A rinossinusite é a inflamação ou disfunção da mucosa nasossinusal. Saiba mais neste artigo!
A rinite é um problema frequente na infância, esta apresenta um alto impacto negativo na vida da criança. A mucosa nasal se aproxima dos seios paranasais, a hipertrofia do corneto nasal que se decorre do processo inflamatório resultando em uma sinusite que pode se associar a rinite e desta forma termos a rinossinusite a qual pode ser aguda, alérgica, crônica ou infecciosa.
Se causada por microrganismos, conhecemos por rinite infecciosa, devido a produtos que irritam o nariz como fumaça ou materiais de limpeza o que é rinite irritativa ou devido às condições na qual a pessoa vive que é a rinite alérgica a qual será relatada em específico.
Definição Rinossinusite
A rinossinusite é a inflamação ou disfunção da mucosa nasossinusal, podendo ser:
● Aguda com sintomas em até 12 semanas;
● Recorrente com 6 ou mais episódios agudos ano;
● Crônica há mais de 12 semanas.
A rinossinusite alérgica é a inflamação crônica da mucosa nasal e seios paranasais causada pela reação mediada por IgE – ativação de células T.
Sintomas
Os principais sintomas são: Espirros em salvas (em sequência), prurido e obstrução nasal, rinorreia não purulenta (corrimento nasal não infeccioso) associado à gotejamento nasal e lacrimejamento.
Além disso, eles podem relatar ouvido tampado, cabeça pesada ou doendo.
Estes podem desencadear reação alérgica imediata ou de 4 a 8 horas depois do contato com o alérgeno.

Tabela: Classificação de rinite alérgica de acordo com a duração e a gravidade
Epidemiologia da rinossinusite
As maiores taxas de prevalência são observadas em países com renda per capita média ou baixa, dentre estes estão inclusos América Latina e África.
Essa doença é encontrada principalmente em escolares de 6 a 7 anos, que apresentam taxa de prevalência de 8,5%, e adolescentes que apresentam taxa de prevalência de 14,6%. N
o Brasil, a prevalência média de rinite (todos os tipos) entre escolares é de 25,7% e 29,6% para adolescentes. Os dados coletados sobre a rinite alérgica relatam a prevalência média de 12,6% em escolares e 15,6% para adolescentes
Etiopatogenia
A exposição ao alérgeno a resposta alérgica desencadeia uma sensibilização inicial que envolve a ativação das células T alérgeno-específicos que estimulam a produção de IgE.
Durante o primeiro contato com o alérgeno as células apresentadora de antígenos (APC), que incluem macrófagos e células dendríticas, captam o alérgeno por endocitose e apresentam às células T que produzem as interleucinas (IL4 e IL13) que interagem com os linfócitos B induzindo à síntese de IgE que se liga nos receptores encontrado nas superfícies dos mastócitos capazes de reconhecer IgE (Fase de sensibilização).
Durante a reexposição ao alérgeno aos receptores de IgE que se encontram nos mastócitos desencadeiam a abertura dos canais de cálcio e ativação da célula.
Na fase imediata da resposta alérgica (ocorre após alguns minutos de contato com alérgeno) há liberação dos mediadores inflamatórios que são histamina, proteases, citocinas, fator de necrose tumoral (TNF), prostaglandina D2 e leucotrienos.
Principais substâncias responsáveis pelos sintomas
As quais são as principais substâncias responsáveis pelos sintomas típicos de rinite alérgica (espirros em salvas, coriza, prurido, e obstrução nasal).
- Prurido: Este é desencadeado através da atuação da histamina diretamente nos vasos sanguíneos e nervos sensoriais, embora os leucotrienos sejam os principais responsáveis pela vasodilatação local. A ativação desses nervos sensoriais e reflexos centrais (reflexo motor) induzem o prurido.
- Obstrução nasal e rinorreia: É induzida pelos reflexos parassimpáticos que se relacionam com a produção de muco pelas glândulas submucosas, agravando o quadro de obstrução nasal e rinorreia.
O processo de síntese de vários produtos derivados do metabolismo de ácido aracdônico, como leucotrienos, prostaglandinas e fator ativador de plaquetas (PAF).
Este contribui para o recrutamento de fase tardia da resposta alérgica. Essa fase é caracterizada por infiltração de células inflamatórias (eosinófilos, basófilos, monócitos, macrófados, linfócitos), mediadores inflamatórios (leucotrienos, cininas, histamina), variedades de quimiocinas e citocinas ( IL4 e IL13).
Quadro clínico rinossinusite alérgica
Os principais sintomas da rinossinusite alérgica são:
- Obstrução nasal;
- Rinorreia, espirros em salvas;
- Prurido local;
- Gotejamento pós-nasal;
- Prurido;
- Lacrimejamento ocular.
Na HPMA é bom questionar:
- Início;
- Intensidade;
- Duração dos sintomas;
- Fatores desencadeantes ou agravantes;
- Qualidade de vida;
- Qualidade de sono;
- Desempenho escolar;
- História familiar de atopia.
Na história ambiental é bom interrogar sobre exposição:
- Alérgenos domiciliares (animais, ácaros e fungos);
- Alérgenos extradomiciliares (pólen);
- Poluentes (fumaça de cigarro, poluição e odores fortes);
- E outros possíveis agentes que possam desencadear as crises.
Exame físico
O exame físico é feito pela rinoscopia anterior na qual evidencia-se:
- Mucosa nasal pálida;
- Hipertrofia dos cornetos;
- Rinorreia hialina ou purulenta (se houver infecção secundária);
- Olheiras;
- Sinal de Dennie – Morgan (pregas abaixo dos cílios em pálpebra inferior);
- Vinco horizontal na linha média no nariz devido ao prurido nasal constante, conhecido como saudação do alérgeno.
Diagnóstico
O Diagnóstico clínico é baseado nos sintomas apresentados pelo paciente, sintomas esses que foram relatados acima.
Além disso, a rinoscopia anterior pode auxiliar no diagnóstico, em alguns casos ainda podem ser feitos endoscopia nasal, citologia nasal e outros.
Quando a suspeita for de rinite alérgica deve-se excluir hipóteses de outros diagnósticos diferenciais como
- rinossinusite infecciosa,
- desvio de septo,
- hipertrofia adenoideana,
- corpo estranho,
- tumores,
- defeitos ciliares, entre outros.
Tratamento
Para o tratamento deve-se indicar mudanças do estilo de vida da criança, evitar alérgenos suspeitos (animais, fungos). Além disso é importante realizar lavagem nasal com solução salina com NaCl por pressão positiva ou aplicadores (soro por seringa ou nebulizadores/ aerossóis dosimetrados ) para diminuir a viscosidade do muco e restabelecer o batimento dos cílios nasais.
Em alguns casos, ainda que apresentem sintomas leves, é indicado anti-histamínicos tópicos nasais ou orais não sedativos (2ª geração).
Autor(a) : Mariane Capitani Fraia – Estudante de Medicina – @marii_fraia
Referências
Brasil, 2021- Cartilha Infantil dos Cuidados no Tratamento das Doenças Respiratórias e Otite. Brasilia, DF: 1ªed. Rinite. Disponível em PDF
CALDEIRA, Leonor Esteves et al. Rinite alérgica–Classificação, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Rev Port Imunoalergologia, v. 29, n. 2, p. 95-106, 2021.
MARCONDES, Isabela Lara. Rinite alérgica em crianças e adolescentes. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 7, p. 65390-65396, 2021.
Tratado de pediatria : Sociedade Brasileira de Pediatria / [organizadores Dennis Alexander Rabelo Burns… [et al.]]. — 4. ed. — Barueri, SP : Manole, 2017. Seção 8 – Rinossinusite Alérgica capítulo 7. Disponível em: PDF
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