Origem das contrações de Braxton Hicks
Essas contrações, também conhecidas pelo nome de “contrações de treinamento”, foram notadas pela primeira vez no século XIX, em 1872, pelo médico inglês Braxton Hicks.

Fonte: Wikipedia – Braxton Hicks
O QUE ELAS SÃO?
Como o próprio nome sugere, são contrações uterinas que podem ser percebidas a partir da 6ª semana de gestação, não havendo uma data ao certo para serem notadas, e comumente podem não ser sentidas até o segundo ou terceiro trimestre da gravidez. Podem receber tanto os nomes já citados como também o nome de contrações falsas. Sim, falsas, devido ao fato de simularem o momento do parto.
Como é mesmo o útero?
O útero é um órgão muscular de paredes espessas, localizado na pelve, o perfil muscular é concêntrico, o que ajuda a entender o padrão das contrações bem distribuídas nessa porção do trato genital feminino.
Posteriormente a ele, temos o espaço uterovesical e a bexiga e, anteriormente, o reto e a escavação retouterina (fundo de saco), formando alguns dos limites desse órgão. É válido lembrar, também, o quão móvel ele é, tendo uma variação de localização conforme a bexiga e o reto se distendem. Lateralmente, existem ligamentos para ajudar na sua fixação, os chamados “ligamentos largos”, finalizando a descrição dos limites desse órgão dentro da cavidade peritoneal.

Fonte: Anatomia – Gray’s. 40°Ed. Figura 77-10. Pg. 1316

Fonte: Anatomia – Gray’s. 40°Ed. Figura 77-10. Pg. 1316
O que desencadeia as contrações de Braxton Hicks?
As contrações são causadas, como já mencionado, quando as fibras musculares do útero contraem e relaxam, e o motivo disso ocorrer é desconhecido. O que se sabe é que elas tendem a aparecer em momentos ativos da futura mamãe, como durante a atividade sexual ou em atividades físicas, também sendo comum durante momentos de desidratação. Observe que sua aparição não exclui a necessidade de continuar se exercitando durante esse período de sua vida, sendo ainda mais necessário manter-se saudável.
Acredita-se que elas estão relacionadas com um papel de preparação, por isso o nome de contrações de treinamento, já que nesse caso seriam um processo natural de tonificação do músculo uterino, tanto para suas futuras contrações reais quanto para uma melhor oxigenação da placenta, fazendo o sangue fluir de forma mais fácil para a placa coriônica no lado fetal.
Não é à toa que um aspecto comum que desencadeia essas contrações é em momentos de estresse para o feto, onde seria desviado mais sangue na tentativa deste receber mais oxigênio.

Fonte: https://bit.ly/2JbUPx5
A dor é igual à do parto?
Quem nunca viu uma série ou filme em que esse nome aparece, com certeza não é um cinéfilo! As contrações de Braxton Hicks são muito famosas, sobretudo, no ramo de séries de comédia para criar aquela “ansiedade” envolvendo a gravidez.

Fonte: Google Imagens
Essas contrações parecem, mas não são! Vamos compará-las um pouco, chamando de contrações de Braxton-Hicks pela sigla CBH e contrações do parto de CP:
- QUANDO INICIAM:
- CBH – A partir da 6ª semana, sendo mais evidentes a partir da 13ª ou 28ª semana, mas é imprevisível o momento exato em que irão se iniciar;
- CP – Espera-se que a partir da gravidez a termo, ou seja, por volta da 37ª até 42ª semana.
- QUANTO À INTENSIDADE DA DOR:
- CBH – Fracas. Algumas mulheres nem a classificam como dor, mas sim como uma “sensação de desconforto” ou “leve aperto” na região do hipogástrio;
- CP – Bem mais fortes.
- QUANTO AO CARÁTER DA DOR:
- CBH – Irregulares, recomenda-se marcar o tempo das contrações para verificar sua frequência; além disso, não são gradativamente mais intensas e inclusive tendem a ficar mais fracas com o tempo;
- CP – Rítmicas e tendem a ficar mais fortes e frequentes, conforme o andamento do parto.
- QUANTO AO TEMPO DE DURAÇÃO DAS CONTRAÇÕES:
- CBH – Cada duração dura entre 30 segundos e 2 minutos, sendo mais comuns durante a tarde ou noite;
- CP – Nos estágios iniciais, geralmente ocorrem em intervalos de 15 a 20 minutos e duram entre 30 e menos de 90 segundos, tornando-se mais longas com o passar do tempo.
- TODAS AS MÃES VÃO SENTI-LAS?
- CBH – SIM;
- CP – SIM.
- ESSAS CONTRAÇÕES DILATAM O ÚTERO?
- CBH – NÃO! Observe que a dilatação é a primeira fase do parto, logo seu útero não irá dilatar durante as CBHs, o que pode acontecer é ter um leve amolecimento cervical;
- CP – SIM! A duração do processo não deve durar mais que 12 e 7 horas para primíparas e nulíparas, respectivamente.
Apesar de podermos considerar as contrações como uma porção normal do parto, elas não geram nenhum prejuízo para a mãe ou o bebê. As mães devem entrar em contato imediato com um especialista em casos como:
- Presença de sangramento vaginal;
- Presença de secreção vaginal intensa ou incomum;
- Contrações ficando mais regulares, sobretudo, se no início da gravidez;
- Mudança da posição do feto, sendo sentido como um “maior desconforto”.
- Vômitos e/ou náuseas.
Nesses casos, pode estar acontecendo algum problema durante a gravidez, devendo ser investigada por meio de um exame obstétrico!
Alguns diagnósticos que podem simular uma contração de Braxton Hicks são: dor abdominal (dor nos ligamentos redondos, constipação etc.), distensão abdominal (níveis elevados de progesterona podem gerar gases), cisto ovariano, mioma uterino e um descolamento prematuro da placenta (nesse caso, a dor é mais intensa e constante).
Como tratá-las?
Não há tratamento, mas há formas de alívio, como:
- Mudança de posição;
- Repouso – fazer uma massagem, tomar um banho quente ou até mesmo uma soneca podem aliviá-las;
- Tomar bastante água;
- Não segurar o xixi;
- Evitar esforços.
Para quem chegou até aqui, agradeço! Deixo vocês com o pensamento de um grande filme (ficando aqui minha recomendação):
“Comprimidos aliviam a dor, mas só o amor alivia o sofrimento” Patch Adams – O amor é contagioso.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS:
- GRAY, Henry. Gray’s Anatomy: anatomia do corpo humano. 40°Ed. Editora GEN Guanabara Koogan; 2, jul, 2015. Pg. 1315.
- RAINES, Deborah A .; COOPER, Danielle B. Braxton Hicks. Contrações. 2017.