QUEIXAS RELACIONADAS A SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS)
Um dos aspectos mais interessantes da prática do médico de família e comunidade é a diversidade de problemas que atende no seu cotidiano. Alguns estudos referem que uma pessoa traz à consulta, em média, cinco ou mais queixas para serem resolvidas pelo seu médico de família. Não obstante, em torno de 60% das vezes, saúde mental é o principal motivo da procura de atendimento em MFC.
ATUAÇÃO DO MÉDICO DE FAMÍLIA EM PROBLEMAS EMOCIONAIS E/OU TRANSTORNOS MENTAIS
Os médicos de família estão em uma excelente posição para prestar cuidados de saúde mental. Já que, na maioria das situações, representam o primeiro contato da pessoa com o serviço de saúde.
Esses são, geralmente, os únicos recursos de saúde mental a que as pessoas têm acesso e aqueles que assumem a responsabilidade pelos cuidados continuados em longo prazo dessas pessoas. Além do grande volume dessa demanda, que por si só exige uma preparação adequada do médico, nem sempre a pessoa compreenderá ou aceitará uma indicação de referenciamento ao psiquiatra, o que poderia estigmatizá-la, assim como nem sempre esse especialista estará disponível ou acessível. Por isso, é muito importante aprender a avaliar a pessoa em sofrimento e dar a ela o atendimento solicitado, pois poderá ser o único ao qual ela terá acesso.
ABORDAGEM DO PACIENTE COM QUEIXAS DE SAÚDE MENTAL
Em suma, ao fazer a abordagem da pessoa, o médico deve:
●Perceber a comunicação verbal e não verbal da pessoa que busca ajuda.
●Perceber a própria reação emocional imediata às comunicações da pessoa.
●Aprofundar o motivo do atendimento.
●Verificar a existência de conflitos/perdas.
●Questionar/relacionar com problemas orgânicos.
●Avaliar a situação de vida antes do conflito.
●Avaliar e descrever os achados do exame do estado mental
EXAME DO ESTADO MENTAL
Diversas áreas merecem atenção e devem ser analisadas no atendimento de uma pessoa com problemas de saúde mental em MFC. Consequentemente, o exame do estado mental é parte fundamental da avaliação da pessoa.
Esse exame consiste em avaliar a atenção, sensopercepção, representações, memória, orientação, consciência, pensamento (juízo, raciocínio), linguagem, afetividade, inteligência e atividade voluntária (conduta) do paciente. Todas essas partes do exame podem ser agrupadas em uma fórmula mnemônica conhecida pelas suas iniciais, ASMOCPLIAC.
Conheça mais sobre as metodologias de abordagem do paciente!
DIAGNÓSTICO
Fazer um diagnóstico em saúde mental nem sempre é fácil para o médico de família e comunidade, mas, por outro lado, é perfeitamente viável e não é uma tarefa que compete apenas ao especialista em saúde mental.
A forma mais fácil e objetiva para o médico de família e comunidade é, inicialmente, fazer um diagnóstico sindrômico (síndrome ansiosa, síndrome depressiva, síndrome psicótica, etc).

PLANO DE TRATAMENTO
Em resumo, para o estabelecimento de um plano inicial de abordagem, são necessárias as seguintes atitudes:
●Construir uma lista de problemas.
●Conhecer a história dos problemas e o tratamento prévio e corrente.
●Conceitualizar o caso/buscar classificar as queixas/diagnosticar.
●Estabelecer objetivos de curto e longo prazo.
●Selecionar a modalidade de tratamento, os objetivos e as intervenções.
●Estimar o tempo e a frequência do tratamento.
●Considerar necessidades de referenciamento e os recursos externos disponíveis.
MANEJO DO PACIENTE
Existem quatro padrões de manejo dos médicos de família para os casos em que há um componente de saúde mental:
1. Sozinho, maneja a situação.
2. Dá o atendimento continuado com o auxílio e apoio de um profissional de saúde mental.
3. Referencia a pessoa a um psiquiatra ou serviço psiquiátrico para consulta.
4. Referencia a pessoa a um psiquiatra, para que este faça o seguimento ambulatorial ou hospitalar, se esse for o caso.
Se o médico de família for manejar sozinho o caso, ele poderá optar por um atendimento preferencialmente farmacoterápico, psicoterápico, ou ambos combinados. A psicoterapia deverá ser de preferência breve e de apoio, tanto individual quanto em grupo, de casal ou de família.
Como diagnosticar depressão?
Segundo DSM-5, deve haver humor deprimido ou perda do interesse (prazer), associados a alterações somáticas e psicomotoras, culpa, pensamentos recorrentes de morte. Os sintomas causam sofrimento e não são atribuídos à outros fatores.
Quais os fatores de risco para suicídio?
A tentativa prévia é maior fator de risco. O consumo de substâncias (lícitas ou não), diagnóstico de depressão, histórico familiar positivo e exposição a estressores ambientais também aumentam o risco de nova tentativa.
Como abordar saúde mental na APS?
Perceber a comunicação verbal e não verbal do paciente, bem como suas respostas emocionais aos questionamentos. Verificar se há estressores e questionar sobre problemas orgânicos. Avaliar a situação de vida antes do conflito.
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REFERÊNCIAS
- McWhinney IR, Freeman T. Manual de medicina de família e comunidade. 4. ed. Porto Alegre: Artmed; 2018.
- GUSSO, Gustavo; LOPES, José MC, DIAS, Lêda C (organizadores). Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática. 2ª edição. Porto Alegre: ARTMED, 2019. ISBN 8582715358