Este
texto visa explicar o que é o sinal de Blumberg, como é realizado e sua
importância no diagnóstico da apendicite aguda. Também serão explicados os
pontos principais da apendicite aguda, de grande importância na vida do clínico
e cirurgião, e que devem ser bem estudados e conhecidos pelos acadêmicos de
Medicina.
O que é o sinal de Blumberg?
O sinal
de Blumberg é um sinal semiológico caracterizado por dor à descompressão brusca
da parede abdominal no ponto apendicular, mais conhecido como ponto de
McBurney.
Este
sinal é feito inicialmente comprimindo de forma lenta o ponto apendicular, que
se localiza no terço externo de uma linha imaginária entre a espinha ilíaca
anterossuperior e a cicatriz umbilical, como observado na imagem a seguir.
O que o sinal de Blumberg sugere?
Sempre
que obtiver um sinal de Blumberg positivo, você deve pensar na hipótese
diagnóstica de apendicite aguda, especialmente quando há sinais de reação
peritoneal.
Desta
forma, é imprescindível a realização deste sinal semiológico na avaliação
clínica do paciente, especialmente quando a história clínica obtida é compatível
com o quadro de apendicite aguda, um tipo de abdome agudo inflamatório que
exige diagnóstico e tratamento rápidos.
Apendicite aguda
A
apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo inflamatório e também a
responsável pela maior parte das emergências cirúrgicas abdominais, que,
infelizmente, ainda é causa de muitas mortes no Brasil e no mundo.
Ela pode
ocorrer em qualquer idade, porém é mais prevalente em adolescentes e adultos
jovens e também mais prevalente no sexo masculino.
Sua
fisiopatologia inicia-se com a obstrução da luz do órgão por fecálito, corpo
estranho, aderência ou tumor, o que leva a um acúmulo de secreção e aumento da
pressão intraluminal, gerando dor visceral, que é difusa. Com a progressão da
inflamação até a serosa, a dor se torna parietal, sendo mais localizada.
Se a
pressão intraluminal continuar a aumentar, pode haver complicações decorrentes
de isquemia e perfuração, gerando quadro de abscesso e peritonite, sendo que pacientes
com sintomas por mais de 48h possuem mais chances de perfuração, o que mostra a
necessidade do diagnóstico e tratamento rápidos.
Manifestações clínicas da apendicite aguda
Inicialmente,
há dor difusa em cólica, principalmente em região mesogástrica, que, após 12 a
24 h, migra para a fossa ilíaca direita, se tornando mais localizada.
Associado
à dor, pode haver náuseas, vômitos e anorexia, além de outros sintomas
inespecíficos, como dispepsia, alteração do hábito intestinal, diarreia e
mal-estar generalizado.
Exame físico na apendicite aguda
Você deve
iniciar com a ectoscopia, verificando o estado geral do paciente, não
esquecendo dos dados vitais, e também realizar o exame abdominal completo, com
a inspeção, ausculta, percussão e palpação.
Durante o
exame físico, o paciente relata dor à palpação, que pode ser no ponto de McBurney
ou mesmo difusamente, e devem ser realizadas as manobras para verificar a
presença ou não de sinais que deem dicas diagnósticas, entre eles o sinal de
Blumberg, o mais importante para a apendicite aguda. Além deste, outros sinais podem
estar presentes, como o sinal do psoas, sinal do obturador e sinal de Rovsing.
Diagnóstico da apendicite aguda
O
diagnóstico é clínico, baseado na anamnese e exame físico, e os exames complementares,
como a ultrassonografia e tomografia computadorizada, são realizados em casos
de dúvidas no diagnóstico ou para excluir os diagnósticos diferenciais, que são
colecistite, doença inflamatória pélvica, hepatite, hérnia inguinal, entre outros.
Também
pode ser aplicada a Escala de Alvarado, que ajuda a classificar o paciente e
avaliar se é necessário a realização de exames complementares. Essa escala leva
em consideração a dor que migra para a fossa ilíaca direita, a presença de
anorexia, náuseas e vômitos, a dor à palpação na fossa ilíaca direita, o sinal
de Blumberg, febre e leucocitose.
Abaixo,
pode ser visualizada a Escala Modificada de Alvarado, cuja interpretação pode
ser melhor visualizada na
dica de cirurgia geral da SanarMed:

Tratamento da apendicite aguda
O
tratamento da apendicite aguda é cirúrgico, por meio da apendicectomia, e o
ideal é que a cirurgia seja feita em até 12 horas, para evitar complicações.
Conclusão
A
apendicite aguda é uma doença muito prevalente e que pode gerar sérias
complicações aos pacientes, que podem ser evitadas caso seja feito um diagnóstico
e tratamento rápido, o que demanda boa avaliação clínica.
Assim, é de extrema importância que você, acadêmico de Medicina, a conheça e saiba avaliá-la, utilizando a semiologia como aliada na busca do diagnóstico adequado.
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