Definição e Epidemiologia
Rinite
alérgica é a inflamação da mucosa nasal provocada por contato com alérgicos,
que pode resultar em sintomas crônicos ou recorrentes.
Os
alérgenos de maior relevância clínica são os provenientes de ácaros, animais
domésticos, insetos, fungos, polens e raramente alérgenos alimentos.
No
Brasil a rinite alérgica é mais comum em escolares e adolescentes. Afeta 26,6%
das crianças e 32,4% de adolescentes. O aumento da incidência
de poluição tem grande participação inclusive em sua morbidade e a exposição
crônica aos poluentes atmosféricos.
Fisiopatologia
A
rinite alérgica é caracterizada pela clássica reação de hipersensibilidade tipo
I. Inicialmente, há exposição ao alérgeno; na sequência, a célula apresentadora
de antígeno ou macrófago incorpora/processa o alérgeno e se liga ao linfócito
Th2. Essa ligação acaba por ativar tal linfócito, resultando na liberação de
diversas citocinas, entre elas as interleucinas IL-4, IL-6 e IL-13, as quais
promovem a diferenciação do linfócito B em plasmócito, sendo este responsável
pela síntese de IgE. Finalmente, há ligação do IgE na superfície do mastócito,
tornando-o sensibilizado.
Assim
que houver novo contato com o alérgeno, ocorrerá a degranulação do mastócito, a
liberação de mediadores pré-formados, como histamina, triptase e protease, e o
aparecimento de prurido nasal, rinorreia, espirros e obstrução nasal. Essa fase
é conhecida como fase precoce e ocorre de 10 a 30 min após a exposição ao
alérgeno.
Quadro clínico
Os
sintomas de rinite geralmente despertam na infância, mas podem ocorrer em
qualquer idade.
Os
primeiros sintomas após o contato com o alérgeno são: prurido, espirros e
rinorreia, seguidos de obstrução nasal, indicativos de liberação mastocitaria. Também
podem estar presentes anosmia ou hiposmia e a perda do paladar e disfunção
tubária.
Alguns
pacientes apresentam sintomas sistêmicos, tais como: astenia, irritabilidade,
diminuição da concentração, anorexia, náuseas e desconforto abdominal, sendo os
três últimos sintomas secundários à deglutição de secreção nasal abundante.
Alguns
sinais podem estar presentes o exame físico como olheiras, linha de
Dennie-Morgan (prega ou ruga palpebral inferior), cornetos edemaciados e
pálidos e palato em ogiva e má oclusão dentária.
Diagnóstico
O diagnóstico de rinite
alérgica é essencialmente clínico, com base nos dados de história clinica, história
pessoal ou familiar de doença alérgica e exame físico geral, dos olhos, nariz, orelha, orofaringe,
pescoço, tórax, abdômen e pele.
A
confirmação laboratorial da presença de anticorpos IgE específicos a alérgenos
corrobora para estabelecer um diagnóstico alérgico específico.
Testes
cutâneos de hipersensibilidade são os mais empregados no diagnóstico de rinite
alérgica, sendo o teste de puntura o mais utilizado. É um método rápido, de
fácil execução, com boa sensibilidade e especificidade.
Na impossibilidade de realizar os testes cutâneos, o
diagnóstico pode basear–se por meio de sangue periférico coletando a dose de IgE total e contagem de eosinófilos. Porém,
a obtenção do resultado é mais prolongado e comparado com os testes cutâneos os
de sangue são métodos mais caro.
Exames
de imagem como radiografia simples, tomografia computadorizada e a ressonância
nuclear magnética podem ser útil para detectar obstrução nasal, inflamação e
infecção sinusal. Outro método que também pode auxiliar no diagnostico é a endoscopia
nasal, que contribui na avaliação da
anatomia nasal.
Tratamento
O
tratamento da rinite alérgica tem como principal medida a higiene ambiental,
pois quanto maior a exposição aos alérgenos,
maior será a quantidade de anticorpos e mais intensos os sintomas.
O tratamento medicamentoso é feito por meio dos anti-histamínicos
orais, anti-histamínicos associados aos descongestionantes, outros fármacos
como corticosteroides orais e tópicos nasais, antileucotrienos e cromoglicato
dissódico.
Os
anti-histaminicos são eficazes no controle do prurido, espirros e coriza, mas
não são medicamentos de primeira linha para aliviar a congestão nasal. Podem
ser divididos em anti-histamínicos de primeira e segunda geração. Os primeiros
atravessam a barreira hematoencefálica, logo promovem sedação e prejuízo motor
e cognitivo; também promovem efeito nos receptores muscarínicos e colinérgicos,
causando visão turva, ressecamento oral e aumento da viscosidade do muco. Os
anti- histamínicos de segunda geração (cetirizina, desloratadina, ebastina,
epinastina, fexofenadina, levocitirizina, loratadina, rupatadina, e outros) tem
efeito mais prolongado, menor penetração no sistema nervoso central e mínimo
efeito anticolinérgico sendo preferenciais.
Os Descongestionantes são as drogas
mais usadas e promovem alivio da congestão por vasoconstrição. São divididos em
orais sendo o principal a pseudoefedrina e tópicos como a efedrina e
fenilefrina.
O
Cromoglicato Dissodico tem ação antiinflamatória e estabiliza a membrana do
mastocito. São mais restrito as crianças, sendo útil como profilaxia antes da
exposição ao alérgeno, não apresentando alivio dos sintomas na crise alérgica.
Os
corticosteroides são as drogas mais potentes. São eficazes em todos os sintomas
nasais, sendo superiores aos anti-histaminicos em todos os sintomas da rinite
alérgica. Ocorre uma redução local do número de mastocitos, e influxo de
basófilos e eusinofilos, diminuindo a liberação de prostaglandinas. Os
principais são disponíveis são: beclometasona, budesonida, fluticasona,
triancinolona e mometasona.
O
brometo de ipratópio, medicação anticolinérgica, atua reduzindo a rinorreia. Os
antileucotrienos possuem dois grandes grupos que são os inibidores de sintese (zileuton)
e os antagonistas de receptores (montelucaste e zafirlucaste). Atuam como mediadores inflamatórios e promovem
alívio significativo dos sintomas nasais diurnos e noturnos além dos sintomas
oculares da rinite alérgica.
A
imunoterapia especifica com alergenos, reduz o grau de sensibilização e a
reatividade aos antígenos. Deve ser considerada
em casos de rinite alérgica persistente moderada/grave que não responderam
satisfatoriamente à terapia convencional. E a abordagem cirúrgica das conchas
nasais inferiores é utilizada quando a obstrução nasal do paciente com rinite alérgica
é persistente não apresentando melhora.