Segurança do Paciente no Processo de Medicação | Colunistas

O processo de medicalização inclui várias etapas, desde a prescrição
médica, transcrição ou verificação da prescrição, dispensação, administração de
medicamentos e notificação de eventos adversos. Em cada um desses processos,
podem ocorrer diversos erros preveníveis que, além de elevar os custos do
tratamento do paciente, podem prolongar o tempo de internação e ocasionar
sequelas e óbito.
Os
profissionais de saúde devem realizar práticas que combinem com a segurança do
paciente durante o processo de medicalização, promovendo ações que visem à
redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado à
assistência.
Prescrição Segura de Medicamentos
No processo de medicação, a prescrição médica é a primeira etapa dessa
cadeia de atividades e, caso não sejam cumpridos os procedimentos legais
necessários para a sua execução, pode favorecer falhas de natureza
multidisciplinar, levando à ocorrência de eventos adversos a medicamentos.
As principais falhas nas prescrições estão relacionadas a rasuras,
registro incompleto da posologia, ausência de data na prescrição e uso de
abreviaturas. Portanto, para prescrever medicamentos trazendo segurança ao
paciente, são necessários os seguintes passos: identificar a prescrição com os
dados do paciente e do prescritor; prescrever de forma clara e legível;
prescrever pela Denominação Comum Brasileira (DCB), não utilizando o nome
comercial; expressar as doses usando o sistema métrico; prescrever de forma
clara a posologia e via de administração; prescrever a diluição detalhada dos
medicamentos injetáveis; prescrever a velocidade de infusão dos medicamentos
endovenosos; registrar na prescrição as alergias a medicamento; evitar o uso de
abreviaturas e expressões vagas.
Dispensação Segura de Medicamentos
A dispensação de medicamentos é a atividade farmacêutica que compreende
o fornecimento de medicamentos a pacientes mediante uma prescrição. Esse ato é
muito importante na assistência, não só por garantir a entrega do insumo
terapêutico adequado, mas também pela oportunidade da construção do vínculo com
o paciente. Todavia, apesar dos esforços despendidos na distribuição dos
medicamentos, falhas podem acontecer e comprometer o tratamento dos pacientes.
Para minimizar os riscos de falhas na
dispensação de medicamentos, o farmacêutico deve: analisar as prescrições e os
medicamentos prescritos, evitando que possíveis erros de prescrição se tornem
erro de dispensação; garantir boas práticas de armazenamento e dispensação de
medicamentos; revisar a prescrição de medicamentos de alta vigilância;
registrar em prontuário as intervenções farmacêuticas realizadas.
Administração Segura de Medicamentos
O processo de administração de medicamento é composto por várias etapas
que compreendem desde a leitura da prescrição, o aprazamento, o preparo, a
escolha e a manutenção da via até a administração e o monitoramento das
respostas do paciente. A administração segura de medicamento consiste em um
conjunto de barreiras adotadas por uma instituição de saúde e executadas pelo
profissional de enfermagem que visam à interceptação de erros. Por ser a última
barreira para evitar a ocorrência de um erro de medicação derivado dos
processos de prescrição e dispensação, requer do profissional a incorporação
efetiva de um novo olhar sobre o processo de administração de medicamento.
A prática de enfermagem vem adotando
medidas de barreira para administração de medicamentos. Para isso, os
profissionais utilizam o passo a passo dos “nove certos” da administração dos fármacos
que incluem: 1 – paciente certo; 2 – medicamento certo; 3 – dose certa; 4 –
hora certa; 5 – via certa; 6 – forma certa; 7 – orientação certa; 8 – registro
certo e 9 – resposta certa.
Notificação de Eventos Adversos e
Outros Incidentes Relacionados a Medicamentos
Notificação de eventos adversos é um meio de
informação da ocorrência de um incidente ou evento adverso identificado nos
processos assistenciais de uma instituição de saúde, que permite o
reconhecimento sobre os riscos e danos na linha de frente do cuidado de saúde.
Por meio dela, é possível a identificação de semelhanças entre os casos e suas
principais fontes de risco que propiciam a ocorrência de danos ao paciente.
Esse processo tem como objetivo
averiguar o grau do dano ao paciente, as causas e os fatores contribuintes que
favoreceram a ocorrência do fato notificado para que seja possível executar
ações de curto, médio e longo prazo, focadas nas causas identificadas.
Autora: JOICE DA SILVA SANTOS