O risco de suicídio é a probabilidade que a ideação suicida leve ao ato suicida e tenha como desfecho a morte autoinduzida.
O risco de suicídio deve ser avaliado e quantificado, levando em consideração a presença de um plano, tipo de plano, comorbidades, tentativas prévias, tentativa atual, risco de recidiva do ato etc.
Suicídio: o que é?
Suicídio é um fenômeno no qual o paciente que está passando por algum tipo de sofrimento, questões existenciais, perda do sentido da vida, tem como solução aos seus problemas.
Este fenômeno é observado desde a antiguidade e se torna cada vez mais comum no mundo. É algo que atinge todas as classes sociais, etnias, idade, sexo, condições econômicas e religiosas.
Segundo estudos, os dados que temos sobre as notificações de suicício são subestimados, o que dificulta a análise da situação. Apesar disso, esse fenômeno multifacetado, já se tornou um problema de saúde pública para o Brasil. Dessa forma, foi criado o Plano Nacional de Prevenção do Suicício 2013-2017 pelo Ministério da Saúde, visando conter estes números e agir na prevenção desse ato.
O comportamento suicida é considerado uma emergência médica, sendo
responsável por grande parte dos casos de emergência psiquiátrica.
Expressões que abrangem ideação e
comportamento suicidas
- Tentativa
de suicídio abortada - Automutilação
deliberada - Letalidade
ou comportamento suicida - Ideação
suicida - Intenção
suicida - Tentativa
de suicídio - Suicídio
Fatores associados ao aumento de risco
para o suicídio
- Presença de doenças psiquiátricas: transtorno depressivo maior, transtorno bipolar;
- Sintomas psiquiátricos específicos: ansiedade, desesperança, impulsividade/agressividade;
- História psiquiátrica prévia: tentativas anteriores de suicídio, história de abuso físico/sexual na infância;
- Estressores psicossociais e aspectos psicodinâmicos: desemprego, perdas recentes, vingança, raiva, ódio;
- Doenças físicas: Aids, epilepsia, lesões medulares, lesões cerebrais, neoplasias, Coreia de Huntigton;
- História familiar de suicídio em parentes próximos.
Avaliação
A entrevista psiquiátrica é o elemento essencial para avaliar o risco de suicídio de um paciente. Durante a anamnese, deve-se obter informações a respeito do histórico médico e psiquiátrico, além do estado mental atual do paciente.
É essencial questionar sobre sentimentos e comportamentos suicidas a pacientes deprimidos. Essa pode ser a primeira oportunidade que o paciente tem de falar sobre ideação suicida já presente há algum tempo.

Características investigadas na avaliação do paciente com comportamento suicida
Além das pergundas acima que devem ser veita em uma avaliação psicológica, é preciso analisar algumas características do paciente. Segue abaixo no quadro algumas delas:

Manejo
Após o psiquiatra iniciar a avaliação adequada e cuidados clínicos do paciente, o profissional pode, de acordo com o SUS, encaminhar o paciente basicamente para internação hospitalar, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou atendimento ambulatorial comum.

Uma outra forma de analisar o risco é através do quadro de perguntas abaixo:

- Quando o paciente apresentar baixo risco (de 1-5 pontos): a conduta é trabalhar os sentimentos suicidas, conversando com do paciente para diminuir a confusão emocional;
- Quando o risco é médio (6-9 pontos): geralmente é indicado intervação psiquiátrica. Deve-se ainda comunicar a família sobre o risco de suicídio presente.
- Já no paciente de alto risco (>10 pontos): é considerada uma questão de emergência, necessitando de internação psiquiátrica imediata.
Indicações de internação hospitalar

Indicação de tratamento medicamentoso de urgência
- Paciente ansioso ou insone: Benzodiazepínico
- Diazepam 5 a 10mg, VO, 1 a 3 vezes ao dia
- Clonazepam 0,5 a 2mg, VO, 1 a 3 vezes ao dia
Onde procurar ajuda para previnir o suicídio?
Alguns órgãos públicos estão preparados e disponíveis 24h para receber chamados para previnir o suicídio. Alguns deles são:
- CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
- UPA 24H, SAMU 192, Proto Socorro; Hospitais
- Centro de Valorização da Vida (CVV)– 188 (ligação gratuita)

Perguntas Frequentes:
1 – Quais os principais fatores de risco para suicídio?
Doenças psiquiátricas, doenças físicas, estressores psicossociais ou história familiar de comportamento suicida.
2 – Quais as principais perguntas para avaliação do risco de suicídio?
Você pensa que seria melhor morrer?; Já pensou em se matar?; Você já chegou a planejar?
3 – Quais as indicações de internação hospitalar no contexto do risco de suicídio?
Alto risco de suicídio, pouco suporte familiar, exaustão familiar, tentativas suicidas cada vez mais graves.
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Sugestão de leitura complementar
- Emergências Psicológicas: o que são, conduta, tipos e muito mais!
- Setembro Amarelo: Precisamos falar sobre suicídio!
- Depressão: etiologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento
Referências
- American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
- ASTETE DA SILVA, A.; BRAGA, M.C; PEREIRA SOUZA, M e colaboradores. Diretoria de Política de Urgência e Emergência: Protocolo de manejo das urgências. Curitiba, 2015.
- BRASIL. Prevenção do suicídio. Ministério da Saúde. Brasília, 2020.
- BERTOLOTE, J.M.; MELLO-SANTOS, C.; BOTEGA, N.J. Detecção do risco de suicídio nos serviços de emergência psiquiátrica. Braz. J. Psychiatry 32 (suppl 2), Out 2010
- DAUDT, A. D. Manejo em Emergência do Paciente Suicida. Disponível: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882736/manejo-em-emergencia-do-paciente-suicida.pd.
- SADOCK, BJ; SADOCK, V; RUIZ, P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
- SCHMITT, R; COLOMBO T. Programa de atualização em psiquiatria: emergências psiquiátricas. 2012;2(1): 119-164.
- SILVA, K.F.A.; ALVES, M.A.; COUTP, D.P. Suicídio: uma escolha existencial frente ao desespero humano. Pretextos – Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, v. 1, n. 2, jul./dez. 2016.
Créditos: