O sinal de Kluge é a presença da coloração violácea/arroxeada da mucosa vaginal e colo uterino, pelo aumento do fluxo sanguíneo na região, utilizado como parte dos sinais semiológicos para diagnóstico de gravidez.
FISIOLOGIA
Para fins acadêmicos, o diagnóstico da gravidez é dividido em três etapas: clínico, laboratorial, ultrassonográfico. O diagnóstico clínico se baseia em sinais semiológicos de presunção, sinais de probabilidade e sinais de certeza. Dentre os sinais de presunção, temos, amenorreia (sinal mais precoce), náuseas, congestão mamária (mamas congestas e doloridas), polaciúria, por exemplo. Já dentre os sinais de probabilidade temos alguns sinais semiológicos da gravidez, como o sinal de Kluge. E, dentre os sinais de certeza, temos a percepção e palpação dos movimentos ativos do feto, palpação dos segmentos fetais, ausculta e identificação dos batimentos fetais.
O sinal de Kluge ocorre por que a vulva e a vagina tumefazem-se e têm sua coloração alterada. Ele está presente após a oitava semana de gestação e deve ser avaliado junto com o sinal de Jacquemier ou Chadwick. Isso ocorre devido ao aumento da vascularização local e à própria embebição gravídica.

Fonte: https://ftp.medicina.ufmg.br/gob/2014/AssitenciaOB_17_07_2014.pdf
OUTROS SINAIS SEMIOLÓGICOS DA GRAVIDEZ
Outros sinais que ocorrem, causando alterações dos genitais externos e indicando probabilidade de gravidez, são:
- Sinal de Jacquemier/Chadwick: coloração violácea da região da vulva, mucosa vulvar e meato urinário;
- Sinal de Osiander: percepção do pulso arterial nos fundos de saco laterais e posterior da vagina, durante o toque vaginal;
- Sinal de Hartman: sangramento vaginal discreto;
- Sinal de Hegar: amolecimento do istmo uterino (segmento estreito entre o colo e o corpo uterino). Pode ser percebido a partir da oitava semana de gestação através do toque vaginal;
- Sinal de Goodell: amolecimento do colo do útero e da vagina;
- Sinal de Piskacek: assimetria do útero durante o início da gestação. Isso ocorre por que o útero começa o seu desenvolvimento na região de implantação do embrião;
- Sinal de Nobile-Budin: abaulamento do útero ao toque do fundo de saco vaginal;
- Sinal de Hunter: aumento da pigmentação dos mamilos, tornando seus limites imprecisos.
Além disso, há um sinal que indica certeza de gestação, o sinal de Puzos, um sinal do rechaço fetal intrauterino, ao impulsionar o feto com os dedos do avaliador, ao toque vaginal.

Fonte: https://www.goconqr.com/en/p/5308424?dont_count=true&frame=true&fs=true
DIAGNÓSTICO CLÍNICO DA GRAVIDEZ
O diagnóstico clínico da gravidez se baseia na presença de alguns sintomas, como amenorréia (atraso menstrual maior que 10 dias), alterações cutâneas pigmentares (cloasma gravídico, linha negra, sinal de Halban), alterações cutâneas de pilificação (hipertricose), alterações cutâneas atróficas (estrias gravídicas), sinais semiológicos, como dito anteriormente, e alterações mamárias, a exemplo de:
- Aumento da sensibilidade álgica;
- Rede de Haller: aumento da circulação venosa, acarretando na formação de uma rede visível sob a pele da mama;
- Tubérculos de Montgomery: as glândulas de Montgomery situadas nas auréolas dos seios aumentam em número e tamanho, tornando-se mais salientes;
- Hiperpigmentação dos mamilos.

Fonte: http://ellagestante.blogspot.com/2015/03/descobrindo-se-gravida.html
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA GRAVIDEZ
Já o diagnóstico laboratorial é feito através da quantificação de um hormônio glicoproteico, chamado de gonadotrofina coriônica humana (hCG), cuja função é manter o corpo lúteo secretando progesterona até que ocorra a formação da placenta, por volta da oitava semana. Esse hormônio possui duas subunidades: alfa (comum ao LH, FSH, TSH) e beta. A subunidade alfa pode oferecer risco de reação falso-positivo em casos de tumores produtores de LH, climatério ou uso de psicotrópicos. No caso da subunidade beta, tem grande sensibilidade na dosagem plasmática e serve para estimativa da idade gestacional.
O material utilizado para dosagem do hormônio pode ser no sangue (detecção mais precoce, por volta de 8 dias após a fecundação) ou na urina (faz detecção mais tardia e apresenta níveis menores).
Os níveis desse hormônio costumam dobrar no sangue a cada 1 a 2 dias durante as primeiras semanas, sendo que um aumento menor que 60% a cada 2 dias é considerado anormal.

Fonte: https://ftp.medicina.ufmg.br/gob/2014/AssitenciaOB_17_07_2014.pdf
Fonte: https://ftp.medicina.ufmg.br/gob/2014/AssitenciaOB_17_07_2014.pdf
DIAGNÓSTICO ULTRASSONOGRÁFICO DA GRAVIDEZ
O diagnóstico também pode ser realizado através do exame de ultrassonografia (US), sendo que a visualização é mais precoce e de melhor qualidade pela via endovaginal quando comparada ao US abdominal.
O exame de US pode ser utilizado para medir a idade gestacional, sendo mais precisa entre a 6ª e 12ª semana através da realização do parâmetro “comprimento cabeça-nádega”. Sendo que, a partir da 13ª semana, ocorre queda progressiva na acurácia do exame para estimar a idade gestacional e utiliza-se do parâmetro “comprimento fêmur-diâmetro biparietal”.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS:
https://ftp.medicina.ufmg.br/gob/2014/AssitenciaOB_17_07_2014.pdf
http://www.unisalesiano.edu.br/salaEstudo/materiais/p187969d7638/material9.pdf