Entende-se por otite média aguda (OMA) a infecção aguda no ouvido médio com início rápido dos sinais e sintomas. Ocorre um episódio infeccioso em que os sintomas possuem uma duração inferior a quatro semanas. O sexo masculino tem maior tendência a desenvolver a OMA.
Epidemiologia
Correspondendo
a um terço das consultas e a 25 – 40% das prescrições de antibióticos orais nos
Estados Unidos (EUA).
Afeta
primeiramente lactentes e crianças pequenas, sendo relativamente infrequente em
adultos. Seu pico de incidência é entre 6 e 11 meses de idade. Cerca de 90% têm
pelo menos um episódio de otite média antes de completar cinco anos de idade.
Até
2 anos de idade, tanto OMA quanto Otite Média Secretora (OMS) são bilaterais em
sua maioria. Após os 2 anos, a maioria dos episódios de OMA e OMS é unilateral.
Fisiopatologia
Quando
o paciente desenvolve um resfriado como, este leva a um processo infeccioso
tanto na nasofaringe como na tuba auditiva, gerando um edema na tuba pela
inflamação. Todo esse processo leva à disfunção tubária.
A
tuba auditiva tem as funções de equalizar a pressão com o ambiente e a drenagem
de secreção. Na patologia, a pressão da orelha média fica cada vez mais
negativa e isso favorece o acúmulo de secreções e consequentemente a
colonização bacteriana.
Dentre
os fatores de risco para a OMA, os ambientais e os do hospedeiro são os mais
significantes. No ambiental estão as IVAS, creche ou escola, uso de chupeta e o
tabagismo passivo, neste último a fumaça e suas substâncias alteram a produção
e a função mucociliar do epitélio respiratório. No do hospedeiro estão a idade,
anormalidades craniofaciais, predisposição genética e DRGE.
Resumo sobre otite média aguda: quadro clínico
A
maioria dos pacientes com OMA apresentam sinais e sintomas não específicos,
como diarreia, vômito, anorexia e cefaleia. A febre é encontrada apenas nas
infecções bacterianas.
A
otalgia é a manifestação clínica mais comum.Alguns sinais e sintomas
diagnosticam a Otite Média Aguda bacteriana, como a otalgia de aparecimento
súbito em crianças menores de dois anos com alteração do sono, mudança de
comportamento e choro intenso. Febre acima de 39ºC e otorreia com história de
otalgia muito intensa nas últimas vinte e quatro horas.
Diagnóstico
O diagnóstico é determina pela história clínica, exame físico e otoscopia pneumática. A história clínica deve avaliar a forma e o meio em que o paciente vive, como a exposição à fumaça do cigarro, creche, posição em que é oferecida a mamadeira, familiares com otite média recorrente.
É
essencial o exame físico do pescoço para identificar condições associadas à
otite, como a obstrução nasal ou anomalias craniofaciais que afetam a orelha
média.
Patologias
do nariz como pólipos, desvio de septo e tumores de rinofaringe podem estar
associados à otite média.
Por
regra, não são necessários exames complementares no diagnóstico da OMA. Estes
apenas se realizam em caso de complicações.
Tratamento
Antimicrobianos
são usados para erradicar a bactéria, reduzir a duração dos sintomas, e fazer
prevenção. Já os descongestionantes tópicos podem ser usados para alívio dos
sintomas.
O
tratamento depende da idade do paciente e da presença ou não de otorreia.
Devendo haver melhora em 48 a 72 horas.
A
primeira escolha utilizada é a Amoxicilina, por ser segura, bem tolerada e ter
um bom espectro de ação. A analgesia com Ibuprofeno também é feita, se houver
dor.
Em determinados pacientes, a otite não complicada pode ser tratada por períodos de cinco a sete dias. O tratamento em menores de dois anos não está indicada por menos de dez dias.
As
cefalosporinas de primeira geração não devem ser utilizadas, e as de
segunda são eficazes contra Streptococcus
pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis.
O tratamento cirúrgico está recomendado para as otites médias recorrentes.
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