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Sialodenite: entenda a inflamação das glândulas salivares e como tratar

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A sialodenite é uma condição inflamatória das glândulas salivares, frequentemente negligenciada no contexto ambulatorial, mas que pode evoluir com complicações significativas caso não seja adequadamente diagnosticada e tratada. Esta inflamação pode afetar qualquer glândula salivar, mas ocorre com maior frequência na glândula parótida e na submandibular.

Embora seja comum em idosos e pacientes com comorbidades, também pode acometer indivíduos jovens em situações específicas, como desidratação ou má higiene bucal.

Anatomia e fisiologia das glândulas salivares

Antes de abordar os aspectos clínicos da sialodenite, é essencial compreender a anatomia das glândulas salivares. O sistema glandular salivar é composto por três pares de glândulas principais:

  • Parótidas
  • Submandibulares
  • E sublinguais.
Fonte: UNIFAL, 2025.

Além de inúmeras glândulas menores espalhadas pela mucosa oral. A função principal dessas glândulas é produzir e secretar saliva, que possui papel fundamental na digestão, lubrificação oral e defesa imunológica local.

A glândula parótida, a maior dentre elas, secreta saliva serosa rica em enzimas. Já as glândulas submandibulares e sublinguais produzem uma secreção mista (serosa e mucosa), sendo importantes na hidratação contínua da mucosa oral. Qualquer alteração no fluxo salivar pode predispor à estase e infecção, como ocorre na sialodenite.

Etiologia da sialodenite

A sialodenite pode ser classificada em aguda, crônica ou recorrente, sendo sua etiologia diversa. De maneira geral, a inflamação resulta da obstrução do ducto salivar, infecção bacteriana secundária ou infecções virais, além de causas autoimunes ou idiopáticas.

Principais causas:

  • Bacteriana: a forma mais comum é a sialodenite bacteriana aguda, geralmente causada por Staphylococcus aureus, mas também por Streptococcus viridans, anaeróbios ou bactérias gram-negativas em imunossuprimidos. A estase salivar, provocada por desidratação ou obstrução ductal (por exemplo, cálculo salivar), favorece a proliferação bacteriana
  • Viral: infecções por vírus como o da caxumba (Paramyxovirus), citomegalovírus e influenza também são causas importantes, especialmente em populações pediátricas ou imunossuprimidas
  • Obstrutiva: a sialolitíase é uma das principais causas de sialodenite recorrente, especialmente da glândula submandibular, que possui saliva mais espessa e ducto mais tortuoso
  • Autoimune: doenças como a síndrome de Sjögren e lúpus eritematoso sistêmico podem cursar com inflamação crônica das glândulas salivares, geralmente de padrão bilateral e progressivo
  • Iatrogênica: radioterapia de cabeça e pescoço, uso de anticolinérgicos ou antidepressivos tricíclicos podem reduzir o fluxo salivar e predispor à inflamação glandular.

Quadro clínico da sialodenite

O sintoma cardinal da sialodenite é o aumento doloroso da glândula afetada, geralmente unilateral, acompanhado de eritema local e, em casos mais graves, febre e secreção purulenta expressa no óstio ductal.

Nos casos agudos, o início é súbito e doloroso, com edema, calor e hiperemia. Frequentemente, há piora da dor durante as refeições, momento em que a secreção salivar é estimulada, mas encontra resistência à passagem pelo ducto inflamado ou obstruído.

Já nas formas crônicas, o paciente pode relatar episódios recorrentes de dor e edema, frequentemente desencadeados por estímulo alimentar, com períodos intercalados de remissão. Em alguns casos, observa-se fibrose glandular e atrofia progressiva.

Fonte: DUSEK, L. 2025.

Diagnóstico da sialodenite

O diagnóstico da sialodenite é clínico na maioria dos casos, com base em anamnese e exame físico detalhados. Contudo, exames complementares são úteis para confirmação diagnóstica e identificação da causa subjacente.

Exames de imagem

  • Ultrassonografia: é o exame inicial de escolha por ser não invasivo, acessível e eficaz na detecção de cálculos, abscessos ou aumento glandular difuso. Permite, ainda, a diferenciação entre sialolitíase e tumor. Na imagem abaixo é possível visualizar a glândula levemente aumentada e parece hipoecoica, com ecoestrutura não homogênea e hipervascularização moderada na US com Doppler colorido.
Fonte: DUSEK, L. 2025.
  • Tomografia computadorizada (TC): indicada quando há suspeita de abscesso profundo, falha terapêutica ou disseminação da infecção para espaços cervicais profundos
  • Ressonância magnética (RM): mais sensível para avaliação de doenças inflamatórias crônicas e infiltrações neoplásicas
  • Sialografia: raramente utilizada atualmente, mas pode ter papel em casos selecionados de sialolitíase recorrente ou anomalias ductais.

Exames laboratoriais

A análise laboratorial é essencial na investigação de processos infecciosos. O hemograma, por exemplo, pode revelar leucocitose, o que geralmente indica uma resposta inflamatória aguda, comumente associada a infecções bacterianas. Já os exames sorológicos têm maior utilidade na identificação de infecções virais e doenças autoimunes, permitindo o rastreio de anticorpos específicos e contribuindo para o diagnóstico diferencial.

Além disso, quando há presença de secreção purulenta, a realização da cultura do material colhido é uma ferramenta valiosa. Esse exame microbiológico possibilita a identificação do agente etiológico e, mais importante, auxilia na seleção do antibiótico mais eficaz, com base no perfil de sensibilidade, tornando a terapêutica mais precisa e reduzindo o risco de resistência bacteriana.

Tratamento da sialodenite

O tratamento da sialodenite varia conforme a etiologia, o grau de gravidade e a presença de complicações. De modo geral, as medidas terapêuticas incluem:

Terapia antibiótica

Nos casos bacterianos agudos, a antibioticoterapia empírica deve cobrir Staphylococcus aureus e anaeróbios. Amoxicilina com clavulanato ou clindamicina são opções iniciais. Em pacientes alérgicos à penicilina, pode-se considerar doxiciclina ou uma fluoroquinolona.

A duração do tratamento costuma ser de 7 a 10 dias, com reavaliação clínica precoce para garantir a resposta ao tratamento. Em casos graves, com sinais sistêmicos ou risco de disseminação, a internação hospitalar e antibioticoterapia venosa são indicadas.

Medidas de suporte

  • Hidratação adequada: fundamental para promover o fluxo salivar e reduzir a estase
  • Massagem glandular e sialogogos: estímulo mecânico e gustativo (como balas cítricas) pode ajudar na drenagem do conteúdo purulento
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: alívio da dor e controle da inflamação local
  • Compressas mornas: auxiliam no alívio dos sintomas e na drenagem espontânea.

Tratamento cirúrgico

Nos casos de abscesso, a drenagem cirúrgica deve ser prontamente indicada. Além disso, pacientes com sialolitíase recorrente ou refratária podem necessitar de remoção do cálculo via abordagem intraoral ou mesmo excisão da glândula comprometida.

Para doenças inflamatórias crônicas ou autoimunes, a ressecção glandular pode ser considerada em casos sintomáticos refratários ao tratamento clínico.

Sialodenite crônica e autoimune

A sialodenite crônica representa um desafio terapêutico. Muitas vezes associada à obstrução parcial, infecções recorrentes ou doenças autoimunes, essa forma requer abordagem multidisciplinar. O uso de corticosteroides tópicos ou sistêmicos pode ser indicado em casos de inflamação autoimune, embora os riscos da terapia imunossupressora devam ser cuidadosamente ponderados.

Além disso, a síndrome de Sjögren deve ser considerada sempre que houver xerostomia associada à sialodenite crônica bilateral. Assim, o diagnóstico exige critérios clínicos, sorológicos e histopatológicos, e o acompanhamento com reumatologista é essencial.

Complicações possíveis

Quando não tratada adequadamente, a sialodenite pode evoluir com complicações importantes, tais como:

  • Formação de abscesso com necessidade de drenagem
  • Celulite cervicofacial
  • Disseminação para espaços profundos do pescoço
  • Sepse
  • Fibrose glandular e perda funcional da glândula.

Portanto, a intervenção precoce e a identificação da causa subjacente são fundamentais para evitar desfechos desfavoráveis.

Prognóstico e prevenção

O prognóstico da sialodenite aguda é geralmente bom quando tratada de forma adequada. Por outro lado, nas formas crônicas ou autoimunes, o controle dos sintomas pode ser mais difícil e exigir acompanhamento prolongado.

Entre as estratégias preventivas, destacam-se:

  • Hidratação regular, especialmente em idosos
  • Manutenção da higiene oral adequada
  • Evitar o uso prolongado de medicamentos anticolinérgicos quando possível
  • Controle de doenças de base, como diabetes mellitus.

Além disso, pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço devem receber acompanhamento odontológico e orientações específicas para a preservação do fluxo salivar.

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Referências bibliográficas

  • JOHNSON, J. T.; BRANSTETTER, B. F. Approach to salivary gland swelling. UpToDate. WOLTERS KLUWER, 2024. Disponível em UpToDate. Acesso em: 6 jul. 2025.
  • CIBULA, D.; GOMPEL, A.; MUECK, A. O.; LA VECCHIA, C.; HANNAFORD, P. C.; SKOUBY, S. O.; ZIKAN, M.; DUSEK, L. Hormonal contraception and risk of cancer. Human Reproduction Update, Oxford, v. 16, n. 6, p. 631–650, nov./dez. 2010. doi: 10.1093/humupd/dmq022.

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