no espaço, dificuldade de concentração, prejuízo da memória recente e alterações cognitivas importantes. Em alguns casos, a progressão pode levar à apatia e à dificuldade de interação com o ambiente
  • Ataxia: caracterizada por uma marcha instável, desequilíbrio postural e incoordenação motora, especialmente em membros inferiores. A ataxia pode dificultar a deambulação e aumentar o risco de quedas
  • Nistagmo e paralisia dos músculos oculares: o nistagmo é um movimento involuntário e repetitivo dos olhos, geralmente horizontal. Pode estar acompanhado por oftalmoplegia, com paralisia parcial ou total de músculos oculares, resultando em diplopia (visão dupla) ou estrabismo súbito
  • Hipotermia e hipotensão: devido à disfunção do sistema nervoso autônomo, o paciente pode apresentar temperatura corporal abaixo do normal e pressão arterial reduzida, sinais de gravidade que exigem monitoramento rigoroso
  • Apatia ou sonolência: em casos mais avançados, a resposta emocional do paciente pode estar diminuída, com rebaixamento progressivo do nível de consciência, podendo evoluir para coma se não houver intervenção precoce.

A identificação rápida desses sinais é essencial para evitar sequelas neurológicas permanentes.

Psicose de Korsakoff

  • Amnésia anterógrada (incapacidade de formar novas memórias)
  • Amnésia retrógrada (perda de memórias antigas)
  • Confabulação (criação de histórias falsas)
  • Preservação da linguagem e inteligência geral
  • Comportamento desinibido em alguns casos

Esses sintomas podem surgir de forma insidiosa, especialmente quando a EW não é tratada precocemente. Por isso, a transição entre as fases pode passar despercebida.

Diagnóstico

O diagnóstico da Síndrome de Wernicke-Korsakoff é principalmente clínico. Não existem exames laboratoriais específicos para o déficit de tiamina em tempo real. No entanto, exames complementares ajudam na exclusão de outras causas.

Caso clínico Síndrome de Wernicke-Korsakoff: critérios clínicos úteis

  • Presença de 2 dos 4 critérios de Caine:
    1. Dieta pobre em tiamina
    2. Alteração oculomotora
    3. Ataxia cerebelar
    4. Distúrbio de confusão ou prejuízo de memória

Caso clínico Síndrome de Wernicke-Korsakoff: exames complementares possíveis

  • RM de crânio: pode mostrar lesões nos corpos mamilares e tálamo, mas não é essencial para iniciar o tratamento
  • Dosagem de tiamina: não é amplamente disponível em serviços de urgência
  • Exames laboratoriais gerais: para avaliar disfunções hepáticas, desnutrição, ou déficits eletrolíticos.

Dessa forma, dado o risco de progressão irreversível, o tratamento com tiamina deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar exames.

Tratamento

O tratamento da SWK é uma urgência médica. A reposição de tiamina deve ser iniciada antes da glicose, pois a glicose sem tiamina pode agravar o quadro neurológico.

Esquema recomendado:

  • Tiamina 500 mg EV 3 vezes ao dia por 2 a 3 dias, seguido de 250 mg por 5 dias.
  • Após estabilização, transição para tiamina VO (100 mg/dia).
  • Suporte nutricional e abstinência alcoólica completa.
  • Correção de distúrbios hidroeletrolíticos.

Com o tratamento adequado, os sintomas da encefalopatia de Wernicke podem regredir em poucos dias. Entretanto, a psicose de Korsakoff raramente é revertida, mesmo após tratamento agressivo.

Prognóstico e prevenção

A mortalidade da encefalopatia de Wernicke não tratada pode chegar a 20%. Além disso, cerca de 80% dos pacientes evoluem para a forma crônica da síndrome, com comprometimento cognitivo irreversível.

A melhor forma de prevenção é a identificação precoce dos grupos de risco e a suplementação profilática de tiamina em situações críticas, como:

  • Internações por etilismo
  • Desnutrição grave
  • Cirurgias gastrointestinais
  • Terapia parenteral prolongada

Portanto, o reconhecimento clínico rápido e o tratamento precoce são fundamentais para evitar sequelas neurológicas permanentes.

Quer dominar Neurologia de forma prática e didática?

No SanarFlix, você estuda com videoaulas objetivas, mapas mentais e questões comentadas por especialistas. Assim, p SanarFlix é ideal para quem está na graduação ou se preparando para a residência!

Referência bibliográfica

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀