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Síndrome de Fanconi: etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e mais

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Síndrome de Fanconi: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

A Síndrome de Fanconi (SF) é uma doença rara e complexa que afeta a capacidade dos túbulos renais de reabsorver substâncias essenciais para o corpo, levando a uma série de problemas metabólicos e de saúde.

Dessa forma, sua prevalência exata é difícil de determinar devido à variação nas causas subjacentes e à subnotificação dos casos. No entanto, algumas formas hereditárias da doença, como a cistinose, têm uma incidência mais bem documentada. Por exemplo, cistinose afeta aproximadamente 1 em cada 100.000 a 200.000 nascidos vivos em todo o mundo.

O que é a Síndrome de Fanconi?

A Síndrome de Fanconi (SF) caracteriza-se pela disfunção generalizada dos túbulos proximais renais, resultando em um comprometimento na reabsorção de solutos.

Esta condição ocorre devido a uma acidose tubular renal (ATR) provocada por um defeito na reabsorção de bicarbonato. Pode-se classificar a ATR como distal ou proximal, mas na SF, ela ocorre especificamente na região proximal e está frequentemente associada a defeitos na função tubular que prejudicam a reabsorção de solutos.

Devido a reabsorção prejudicada, ocorre a perda excessiva de substâncias como:

  • Glicose
  • Aminoácidos
  • Bicarbonato
  • Fosfatos
  • Outros eletrólitos na urina.

Isso leva a uma série de complicações, incluindo acidoses metabólicas, problemas de crescimento e deformidades ósseas.

Etiologia da Síndrome de Fanconi

A SF pode ser causada por fatores hereditários ou adquiridos. As causas hereditárias incluem doenças genéticas.

Cistinose

A cistinose é uma doença genética rara que causa o acúmulo anormal de cistina dentro das células, levando a danos em vários órgãos e tecidos. Esta condição afeta principalmente os rins e os olhos, mas também pode impactar outros sistemas do corpo ao longo do tempo.

Essa doença tem como causa as mutações no gene CTNS, responsável por codificar uma proteína chamada cistinosina. Assim, a cistinosina é necessária para transportar a cistina, um aminoácido, para fora dos lisossomos (os compartimentos de reciclagem dentro das células). Quando essa proteína não funciona corretamente, a cistina se acumula dentro dos lisossomos, formando cristais que danificam as células.

Apesar da cistinose e a Síndrome de Fanconi (SF) serem condições distintas, elas estão interligadas devido à forma como a cistinose afeta os rins, levando frequentemente ao desenvolvimento da Síndrome de Fanconi.

Doença de Wilson

Causada por mutações no gene ATP7B, que é responsável pela codificação de uma proteína transportadora de cobre no fígado. Esta proteína ajuda a remover o cobre extra do corpo, excretando-o na bile.

Assim, quando o gene ATP7B é defeituoso, o cobre não é adequadamente eliminado, acumulando-se no fígado e, posteriormente, em outros órgãos.

Galactosemia

Galactosemia é uma condição genética autossômica recessiva, o que significa que uma criança precisa herdar duas cópias defeituosas do gene, uma de cada pai, para desenvolver a doença. As mutações nos genes GALT, GALK ou GALE são responsáveis pelas formas clássica, de deficiência de galactocinase e de deficiência de UDP-galactose-4-epimerase da doença, respectivamente.

Assim, há uma deficiência para metabolizar a galactose, um açúcar presente no leite e em outros alimentos. Se não tratada, a galactosemia pode levar a complicações graves, incluindo problemas hepáticos, neurológicos e oculares.

Fisiopatologia

Os túbulos proximais renais são responsáveis pela reabsorção de cerca de 60-70% do ultrafiltrado glomerular, incluindo a maior parte dos solutos e da água. Eles desempenham um papel essencial na manutenção da homeostase eletrolítica e do equilíbrio ácido-base.

Assim, os túbulos proximais reabsorvem solutos através de diversos transportadores e mecanismos de cotransporte na membrana apical (lúmen) e basolateral (sangue) das células tubulares. Dessa forma, a Síndrome de Fanconi, há uma falha na função dos túbulos proximais, o que leva à perda de substâncias que normalmente seriam reabsorvidas.

Os principais mecanismos de perda de solutos são:

  • Glicosúria renal: devido à falha nos transportadores de glicose SGLT2 e SGLT1
  • Aminoacidúria: resultante da disfunção dos cotransportadores de aminoácidos
  • Fosfatúria: devido à falha dos transportadores de fosfato NPT2a e NPT2c
  • Acidose tubular proximal: resultante da falha na reabsorção de bicarbonato, levando à acidose metabólica hiperclorêmica.

Manifestações clínicas da Síndrome de Fanconi

As manifestações clínicas da SF podem variar amplamente, mas geralmente envolvem problemas renais, ósseos e metabólicos.

Manifestações renais

A glicosúria é caracterizada pela excreção de glicose na urina devido à incapacidade dos túbulos renais de reabsorver a glicose filtrada. Além disso, a aminoacidúria, que envolve a perda de aminoácidos na urina, pode levar a deficiências nutricionais e, consequentemente, possível desnutrição.

Outra manifestação é a fosfatúria, que resulta na eliminação excessiva de fosfato na urina, levando à hipofosfatemia e, potencialmente, ao desenvolvimento de raquitismo ou osteomalácia. Além disso, a acidose tubular renal é observada devido à incapacidade dos túbulos renais de acidificar a urina adequadamente, o que resulta em acidose metabólica. Essas diversas manifestações refletem a complexidade da Síndrome de Fanconi e sua impacto em diferentes sistemas do organismo.

Ósseas

Devido à hipofosfatemia crônica, o raquitismo pode se desenvolver em crianças em crescimento, resultando em deformidades ósseas. Em adultos, a osteomalácia, uma forma de enfraquecimento ósseo, pode ocorrer devido à deficiência de fosfato.

Essa condição, juntamente com a fragilidade óssea aumentada devido à perda de fosfato, pode aumentar significativamente o risco de fraturas ósseas.

Manifestações metabólicas

Alguns sintomas comuns são:

  • Desidratação e desequilíbrios eletrolíticos: devido à perda excessiva de água e eletrólitos pela urina
  • Desnutrição e atraso no crescimento: como resultado da perda de nutrientes essenciais, como glicose e aminoácidos, e da acidose metabólica
  • Proteinúria e hipoproteinemia: perda de proteínas na urina, o que pode levar a edema e diminuição da pressão osmótica do plasma.

Diagnóstico da Síndrome de Faconi

O diagnóstico da Síndrome de Fanconi (SF) é geralmente realizado por meio de uma combinação de exames clínicos, testes laboratoriais e, em alguns casos, testes genéticos. Os médicos começam a investigação suspeitando da SF com base nos sintomas clínicos apresentados pelo paciente, como glicosúria, acidose metabólica, hipofosfatemia e desequilíbrios eletrolíticos.

Os testes laboratoriais são fundamentais para confirmar o diagnóstico e incluem a análise da urina para identificar a presença de glicosúria, aminoacidúria, fosfatúria e acidose tubular renal. Além disso, deve-se realizar exames de sangue para avaliar os níveis de eletrólitos, como potássio, fósforo e bicarbonato, bem como para identificar possíveis anormalidades nos rins.

Em alguns casos, pode-se realizar biópsias renais para avaliar a estrutura e função dos túbulos renais. Além disso, pode-se realizar testes genéticos para identificar mutações nos genes associados à SF, especialmente em casos de suspeita de formas hereditárias da doença.

Tratamento

A Síndrome de Fanconi, embora não tenha cura, pode ser gerenciada eficazmente com o tratamento adequado. Este tratamento visa controlar a progressão das lesões ósseas e renais, e em alguns casos, até mesmo corrigi-las. Para neutralizar o aumento da acidez sanguínea (acidose), pode-se administrar o bicarbonato de sódio.

Além disso, suplementos de potássio por via oral podem ser necessários para aqueles com baixos níveis desse eletrólito no sangue. O tratamento da doença óssea envolve a administração de fosfatos e suplementos de vitamina D, geralmente por via oral.

Assim, em casos de insuficiência renal grave, o transplante renal pode ser uma opção vital, especialmente em crianças. No entanto, se a causa subjacente da síndrome for a cistinose, mesmo após o transplante renal, a progressão da lesão pode continuar em outros órgãos, potencialmente resultando em complicações graves e até mesmo em óbito.

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Referências bibliográficas

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