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Síndrome de Jod-Basedow: os efeitos do iodo | Colunistas

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 Já se perguntaram quais os efeitos do iodo (popularmente conhecido como sal de cozinha) no corpo humano, onde sua prevalência se torna cada vez mais marcante na sociedade de hoje em dia marcado pela presença de fast-food e deliverys, levando a índices cada vez mais altos de doenças na tireoide, como doenças de graves, adenomas na tireoide ou até então ao efeito de Jod-Basedow ?

 O Iodo foi descoberto em 1811, por Bernard Courtois (químico francês) em cinzas de algas marinhas. Courtois, filho de um fabricante de Saltpetre (componente essencial para produção de pólvora, feito a partir de leitos de nitre franceses + carbonato de sódio), durante as guerras napoleônicas observou que, ao isolar carbonato de sódio, a partir da combustão de algas marinhas e os resíduos sendo misturados a ácido sulfúrico, formava uma nuvem de vapor roxo e pequenas formações cristalinas escuras. Suspeitando estar diante de um novo elemento químico, mas não continuando a pesquisa devido à falta de financiamento.

 Sendo identificado somente em 6 de dezembro de 1813, por Gay-Lussac, como um novo elemento, nomeando de iodo devido ao seu vapor roxo igual ao iodo dos gregos clássicos. E em 10 de dezembro, sendo identificado como um novo elemento por Humphry Davy também, mas com aspectos semelhantes ao cloro.

 O iodo é um elemento essencial à vida, sendo necessário para sintetizar  os hormônios da tireoide como a tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). Deve haver uma ingestão moderada diariamente, de acordo com as recomendações do Instituto de Medicina dos Estados Unidos são entre 110 e 130 μg para bebês até 12 meses, 90 μg para crianças de até oito anos, 130 μg para crianças de até 13 anos, 150 μg para adultos, 220 μg para gestantes e 290 μg para lactação. Após programas de implantação de fortificação de iodo por países, casos de hipertireoidismo foram se tornando cada vez mais comuns em pessoas maiores de 40 anos de idade devido a suplementação de iodo no organismo, levando ao surgimento de casos do fenômeno de Jod-Basedow em pacientes que apresentavam doenças na tireoide a longo prazo

Síndrome de Jod-Basedow

 A síndrome de Jod-Basedow, conhecida devida a ocorrência da super ativação de toda glândula tireoide sendo induzida pela ingestão de iodo, em pacientes com doença da tireoide  subjacente a longo prazo, é uma doença tireotóxica. Isso significa que os níveis de hormonas da tireoide no paciente são altos ocasionando toxicidade.

 Sendo comumente produzido como consequência a uma exposição excessiva de iodo, por ingestão de medicamentos como a amiodarona (antiarrítmico de classe III e potente vasodilatador, aumentando a irrigação do coração pelos vasos coronários e prolongando os intervalos QRS no ECG), pela exposição a certas substâncias de contraste usadas em exames de imagens, pelo emprego de anti sépticos tópicos ou pela ingesta de suplementos alimentares.

Fisiopatologia

 Este fenômeno é, portanto, hipertireoidismo induzido por iodo. Ocorre devido a super ativação de toda a glândula tireoide, tipicamente em pacientes com doença de Graves, goiter endêmico ou multinodular tóxico e também a vários tipo de adenoma da tireoide ao receber iodo, podendo se desenvolver entre 2 a 12 semanas após a ingestão ou administração do iodo.

 Ao contrário do efeito Wolff-Chaikoff, que se refere à supressão em um curto período dos hormônios da tireoide tanto em pessoas normais e com doenças da tireoide, o efeito de Jod-Basedow só acomete pessoas com alguma doença na tireoide a longo prazo.

Cuidados

  1. É aconselhável medir os níveis de hormônio estimulante da tireoide (TSH) em pacientes mais velhos que estão passando por (ou submetidos a) sucessivos testes de imagem usando materiais de contraste à base de iodo para minimizar problemas com o tratamento do hipertireoidismo em sua forma mais avançada.
  1. Fibrilação atrial (um tipo de arritmia cardíaca) é uma complicação que tem sido observada em pessoas mais velhas. Nesses casos, o uso de lítio é uma possibilidade, pois este medicamento afeta a secreção dos hormônios da tireoide.
  1. Por outro lado, também é possível que pessoas que não apresentaram alterações prévias nos níveis hormonais da tireoide reajam desenvolvendo hipertireoidismo por exposição excessiva ao iodo.

Diagnóstico

 O diagnóstico de Jod-Basedow é semelhante ao diagnóstico de hipertireoidismo. Sendo de essência a obtenção de um  histórico clínico acompanhando a sintomatologia do paciente após a submeter a exposição do paciente ao ICM. Os testes laboratoriais do paciente  poderão apresentar um aumento no nível hormonal de T3 e T4 e uma redução no TSH, sendo que o nível de iodeto na urina do paciente poderá ser até três vezes o valor normal. Ademais  sempre  realizar testes hormonais da tireoide no paciente para acompanhar qualquer alteração no funcionamento da tireoide.

Prognóstico

 O Jod-Basedow é geralmente favorável com a maioria dos pacientes, retornando ao seu estado de tireoide a um nível aceitável para funcionamento normal da tireoide. Contudo, alguns pacientes poderão sofrer sequelas permanentes, incluindo hipertireoidismo permanente e fibrilação atrial.

Conclusão

 A síndrome de Jod-Basedow tem cada vez mais deixado de ser uma doença rara e se tornando uma doença comum na sociedade atual, por meio de programas de fortificação de iodo em países e também por meio de ingestão ou administração de iodo cada vez mais como uma forma preventiva de doença na tireoide. Ocasionando assim o surgimento de doenças na tireoide, devido à suplementação excessiva de iodo, como o hipertireoidismo. No entanto, pacientes que submetem a tratamentos podem apresentar uma melhora significativa na alteração hormonal ocasionado pela síndrome de Jod-Basedow, podendo voltar até à normalidade.

 Contudo existem certos cuidados que a equipe médica deve se submeter ao encontrar um paciente que apresentar Jod-Basedow, sendo que sempre deve se submeter a um tratamento que envolve a  profilaxia, ao invés de tratar o caso isolado de hipertireoidismo por iodo induzido, devido a casos de pacientes que apresentarem uma gestação durante o tratamento e que podem acabar apresentando uma exposição excessiva de iodo no útero, devido a capacidade do iodo de atravessar a barreira placentária, ocasionando o surgimento de  hipertireoidismo fetal e surgimento de goiter no feto.

Autor:JULIO ANTÔNIO ARISTEU MIRANDA

Instragram:@julioantonio_m

Referências:

Excesso de iodo pode causar hipotireoidismo na  prole:https://exame.com/tecnologia/excesso-de-iodo-pode-causar-hipotireoidismo-na-prole/

Wolff-Chaikoff Effect vs. Jod-Basedow Phenomenon:https://medicinespecifics.com/wolff-chaikoff-effect-vs-jod-basedow-phenomenon/

Jod-Basedow(orJod-Coindet) https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM197301112880216

Tratamiento De Pacientes Con Enfermedad De Graves Basedow Con Iodo-131:http://scielo.iics.una.py/pdf/anales/v38n1-2/v38n1-2a05.pdf

Thyrotoxicosis Out of the Blue: Jod-Basedow Phenomenon:  https://journal.chestnet.org/article/S0012-3692(17)31924-4/pdf

Iodine-induced hyperthyroidism (Jod-Basedow phenomenon) in the elderly: https://www.researchgate.net/publication/286955418_Iodine-induced_hyperthyroidism_Jod-Basedow_phenomenon_in_the_elderly

Hipertiroidismo inducido por yodo tópico: https://www.elsevier.es/es-revista-endocrinologia-nutricion-12-articulo-hipertiroidismo-inducido-por-yodo-topico-S1575092215001734

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