Entenda tudo sobre o retorno venoso, como ele ocorre, a sua anatomia e importância para a circulação sistêmica. Bons estudos!
Entender o fluxo venoso é fundamental não apenas na prática clínica, mas acerca do entendimento de diversas patologias. Por isso, é intrínseco ao conhecimento médico a familiaridade com o retorno venoso.
Direção do fluxo venoso: como ocorre esse retorno?
As veias são os vasos responsáveis por drenar o sangue da periferia do corpo e órgãos nobres, de volta ao coração.
Enquanto que na vascularização os tecidos recebem sangue rico em O2, no retorno venoso esse sangue se encontra com uma menor concentração desse gás. O fluxo da vascularização se dá no sentido em direção aos tecidos, partindo da circulação sistêmica.
Por outro lado, o retorno venoso ocorre da direção dos tecidos para o coração. Assim, esse é um fluxo de sentido oposto ao da vascularização.
Válvulas venosas: fundamental para um retorno venoso de qualidade
O retorno venoso pode ser garantido pela presença das válvulas venosas. Elas são dobras da túnica íntima, em forma de meia lua, voltadas para a luz do vaso.
Revestidas por endotélio, estão presentes principalmente nas veias dos membros inferiores. São geralmente bicúspides e se apresentam em maior quantidade à medida que a pressão hidrostática aumenta, ou seja, nas regiões mais distantes. A finalidade das válvulas é justamente superar os efeitos da gravidade quando os indivíduos se mantêm em posição supina.
Ao promover um fluxo unidirecional – a partir do fechamento passivo das suas valvas -, as válvulas impedem que o sangue flua na direção oposta e, portanto, facilita o seu retorno ao coração.

Fonte: MOORE, KL Anatomia Orientada para a Clínica, 8ª edição.
A bomba venosa se refere à contração dos músculos da perna, que direciona o sangue para regiões próximas a partir do aumento da pressão subfascial em relação à pressão hidrostática das veias. A eficácia da bomba vai depender de uma contração muscular adequada e de válvulas competentes.
Varizes: como ocorre?
Quando há uma função inadequada da bomba muscular, válvulas venosas incompetentes ou obstrução do fluxo venoso (secundária a trombose ou estenose venosa não trombótica, por exemplo), o paciente pode desenvolver um aumento da pressão venosa.
A hipertensão venosa sustentada, com o tempo, é capaz de promover alterações anatômicas, fisiológicas e histológicas que estão associadas a insuficiência venosa crônica.

Nesses casos, o aumento de pressão é transmitido de forma retrógrada para o sistema venoso superficial, levando a um enfraquecimento da parede venosa, resultando em uma dilatação anormal das veias na forma de telangiectasias ou varizes.
O refluxo aumenta a pressão hidrostática na veia, resultando na perda de líquido para o terceiro espaço e consequentemente leva a formação de edema. Ademais, a hipertensão venosa estimula a liberação de células inflamatórias na parede da veia e nas válvulas, induzindo uma resposta inflamatória local.
Grandes veias do tórax: entenda como ocorre esse retorno venoso
As grandes veias do tórax desempenham o papel crucial de realizar o retorno venoso de estruturas torácicas para a reoxigenação intrapulmonar.
Eles podem ser divididos em cinco grandes grupos, sendo eles:
- Veias braquiocefálicas;
- Veia Cava Superior;
- Sistema Venoso Ázigos;
- Tronco Pulmonar;
- Veias Pulmonares.
As veias braquiocefálicas são em número de duas: direita (menor) e esquerda (maior). Elas são formadas pela união das veias subclávia e jugular interna. Assim, na margem inferior da 1ª cartilagem costal direita, unem-se para formar a Veia Cava Superior (VCS).
A Veia Cava Superior termina ao nível da 3ª cartilagem costal, desembocando no átrio direito. É responsável pelo encaminhamento do sangue pobre em oxigênio proveniente de todas as estruturas viscerais acima do diafragma, exceto os pulmões e coração. Diferente de outras veias, a VCS não apresenta valvas.
O Sistema Venoso Ázigos situa-se de cada lado da coluna vertebral. Seu papel é a de realizar o retorno venoso das paredes do dorso e toracoabdominais, além das vísceras do mediastino. É composto pelas veias ázigo, hemiázigo e hemiázigo acessória.
O Tronco Pulmonar, por sua vez, origina-se no Ventrículo Direito. Devido sua localização, é revestido externamente pelo pericárdio fibroso em sua raiz. Ainda, realiza a condução de sangue pobre em oxigênio até os pulmões. Quanto às Veias Pulmonares, são 04, não apresentam válvulas e carregam sangue rico em O2 em retorno para o coração.
Grandes veias abdominais: o retorno venoso sistêmico
Quanto aos vasos abdominais, localizam-se na região posterior do abdome. Considerando a extensão dessa região, tem como função a drenagem de órgãos nobres.
As veias abdominais, de maneira geral, realizam a drenagem para a Veia Cava Inferior (VCI). Essa conduz o sangue pouco oxigenado dos membros inferiores, dorso, vísceras e paredes do abdome ao átrio direito.
A formação da VCI é dada pela junção das Veias Ilíacas Comuns direita e esquerda (L5). Seguindo seu trajeto, a VCI deixa a cavidade abdominal pelo forame da veia cava no diafragma (T8), alcançando 20cm de comprimento.
As tributárias da VCI são as veias:
- Ilíacas comuns;
- Lombares;
- Lombar ascendente;
- Gonadal Direita;
- Renais;
- Suprarrenal Direita;
- Frênicas Inferiores;
- Hepáticas.
Retorno venoso dos membros superiores
Entender o retorno venoso dos membros superiores é fundamental, dada a demanda energética dos músculos dessa região. Sua drenagem é feita através de um compartomento superficial e um profundo.
No compartimento superficial, temos as veias cefálica e basílica, que se originam na rede venosa dorsal, no dorso da mão. Elas recebem tributárias na fossa cubital, de modo que a basílica ajuda a formar a axilar. Por sua vez, a cefálica tribula na axilar.
No compartimento profundo, tem-se veias duplas. Elas acompanham as artérias com o mesmo nome e trajeto. Sendo assim, são elas:
- Radiais;
- Ulnares;
- Braquiais.


Retorno venoso dos membros inferiores
A drenagem venosa dos membros inferiores é realizada a partir de um compartimento superficial e de um compartimento profundo.
Assim, sua comunicação ocorre através das veias perfurantes. O compartimento superficial é formado por 2 veias principais: veia safena magna e veia safena parva.
A veia safena magna é a veia mais longa do corpo e se forma a partir do arco dorsal do pé e veia dorsal do hálux. A safena magna se continua como veia femoral, em seguida ilíaca externa, que drena na ilíaca comum e por fim, na veia cava inferior (VCI).
Já a veia safena parva surge do arco venoso dorsal e veia dorsal do 5º dedo, ascendendo lateralmente na perna e coxa e tributando na veia poplítea. A veia poplítea, ao passar pelo hiato dos adutores, passa a ser chamada de veia femoral, depois ilíaca externa, que drena na ilíaca comum e por fim, na VCI.
Por sua vez, o compartimento profundo é formado normalmente por veias duplas, denominadas de acompanhantes, porque estão situadas ao lado das artérias que acompanham.

Fonte: MOORE, K.L. Anatomia Orientada para a Clínica, 8ª edição.
As válvulas venosas, juntamente com a contração da musculatura esquelética da perna, direcionam o fluxo sanguíneo de distal para proximal e do compartimento profundo para o compartimento superficial. Assim, os dois principais determinantes do fluxo venoso são as válvulas e a bomba venosa.
Quer continuar estudando sobre fluxos e condutas da emergência?
Ter um conhecimento sobre as principais condutas de emergência é fundamental pra a prática clínica. Assim, ter sempre à mão um guia completo de condutas a serem tomadas em uma ambiente não controlado é a melhor forma de ofertar um bom cuidado ao seu paciente.
Por isso, quero te convidar a adquirir um livro super completo para aprimorar seus conhecimentos e ganhar mais segurança para a atuação na emergência, o Yellowbook Fluxos e Condutas: Emergências.
O Yellowbook Fluxos e Condutas: Emergências abordar os principais temas, procedimentos e prescrições do dia-a-dia numa emergência. Nele você encontrará condutas de Emergências em:
- Nefrologia,
- Cardiologia,
- Pneumologia,
- Endocrinologia,
- Gastrologia,
- Infectologia,
- Dermatologia,
- Oncologia,
- Neurologia,
- Psiquiatria,
- Reumatologia,
- Geriatria,
- Otorrinolaringologia e
- Oftalmologia.
[QUERO COMPRAR UM YELLOWBOOK EMERGÊNCIAS]
Perguntas frequentes
- Como as válvulas colaboram para um retorno venoso de qualidade?
As válvulas favorecem um fluxo unidirecional do sangue, impedindo um retorno e congestão venosa. - Como as varizes são formadas?
Devido a função inadequada da bomba muscular, válvulas venosas incompetentes ou obstrução do fluxo venoso. - O que são veias perfurantes?
Elas realizam a comunicação entre o compartimento superficial e profundo das veias dos membros inferiores.
Sugestão de leitura: continue aprendendo!
- Insuficiência venosa crônica | Colunistas – Sanar Medicina
- Resumo sobre flebite (completo) – Sanarflix
- Oque saber sobre a cirurgia vascular? | Colunistas
- Resumo: Trombose Venosa Profunda | Ligas
- Rotina da residência de Cirurgia Vascular
Referências
- Patrick C Alguire, MD, FACPBarbara M Mathes, MD, FACP, FAAD . Fisiopatologia da doença venosa crônica: UpToDate, 2020. Acesso em: 03 jul. 2021.
- Lowell S Kabnick, MD, RPhS, FACS, FACPhSherry Scovell, MD, FACS. Overview of lower extremity chronic venous disease: UpToDate, 2020. Acesso em: 03 jul. 2021. https://www.uptodate.com/contents/overview-of-lower-extremity-chronic-venous-disease?search=insuficiencia%20venosa&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1#H4241335637
- MOORE, K.L. Anatomia Orientada para a Clínica, 8ª edição.