Até a década de 80, “fragilidade” raramente era um termo usado para se referir a uma característica do envelhecimento humano. Hoje se sabe que a população dita “frágil” constitui 20% da população total de idosos, mas o que é fragilidade?
Existem vários modelos para explicar a chamada Síndrome de Fragilidade e o mais popular se pauta na redução da reserva funcional envolvendo múltiplos sistemas orgânicos. Nesse modelo, a fragilidade seria o estado de aumento de vulnerabilidade fisiológica do indivíduo associada à idade cronológica, prevendo apresentação heterogênea que não necessariamente se definem enquanto doenças, o que permite portadores de fragilidades sem doenças que ameaçam à vida.
A vulnerabilidade fisiológica desses indivíduos promovem maior risco de eventos adversos, como dependência, incapacidade, lesões, quedas, doenças agudas, lenta recuperação, maiores taxas de hospitalização, institucionalização de longa permanência e mortalidade elevada.
Portanto, o entendimento de que se trata de uma síndrome biológica de reserva funcional reduzida e diminuição de resistência aos estressores, resultante de um declínio cumulativo de múltiplos sistemas fisiológicos e causando vulnerabilidade a desfechos adversos.
Entre os acometimentos podemos citar a perda cumulativa de massa muscular que gera perda de força muscular, fraqueza, fadiga e diminuição da capacidade de realizar tarefas do cotidiano. Além disso, a sarcopenia gera diminuição da taxa metabólica, alteração da termorregulação, eixo da insulina e regulação de hormônios anabólicos. No sistema imune podemos observar comprometimento das imunidades celular e humoral, gerando aumento de vulnerabilidade à infecções e redução da capacidade de resposta às demandas, além de mecanismos de inflamação generalizados com elevação de citocinas inflamatórias.
A fragilidade física deve ser diferenciada da fraqueza física que pode ser prevenida e tratada com exercícios, suplementação, vitamina D, redução de polifarmácia e rastreios que permitem a identificação precoce para intervenção. Já a incapacidade é definida como a limitação física ou cognitiva, como a dependência para mobilidade e realização de atividades básicas. Idosos nessas condições constituem grupo de risco para a síndrome de fragilidade quando comparados a outros idosos que não apresentam os mesmos problemas funcionais.

Outro marcador indicativo de fragilidade é a presença de múltiplas doenças crônicas por aumentar a associação a desfechos negativos, porém não pode, por si só, identificar indivíduos frágeis.
Para a Clinical Fraity Scale, todos os déficits potenciais presentes no indivíduo (sinais, sintomas, condições geriátricas, alterações laboratoriais, incapacidades) devem ser listados e somados, sendo o somatório em diferentes condições de saúde e distintos níveis (clínico, fisiológico, funcional) o preditor de mortalidade. O resultado da perda de reserva agregada em múltiplos sistemas conduziria então a um declínio global, gerando a uma espiral negativa de declínio.
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A fragilidade secundária é decorrente de doenças latentes ou não tratadas e pode conduzir a um estado catabólico. Devemos portanto rastear comorbidades que permitem tratamento, como ICC, doenças de tireoide, diabetes, tuberculose, infecções crônicas, câncer, doenças inflamatórias, depressão, demência, luto. Na avaliação é importante rastrear os fatores que podem exacerbar a vulnerabilidade, como terapia medicamentosa inadequadas, polifarmácia, hospitalizações, cirurgias e outras intervenções com potencial efeito iatrogênico.
Na fragilidade primária o objetivo do tratamento deve ser o estabelecer medidas de intervenção de suporte precoce para prevenir a perda de massa muscular, melhorar força e energia para controlar fatores que podem desencadear ou acelerar as manifestações, como baixa atividade e inadequação nutricional. Quando indicado considerar atividade física regular e suplementação nutricional.
Finalmente, para abordar fragilidade é preciso entender que é um fenômeno clínico que apesar de fortemente associado à idade, não é uma condição uniforme no envelhecimento. É uma condição progressiva e o quadro irreversível, porém há possibilidade de prevenção e tratamento dos sintomas e visando desaceleração das manifestações se identificadas precocemente, permitindo medidas adaptativas. A prevenção, diagnóstico e intervenções acompanham a atual compreensão sobre fragilidade e novos estudos sobre a temática são necessários visando a qualidade de vida de pessoas idosas.
Perguntas frequentes:
1 – O que é a Síndrome de Fragilidade?
Síndrome biológica de reserva funcional reduzida e diminuição de resistência aos estressores.
2 – O que causa Fragilidade secundária?
Doenças latentes ou não tratadas que podem conduzir a um estado catabólico.
3 – Como é feito do tratamento da Fragilidade?
Prevenção, diagnóstico precoce e intervenções nas comorbidades predisponentes de fragilidade.
Referências
Manual Prático de Geriatria. E.V.; Mohallem, K.L.; Gamarski, R.; Pereira, S. R.M. 2ª. ed. Grupo Editorial Nacional (GEN), 2017.
Tratado de Geriatria e Gerontologia. Freitas, E.V.; Py, L.; Neri, A. L.; Cançado, F. A. X.C.; Gorzoni, M.L.; Doll, J. 4ª. Edição. Grupo Editorial Nacional (GEN), 2016.
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