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Caso Clínico: parada cardiorrespiratória | Ligas

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Apresentação do caso clínico

Identificação:
Paciente do sexo masculino, 45 anos, negro, casado, marceneiro, natural e
procedente de Santa Fé.

Queixa
Principal
: Perda de Consciência

História
da Doença Atual
: Paciente estava em uma competição de atletismo (10km) e após o
término da prova apresentou perda de consciência súbita. O atendimento do local
constatou parada cardiorrespiratória em Fibrilação Ventricular (FV). O
atendimento envolveu compressões torácica e a utilização de um desfibrilador
externo automático (DEA). Após o retorno da função cardíaca, o paciente foi
conduzido a emergência, onde apresentou nova parada e foi reanimado com sucesso
após 15 minutos. Paciente evoluiu com hipotensão e posteriormente com novos
episódios de fibrilação ventricular (FV).

História
Médica Pregressa
: Paciente tabagista dos 20-40 anos com cerca de 40 maços-ano,
hipertenso desde os 40 anos, diagnóstico de Diabetes Mellitus há 5 anos. Nega
etilismo, uso de drogas. Nega doenças cardíacas prévias, nega doenças
pulmonares, nega doenças renais.

História
Familiar
: Pai morreu de infarto aos 55 anos de idade. Mãe de 75 anos apresenta
Hipertensão Arterial Sistêmica e hipotireoidismo. Nega outras doenças na
família

Exame
físico da chegada
: Frequência Cardíaca: 110 bpm Pressão Arterial: 95x 55 mmHg Saturação
de 02: 90% Ausculta cardíaca com quarta bulha.

Exames complementares: O eletrocardiograma
apresenta supradesnivelamento de STde V1 a V6, DI e aVL.

Conclusão: Paciente apresenta quadro de paracardiorrrespiratória com ritmo chocável potencialmente de causa isquêmica. O eletrocardiograma indica infarto anterior extenso. Paciente será encaminhado para cineangiocoronariografia. A Cineangiocoronariografia demonstrou obstrução em terço médio da artéria descedente anterior (DEA). A partir disso, foi realizada angioplastia da DEA com implantação de um stent farmacológico. Paciente foi encaminhado a unidade de terapia intensiva e posteriormente com a evolução do quadro o paciente recebeu alta. 

Questões para orientar a discussão    

1. Qual a epidemiologia da morte súbita cardíaca?

2.  Quais as causas
mais comuns de PCR?  

3.  Quais são os
ritmos chocáveis?

4.  Por quê a
obstrução coronariana leva a PCR?

5. Qual o significado clínico de um ECG com supradesnivelamento
de ST?

Respostas

1.            A
morte súbita cardíaca tem incidência bimodal (menores de 1 ano e adultos entre
45-75 anos). A doença é mais comum em indivíduos negros e do sexo masculino. A
aterosclerose coronariana é o principal fator etiológico relacionado a PCR e
seus fatores de risco como tabagismo e obesidade também são fatores de risco
para PCR. 

2.            A
parada cardiorrespiratória é uma emergência cardiovascular com elevada
morbimortalidade. O atendimento adequado e precoce garantem maior sobrevida
para os pacientes. O reconhecimento da causa da PCR é fundamental visto que os
diferentes cenários clínicos necessitam de diferentes intervenções. As
principais causas de parada são:  

5 H (Hipovolemia, Hipóxia, Acidose – baixo pH -, Hipo/Hipercalemia, Hipotermia) 5 T (Trombose
Coronária, Tromboembolismo
Pulmonar, Pneumotórax,
Tóxicos/Drogas, Tamponamento Cardíaco).

3.            Os
ritmos de parada são a Fibrilação
Ventricular, Taquicardia ventricular Sem Pulso, Atividade Elétrica Sem Pulso
(AESP) e a Assistolia
. Os ritmos que podem ser desfibrilados com sucesso
são a Fibrilação Ventricular e a Taquicardia ventricular. O atendimento e a
desfibrilação precoce (3 a 5 minutos do início da parada) dos pacientes garante
taxas de sobrevida entre 50-70%.

4.            A doença cardíaca isquêmica
represente a principal causa de PCR. A morte súbita pode ser a primeira
manifestação da doença aterosclerótica em cerca de 25% dos coronariopatas.
Nesses pacientes, a isquemia miocárdica é o fator desencadeante visto que
promove alterações na refratariedade das fibras e lentificação da condução do
impulso elétrico colaborando para o surgimento de arritmias graves.

5. O
Eletrocardiograma é um exame importante para o diagnóstico de SCA e deve ser
realizado nos primeiros 10 minutos de atendimento do paciente em PCR. A
presença de Supradesnivelamento de ST em um paciente com quadro clínico típico
de infarto e posterior PCR representa a obstrução completa de uma artéria
coronária e a necessidade de reperfusão da artéria.

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