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Síndrome de cockayne: você conhece? | Colunistas

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Descrita primeiramente pelo pediatra britânico Edward Alfred Cockayne (1939), após observação de duas irmãs, filhas de um casal sem quaisquer tipos de consanguinidade, com nanismo, hipotrofia e surdez, sua prevalência ainda é desconhecida (estimada em 1:200.000), porém, sabe-se que não há predileção racial, tampouco entre os sexos.

Conceito de síndrome cockayne

Caracterizada por ser um Distúrbio Autossômico Recessivo Raro. A Síndrome de Cockayne (SC) é decorrente de mutações genéticas sobre os genes responsáveis por codificar as proteínas envolvidas no reparo do DNA e nas envolvidas no mecanismo de Transcrição, ocasionando prejuízos no desenvolvimento e progressiva disfunção neurológica.

Alterações Bioquímicas

A SC é um Distúrbio Autossômico Recessivo Raro no qual predominam defeitos no reparo do DNA, resultando em sensibilidade celular aos raios ultravioletas (UV). É válido ressaltar que tal síndrome não se associa ao Câncer de Pele, apesar de tal vulnerabilidade à radiação UV.

São dois os genes defeituosos na Síndrome de Cockayne: SCA e SCB. Ao menos 10 mutações foram catalogadas, entretanto:

  • para o SCA a principal variação é no Excision Repair Cross Complementing Grupo 8 (ERCC8);
  • o SCB as alterações são no ERCC Grupo 6 (ERCC6).

Esses encontram-se responsáveis por codificar proteínas que regem o reparo do DNA e o mecanismo transcricional.

Classificação de síndrome de cockayne

Baseia-se na gravidade e na idade de inícios dos sintomas, sendo dividida em:

Tipo I – Clássica

É a forma mais comumente encontrada, definida por fenótipo sem alterações ao nascer, com manifestação precoce dos sintomas na infância, geralmente no segundo ano de vida.

Tipo II – Congênita

Consiste no espectro mais grave da doença, com início ainda mais precoce que na Forma Clássica, usualmente no primeiro ano de vida. Resulta em menor expectativa de vida para os indivíduos acometidos, estima-se em torno de 7 anos.

Historicamente recebeu outros nomes, como: Síndrome Cerebro-óculo-facio-esquelético (COFS) e Síndrome de Pena-Shokeir.

Tipo III

Considerada a versão mais branda da SC, apresenta início tardio e sintomas com evolução moderada.

Quadro Clínico da síndrome de cockayne

A gravidez pode cursar sem alterações obstétricas: gestação e parto sem particularidades, peso ao nascer normal. Com o passar da idade, a depender do subtipo, os sintomas se apresentam com alterações neurológicas, oculares, dermatológicas e odontológicas evoluindo com deterioração progressiva.

É habitual o aparecimento de dermatite por fotossensibilidade aos 6 meses de idade, sendo uma das primeiras manifestações da doença. O fenótipo consiste em característico aspecto do rosto com nariz em “Bico de Papagaio” e dermatite seborreica na face em forma de “asa de borboleta”.

Deformidades neurológicas

Deformidades neurológicas são significativas, podendo apresentar: microcefalia, retardo mental, retinite pigmentosa, atrofia óptica e sinais de comprometimento do neurônio motor superior e do cerebelo de progressão lenta. Além disso, retardo de crescimento com nanismo e cifose.

Tais alterações resultam em deterioração progressiva do estado geral do indivíduo portador, evoluindo com cegueira, surdez, complicações infecciosas na adolescência e, não raro, deficiências energético-proteicas suscitando morte por inanição entre a segunda e a terceira décadas de vida.

Fonte: Guardiola et al (1999)

Diagnóstico da Síndrome de Cockayne

O diagnóstico é baseado nos achados clínicos característicos da SC, dentre eles: retardo de crescimento pós-natal, disfunção neurológica progressiva, fotossensibilidade dérmica, alterações oculares e odontológicas.

Pelo fato de a doença apresentar caráter progressivo, com o passar do tempo torna-se mais fácil o diagnóstico clínico devido aparecimento de outros sinais e sintomas característicos.

Além disso, a história familiar positiva com parentes afetados faz-se ferramenta útil para a investigação.

Exames Complementares

Exames laboratoriais podem ser utilizados para a exclusão de demais patologias e a confirmação devida do diagnóstico. À radiografia encontra-se: Espessamento de Calota Craniana, Alargamento Ventricular, Calcificações Intracranianas e nos Núcleos da Base, Anormalidades no Corpo Vertebral e na Pelve.

Os exames genéticos são os mais úteis para a confirmação etiológica, sendo o Ensaio de Reparo de DNA (realizado em fibroblastos cutâneos) o mais fidedigno. Adicionalmente, pode-se realizar o Sequenciamento Completo dos Genes ERCC8 e ERCC6.

Diagnósticos Diferenciais

O diagnóstico diferencial depende do espectro de sintomas apresentados pelo paciente, mas, geralmente, baseia-se em Anormalidades Congênitas de Face, de Membros, Cardíacas, Neurológicas, Hematológicas e de Cânceres em geral.

Erros no crescimento são comuns em Distúrbios Genéticos, Metabólicos, Endócrinos e Gastrointestinais, contudo, são afastados, geralmente, por causa do fenótipo associado à Síndrome de Cockayne.

Para o acometimento cutâneo faz-se imperativa a de investigação de Xeroderma Pigmentoso, Síndrome de Bloom e Síndrome de Hutchinson-Gilford, por exemplo. As alterações radiográficas são características de infecções congênitas (TORCHS), devendo-se afastar tais agravos. 

Manejo e Tratamento

O acolhimento ao indivíduo suspeito para Síndrome de Cockayne inclui avaliação dos órgãos mais acometidos (Sistema Nervoso Central, Olhos e Pele) e avaliação da história familiar. Devem ser realizados testes para verificar as mais variadas disfunções orgânicas no paciente.

O manejo é sintomático por meio de medidas de suporte, não havendo restrições dietéticas, tampouco tratamento farmacológico ou hormonal definidos. Deve haver reposição caso haja substâncias em deficiência quantitativa. A exposição massiva à luz solar é desaconselhada, orientando-se o uso de protetores solares e óculos escuros.

O acompanhamento com equipe multiprofissional (Nutricionistas, Terapeutas Ocupacionais, Odontólogos, Pediatras, Oftalmologistas, etc.) deve ser periódico, visando a vigilância de possíveis complicações tratáveis. A assistência fisioterápica faz-se de suma importância. Ademais, a socialização de tais crianças é ponto importante do manejo, incentivando-as a frequentar a escola e a desenvolver atividades de vida social.

Deve-se realizar investigação precoce e aconselhamento genético em famílias com casos diagnosticados.

Autor

Rafael Nôvo Guerreiro – Universidade Federal do Pará (UFPA)


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Sugestão de leitura

Referências

Cockayne EA. Dwarfism with retinal atrophy and deafness. Arch Drs Childs 1936;11:1-8.

Correa PFL. Síndrome de Cockayne: revisão de literatura. Disponível em: https://rescceafi.com.br/vol1/77-94.pdf

Guardiola A. Síndrome de Cockayne. Relato de Casos. Arq. Neuro-Psiquiatr. 57 (1) Mar 1999. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1999000100021

Guimarães CEP. Relato de Caso Clínico – Síndrome de Cockayne. Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. 2017 Jan./Abr;21(1):70-80.

Moosy J. The neuropathology of Cockayne’s syndrome. J Neuropathol Exp Neurol 1967;26:654-660.

Nance MA, Berry AS. Cockayne syndrome: review of 140 cases. Am J Med Genet 1992;42:68-84.

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