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Síndrome conversiva, dissociativa e seus diagnósticos diferenciais | Colunistas

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Dentro da psiquiatria algumas síndromes necessitam de muito domínio do examinador no que diz respeito a sua identificação. Exemplo disso são as síndromes dissociativas, conversivas e seus muito diagnósticos diferenciais que distinguem uma da outra em sutilezas que precisam de atenção. Com base nisso, esse artigo tem por fim ilustrar as principais diferenças entre essas síndromes com o objetivo de propagar um diagnóstico e intervenção mais assertivos.   

Síndrome Conversiva 

A síndrome conversiva é entendida como a perda / alteração de alguma função motora ou sensorial que se assemelha com a presença de uma causa neurológica sendo responsável pelo quadro. Entretanto, a partir de uma história clínica e exame físico bem detalhados, acompanhado do suporte de exames complementares pertinentes, não é possível encontrar alterações objetivas que justifiquem o quadro apresentado pelo paciente e, portanto, ausência de neuropatia. 

Os sintomas costumam surgir e desaparecer de forma súbita, geralmente após algum episódio de estresse psicossocial e pode ser dividido em alterações da psicomotricidade e da sensopercepção.

Alterações psicomotoras

  • Movimentos anormais
  • Perda da capacidade de ficar em pé e de andar
  • Fraqueza muscular
  • Acinesias
  • Tremores
  • Pseudoconvulsões

Alterações sensoperceptivas 

  • Anestesia de membros
  • Surdez 
  • Cegueira 
  • Hiperestesia 
  • Alucinações negativas

Importante salientar que, apesar de não haver desordem neurológica, os sintomas vividos pelo paciente são tidos como reais e, portanto, não se tratam de fingimento ou simulação, diferentemente de outras síndromes que serão vistas posteriormente. 

Entretanto, o paciente em quadro conversivo pode parecer apresentar atitude teatral e exibicionista, algumas literaturas acreditam que o aspecto central da crise seja a sugestionabilidade patológica. Está presente no transtorno de conversão, o que corresponde a histeria de conversão. 

Síndrome Dissociativa

A síndrome dissociativa acontece quando há uma falha na integração dos elementos e funções mentais e suas alterações envolvem, basicamente, a consciência e a memória. Nos transtornos dissociativos as manifestações são reproduções psicossomáticas e tanto a motivação, quanto a produção dos sintomas são inconscientes e involuntárias. Assim como a síndrome conversiva, costuma surgir após a vivência de um evento estressor. 

Esses pacientes podem cursar com estreitamento da consciência, ou seja, o indivíduo perde, em alguma proporção, a capacidade de noção da gravidade dos seus atos, assemelhando-se ao estado de transe. Essa é uma característica bastante comum dos estados crepusculares e é possível observar rigidez da atenção, pseudoalucinações, desorientação alopsíquica e ecmnésia. 

Alguns pacientes na vigência de uma síndrome dissociativa podem viver a chamada possessão (paciente se sente dominado por um espírito / entidade) e, a partir de então, apresentar alterações da consciência do próprio eu. Outros, por sua vez, podem apresentar a fuga dissociativa: paciente surge em um local distante do qual vive e lá assume outra identidade, esquecendo da anterior. Existe, ainda, o transtorno dissociativo de identidade em que várias personalidades distintas podem controlar as funções mentais e comportamentais do indivíduo, com os sintomas variáveis de acordo com a personalidade (e.x: personalidade infantil, paciente pode alterar a linguagem com a pedolalia).

A alteração da memória anteriormente citada difere daquela presente na demência e na síndrome amnéstica, uma vez que seu início, assim como seus outros sintomas, se iniciam de forma abrupta e o paciente tem a capacidade de reconhece-la. 

Importante lembrar que a síndrome dissociativa, por se tratar de um conjunto de sinais e sintomas, não se restringe apenas aos transtornos dissociativos, podendo estar presente em alguns casos de pacientes portadores do transtorno de personalidade borderline. 

Transtorno Factício 

No transtorno factício, tal qual a síndrome dissociativa, também há uma angustia decorrente de conflitos psíquicos. Entretanto, neste transtorno os sintomas são reproduzidos de forma voluntária, ainda que a motivação seja inconsciente. Nesse caso, o objetivo da ação são os cuidados médicos e, em algumas situações, ganhar atenção. 

Os sintomas geralmente são representados por queixas criadas pelo indivíduo e/ou produção de sinais clínicos que podem ser feitos através do consumo oral ou injetável de substâncias e lesões autoprovocadas. Pode, ainda, ser dividido em alguns tipos:

  1. Sinais/sintomas predominantemente psicológicos 
  2. Sinais/sintomas predominantemente físicos
  3. Sinais/sintomas mistos (psicológicos e físicos)

É preciso desconfiar que se trate de um transtorno factício na vigência de um quadro atípico e dramático que não condiz com condição clínica ou psiquiátrica identificável, presença de sintomas somente quando o paciente está sendo observado e, deve-se ligar o alerta, naqueles pacientes que apresentam conhecimento extenso sobre sintomas e patologia que diz possuir. Atentar, também, para aqueles que de forma bastante rápida muda de sintomatologia e refere ter uma nova patologia quando a prévia se mostra negativa. 

Em algumas literaturas o transtorno factício é chamado, também, de Síndrome de Münchhausen.  

Simulação

Nessa entidade, tanto a motivação quanto a produção dos sintomas acontecem de forma consciente e voluntária. De modo geral, existe sempre um objetivo a partir do qual o indivíduo irá ganhar algum benefício com essa conduta: aposentadoria, dispensa do alistamento militar, indenizações, dentre outros. Por se tratar de um ato consciente e voluntário, não é encarado como um transtorno mental. 

É preciso ter um alto grau de suspeição nos pacientes sabidamente portadores de transtorno de personalidade antissocial, discrepância entre os achados e o sofrimento relatado, contexto médico legal e falta de cooperação durante a avaliação e tratamento prescrito. Apesar de bastante comum nos pacientes com transtorno de personalidade, na maioria dos casos trata-se, puramente, de oportunismo. 

Pode ser dividida em três subtipos:

  1. Simulação pura: fingimento de um transtorno que não existe
  2. Simulação parcial: exagero consciente nos sintomas referidos 
  3. Falsa imputação: atribuição errada de sintomas a determinada causa por engano inconsciente ou má interpretação da situação 

O examinador deve estar muito atento para existência ou não da simulação, uma vez que há prejuízo tanto para o paciente que é erroneamente identificado como simulador, quanto para aquele que de fato o é e não foi reconhecido. 

Como dito anteriormente, os dois principais diagnósticos diferenciais a serem pensados diante de um paciente cuja queixa não condiz com os achados objetivos são o transtorno factício ou dissociativo.   

Tabela 1 – Quadro comparativo entre as síndromes conversiva e dissociativa, o transtorno factício e a simulação. Fonte: próprio autor

ConversivaDissociativaFactícioSimulação
OrigemInconscienteInconscienteInconscienteConsciente
Reprodução dos SintomasNão simulaInvoluntáriaVoluntáriaVoluntária
Motivação ExternaNão temNão temCuidados médicos em siBenefício externo
Sinais e SintomasAlteração de motricidade e sensopercepçãoAlteração da consciência e da memóriaQueixas inventadas e sinais reproduzidosVariável

Autora: Lara Brito

Instagram: @britolara 


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

  • CHENIAUX, Elie. Manual de Psicopatologia. In: [s.l.: s.n.], 2015, p. 40–51.
  • NEGRO JUNIOR, Paulo Jacomo; PALLADINO-NEGRO, Paula; LOUZÃ, Mario Rodrigues. Dissociação e transtornos dissociativos: modelos teóricos. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 21, n. 4, p. 239–248, 1999. Disponível em: .

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