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Sinais de gravidez e os epônimos: para sedimentar de vez | Colunistas

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Durante
a gestação, ocorrem modificações locais do organismo materno no sistema
reprodutor, e também sistêmicas, principalmente no sistema cardiovascular.
Agora o enfoque é nas modificações locais dos órgãos genitais, as quais ocorrem
mais precocemente na evolução da gestação. Apesar de serem lógicas, são muito
cobradas pelos epônimos e não podemos confundi-los. Então, vamos para as
modificações do organismo materno na gestação focando nos seus epônimos,
principalmente.

Quanto
às alterações cutâneas, temos comumente o aparecimento de estrias,
hiperpigmentação da pele e sinal de Halban. Lembrando que as alterações cutâneas
e mamárias descritas abaixo são sinais
de presunção
da gravidez.

Cutâneas

  • As estrias
    gravídicas são a grande queixa estética das gestantes. As estrias acontecem por
    mudanças no tecido conjuntivo, pela diminuição da elastina e miofibrilas;
  • A linha nigra é a
    principal mudança pelo aumento de pigmentação na gravidez, que é o
    escurecimento dos pelos da sínfise púbica ao processo xifoide;
  • O melasma (cloasma
    ou máscara gravídica) ocorre em mais de 75% das gestantes e ocorre principalmente
    no rosto. O mesmo acontece em mulheres que utilizam contraceptivos orais.
    Geralmente desaparecem um ano após o parto;
  • O sinal de Halban
    é a formação de pelos e lanugem na face pela ação hormonal.

Mamárias

Quanto
às alterações mamárias, temos o sinal de Hunter, tubérculos de Montgomery e
rede venosa de Haller:

  • A pele ao redor
    da aréola escurece e torna os limites imprecisos, sendo até chamada de aréola
    secundária. Esse é o sinal de Hunter;
  • Os tubérculos de
    Montgomery são as glândulas sebáceas das aréolas que hipertrofiam;
  • A rede venosa de
    Haller surge pelo aumento da circulação venosa mamária, que se torna mais
    evidente à inspeção.

Agora
é a vez de alguns epônimos nos sinais de
probabilidade
da gravidez, com muitos sinais e com muitos epônimos:

  • Sinal de Hartman:
    sangramento vaginal discreto pela implantação do óvulo na cavidade uterina após
    a concepção;
  • Sinal de Hegar:
    istmo do útero com consistência amolecida ao toque vaginal;
  • Sinal de Goodell:
    amolecimento do colo uterino ao toque vaginal;
  • Aumento do volume
    uterino: ao nível da sínfise púbica com 12 semanas e da cicatriz umbilical com
    20 semanas;
  • Sinal de
    Osiander: percepção da pulsação arterial no fundo de saco arterial ao toque
    vaginal;
  • Sinal de
    Piskacek: abaulamento da região onde houve implantação ovular, ou seja, o útero
    fica assimétrico pela nidação;
  • Sinal de Nobile-Budin:
    abaulamento do útero gravídico ao toque do fundo de saco vaginal;
  • Sinal de
    Jacquemier ou Chadwick: se refere à distensão venosa da vulva, pelo aumento do
    fluxo sanguíneo;
  • Sinal de Kluge:
    coloração violácea da vagina, pelo mesmo motivo acima.
  • Varicoses em
    safena, em vulva e hemorroidária: tem como causa o aumento do volume sanguíneo
    e da pressão venosa pelo aumento do útero, mas também de predisposição
    genética.

Finalmente,
os sinais de certeza da gestação:

  • Sinal de Puzos
    (único epônimo desses sinais finais): o sinal do rechaço fetal intrauterino,
    também ao toque vaginal, no fundo de saco anterior;
  • Ausculta dos
    batimentos cardiofetais: a partir de 12 semanas, com o sonar-doppler, ou a
    partir de 18-20 semanas com o estetoscópio de Pinard;
  • Percepção de
    movimentos ou partes fetais PELO MÉDICO.

Agora,
sim, esses foram os sinais precoces da gestação e os principais sinais
conhecidos e pedidos. Sempre bom ter à mão quando surgir a dúvida durante a
realização de questões ou na véspera da prova.

Informações
adicionais

As
manobras de Leopold-Zweifel
são o exame físico na palpação obstétrica. Cada tempo, que são quatro, visa
identificar as relações útero-fetais, que são:

  1. Primeiro
    tempo: posicionar-se ao lado direito da paciente e delimitar o fundo uterino
    com as duas mãos. Esse tempo visa determinar a situação fetal, se o feto está em posição longitudinal, transversa
    ou oblíqua. Na posição longitudinal, por exemplo, é possível sentir o polo
    cefálico ou o polo pélvico, dependendo da consistência e da continuidade da
    “massa” sentida;
  2. Segundo
    tempo: após delimitar o fundo uterino e determinar a situação fetal, as mãos
    são deslizadas em direção ao polo inferior e é feita a identificação do lado em
    que está o dorso fetal, determina a
    posição fetal
    – dorso à esquerda, dorso à direito, dorso anterior ou dorso
    posterior. Dica: onde o dorso está é o melhor local para ausculta dos
    batimentos cardíacos fetais;
  3. Terceiro
    tempo: com as mãos no polo inferior, determinar a apresentação fetal, se é cefálica, pélvica ou córmica (de ombro). A
    mobilidade fetal também é vista no
    terceiro tempo. Quanto mais alta a apresentação fetal, mais móvel, ou seja,
    mais consigo movimentar o polo fetal de um lado ao outro; se mais baixa, menos
    móvel;
  4. Quarto
    tempo: nesse tempo, o examinador fica de costas para a paciente e palpa a
    porção inferior do útero, exercendo pressão contra a pelve, determinando o grau de insinuação e penetração no
    estreito superior pélvico.

Lembrando
também que, com 12 semanas, é possível palpar o útero na sínfise púbica; com 16
semanas, entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical; e, com 20 semanas, ao
nível da cicatriz umbilical. Outra dica é que, entre 20 a 32 semanas, a altura
uterina acompanha a idade gestacional.


Julia Maria Machinski


Instagram: @juliammachinski

– Médica recém formada pela PUCPR.

Confira o vídeo:

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