Sempre que o nosso corpo é invadido por algum microrganismo, quem se encarrega por resolver o problema é o sistema Imunológico. No entanto, em alguns casos, a resposta imune pode se dar de forma tão exacerbada que acaba sendo mais danosa para o corpo do que a própria infecção. São justamente esses casos que nós chamamos de sepse!
E a sepse, também conhecida popularmente como “Infecção Generalizada”, é uma condição muito prevalente no meio médico. Só nos EUA, ela é responsável por cerca de 750 mil casos por ano, gerando um gasto que fica em torno de 16 bilhões de dólares. Já no Brasil, mais especificamente, a sepse parece estar presente em cerca de 25% dos pacientes em UTIs, sendo que a sua taxa de mortalidade fica em torno de 50%.
A partir disso, a gente consegue perceber que a sepse é uma condição muito comum na prática e, por isso, nós precisamos aprender como deve ser feito o manejo dos pacientes com este quadro. Mas para isso, vamos começar pele começo e entender, antes de tudo, como é a fisiopatologia dessa condição.
Fisiopatologia da Sepse
Pois bem…toda vez que um microrganismo antigênico invade nosso corpo, ele vai ser exposto aos mecanismos imunológicos inatos e adquiridos que terão o objetivo de nos proteger. Contudo, no caso da sepse, como já comentamos, a resposta imunológica se dá de forma exacerbada e isso também traz prejuízos.
O que acontece é o seguinte: o paciente adquire uma infecção – normalmente no trato respiratório, mas também é comum que seja no urinário ou no digestório – e, a partir daí, inicia uma produção exacerbada de mediadores pró-inflamatórios.
Dentre esses, os mais expressivos são as citocinas TNF-α e IL-1, que estão muito associadas ao desenvolvimento de sepse. Mas, além disso, também há produção de prostaciclinas, tromboxanos, leucotrienos, óxido nítrico, fator de ativação plaquetária (PAF), entre outros.
Tudo isso, em grande quantidade, acaba caindo na circulação sanguínea e se disseminando por todo o corpo do paciente. Ou seja, em linhas gerais, a sepse consiste em um processo infeccioso que, mesmo que localizado, provoca uma reação inflamatória generalizada.
E é justamente este processo de inflamação generalizado que acaba levando a disfunção de vários órgãos – o que também é característico da sepse. Mas, como isso ocorre? Não tem segredo: a própria atividade inflamatória acaba levando a morte celular. Nisso, vários sistemas podem ser acometidos, mas os mais comumente afetados são 2: o cardiovascular e o respiratório.
Sistema Respiratório

O pulmão é um dos órgãos mais acometidos durante um quadro de Sepse e isso se deve ao fato de a reação inflamatória nos capilares alveolares levarem a uma lesão endotelial e consequente acúmulo de líquido nos espaços alveolares, o que gera edema e atrapalha o processo de trocas gasosas.
Sistema Cardiovascular
Com a inflamação generalizada, o paciente também acaba apresentando uma importante vasodilatação periférica. Dessa forma, em uma primeira fase da doença, conhecida como “fase quente”, o coração tenta compensar o quadro aumentando seu débito cardíaco (DC), mas na maioria das vezes isso é insuficiente.
Com toda essa sobrecarga, então, a doença costuma evoluir para a “fase fria”, na qual o corpo não consegue mais manter o DC aumentado e nem uma saturação periférica adequada (choque).