Você possui dificuldade em ECG? Um dos grandes desafios do estudante de Medicina é dominar esse exame, que é muito importante para a prática clínica, sendo um dos exames mais realizados no mundo. Então, você sabe identificar um ritmo sinusal no ECG?
Antes de identificar se o ECG apresenta um ritmo sinusal, é importante lembrar de alguns princípios básicos da eletrofisiologia cardíaca. Então presta atenção nessas dicas de como identificar o ritmo sinusal no ECG.
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1) Relembrando o sistema elétrico do coração
O estímulo elétrico do coração, como vocês sabem, é realizado por células cardíacas especializadas. Ou seja, quem emite o sinal para o início do ciclo cardíaco não são neurônios, mas sim cardiomiócitos. Mais especificamente, esse estímulo é iniciado no nó sinusal.
A partir do nó sinusal, o estímulo segue pelos feixes internodais até o nó atrioventricular. Nesse espaço, então, irá ocorrer um pequeno retardo do estímulo, para evitar que átrios e ventrículos se contraiam simultaneamente.
Assim, o sinal prossegue através do feixe de His para os fascículos septais e, em seguida, para as fibras de Purkinje.
Esse sistema elétrico do coração é essencial para o correto funcionamento do ciclo cardíaco.
2) Definindo ritmo sinusal
O ritmo sinusal é o ritmo considerado normal do coração. Assim, relembrando a eletrofisiologia cardíaca, o estímulo inicial deve ser realizado no nó sinusal.
Então podemos definir, em poucas palavras, que o ritmo sinusal é aquele em que os estímulos elétricos estão sendo corretamente gerados pelo nó sinusal. Nesse sentido, um desequilíbrio nessa região acarreta um comprometimento do ritmo normal do coração.
3) Critérios para o ritmo sinusal no ECG
Para dizer que um ritmo no ECG é sinusal, a onda P precisa ser positiva em DI, DII e aVF.
Mas como assim? Se ficou confuso, então vamos com calma. Cada tópico a seguir contém uma parte dessa explicação.
3.1) A Onda P
A onda P indica a despolarização atrial. Ou seja, o sinal elétrico emitido pelo nó sinusal que promove a contração dos átrios é deflagrado pela onda P.
3.2) Vetor do estímulo do nó sinusal
Perceba nessa imagem, que retrata o estímulo do nó sinusal, o sentido do vetor resultante (VR). Considerando todos os caminhos percorridos por esse estímulo elétrico, o resultante aponta para a esquerda e para baixo.
3.3) DI, DII e aVF no ritmo sinusal
Considerando o vetor resultante (VR) no Círculo de Cabrera, fica claro o porquê do sinal emitido pelo nó sinusal deve aparecer positivo nas derivações D1, D2 e aVF.
Assim, para identificar o ritmo sinusal no ECG, você precisa analisar a onda P nas derivações DI, DII e aVF. Caso ela seja positiva nessas derivações, você pode estar diante de um ritmo sinusal.

