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Síndrome de Guillain-Barré e COVID-19: há alguma correlação?

Síndrome de Guillain-Barré e COVID-19: há alguma correlação?

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Logo no início da pandemia, alguns relatos sugeriram que poderia haver uma correlação entre a Síndrome de Guillain-Barré e COVID-19. Para sanar esta dúvida, pesquisadores do Reino Unido conduziram três estudos diferentes buscando elucidar se a associação era causal ou apenas incidental. 

Vamos neste post falar um pouco sobre cada um dos estudos, bem como discutir os resultados e conclusões que podemos tirar de cada um deles. 

Estudo epidemiológico nacional retrospectivo

O primeiro estudo buscou, nas bases de dados nacionais, os dados epidemiológicos sobre soroprevalência da COVID-19 e da Síndrome de Guillain-Barré durante os meses iniciais da pandemia. 

Os resultados mostraram que houve menos casos de Síndrome de Guillain-Barré nos meses de Março, Abril e Maio no ano de 2020, em comparação com os mesmos meses nos anos de 2016 a 2019. 

As incidências da Síndrome de Guillain-Barré e da COVID-19 variaram de acordo com a região, mas não tiveram nenhuma associação temporal numa mesma localidade. 

A taxa estimada da Síndrome de Guillain-Barré foi de 1,6 casos a cada 100,000 casos de COVID-19, compatível com taxas observadas na população geral no Reino Unido, Europa e América do Norte antes da pandemia. 

Estudo do tipo coorte prospectiva

Em segundo lugar, os pesquisadores estudaram a possível associação entre as duas doenças por meio de um estudo do tipo coorte prospectiva. Foram estudadas as características clínicas de pacientes com Síndrome de Guillain-Barré, com e sem COVID-19, durante um período de 3 meses. 

Foram identificados 47 pacientes com a síndrome. Destes, 13 possuíam teste de RT-PCR confirmatório para COVID-19, 12 com diagnóstico de provável COVID-19 baseado em critérios clínicos, e 22 deles não estavam com COVID-19. 

Os pacientes com Síndrome de Guillain-Barré e com COVID-19, confirmada ou provável, eram totalmente indiferenciáveis daqueles sem COVID-19, nos critérios de apresentação clínica, características do líquor e achados eletrofisiológicos, bem como na pontuação da escala de incapacidade após 4 semanas. 

Análise de homologia genômica e proteômica

Por fim, ao pesquisar a homologia do SARS-CoV-2 com o genoma humano, não foram encontradas semelhanças genômicas.

Uma única semelhança foi verificada entre uma proteína envolvida na replicação viral e uma proteína humana envolvida na modificação de histonas durante o dano ao DNA, com 32% de semelhança encontrada. 

Conclusões

Conforme elucidado nos 3 estudos realizados, em primeiro lugar, a incidência da Síndrome de Guillain-Barré decaiu nos mesmos meses da pandemia, quando comparado aos anos anteriores.

Os autores ressaltam que as medidas de lockdown podem ter contribuído para diminuir a incidência da Síndrome de Guillain-Barré, comumente associada e disparada após infecções. 

A ausência de diferenças clínicas e a escassa similaridade genômica, falam contra a associação causal entre a Síndrome de Guillain-Barré e a COVID-19. 

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Referências

Guillain-Barré Syndrome and COVID-19: Causation or Coincidence – NEJM

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