Confira neste post um resumo sobre oncogenética e a covid-19 através de uma abordagem geral!
Abordagem geral sobre oncogenética e o covid-19
O Sars-cov-2, desde seu surgimento catastrófico no final de 2019, trouxe grande preocupação para a comunidade científica. Isso pela sua alta capacidade de contágio pelas gotículas respiratórias de um indivíduo infectado para outro.
Percebeu-se que a apresentação de sintomas se dava em média a partir do 5° dia. O período incubatório do vírus variava de 2 a 14 dias. Dentre o quadro sintomatológico, as respostas variam desde indivíduos com sintomas gripais até crises de diarreia, mal-estar, náuseas e vômitos.
Dada a frequência dos indivíduos sintomáticos, a doença foi caracterizada como uma síndrome respiratória, geralmente leve. Mas que poderia evoluir para um quadro agudo de desconforto respiratório e choque séptico.
Resumo sobre oncogenética e covid-19: estrutura do vírus
A estrutura íntima do COVID-19 mostrou-se semelhante a uma coroa. Composta por um nucleocapsídeo e um envelope. Dos quais o primeiro protege o material genético do vírus. O segundo está associado a sua capacidade de ligação com a célula hospedeira.
Estrutura genética do Sars-CoV-2 é composta por uma fita única de RNA com carga positiva semelhante a um RNAm de células eucariotas. Possuindo uma capa metilada de ponta 5’ e outra poliadenilada de ponta 3’.
A grande diferença entre as duas estruturas comparadas é que o genoma do vírus pode ser divido em 3 partes.
As duas primeiras partes responsáveis pelo potencial replicativo do vírus e a última responsável pela criação das proteínas de conexão e acessórias.
Como se liga na célula?
A patogênese do Sars-CoV-2 é diretamente ligada a sua capacidade de se ligar à membrana das célula hospedeira. Através da conexão das suas proteínas aos receptores da enzima de angiotensina 2 presente em diversos tipos celulares. Principalmente, presentes no trato respiratório, aparelho urinário, aparelho digestivo, coração e outros.
A proteína S, fundamental para esse processo de ligação, se subdivide em duas:
- uma que se conecta ao domínio de ligação do receptor (RBD) e
- outra que afetiva a fusão das membranas e inserção do material genético do vírus no interior da célula hospedeira.
A resposta no corpo
Como tentativa de barrar essa infeção, o sistema imune detecta a presença do patógeno e induz uma cascata de sinalização que produzirá diversas reações biológicas no corpo do indivíduo.
Parte dessas respostas estão ligadas à síntese genética de várias proteínas necessárias para a inflamação, como o fator de necrose tumoral (TNF), citocinas (IL-1, IL-6 E IL-12), além da produção de interferon-a e interferon-b.
Após a descoberta desses processos fundamentais da patogênese do vírus, imediatamente levou-se em consideração a influencia desse patógeno nos pacientes oncológicos, devido sua alta relação oncogenética.
De forma geral, os dados clínicos afirmam que a infecção pelo Sars-CoV-2 pode ter impacto na progressão do Câncer e no tratamento anticâncer.
Relação oncogenética
A relação do vírus ao câncer vem do mecanismo molecular do vírus quando sua conexão aos receptores de ACE2 fazem com que cerca de 10% deles sejam absorvidos, como mecanismo protetivo fisiológico. A diminuição desses receptores está diretamente ligada à metastatização e ao crescimento tumoral.
Análise clínica dos pacientes
A analise clínica desses pacientes com efeitos graves do vírus levou os pesquisadores a modificarem o tratamento do câncer em pacientes também infectados pelo vírus.
Seja pelo cuidado em especial com a utilização de moduladores imunológicos, amplamente utilizados no tratamento do câncer, seja na influência da radiação.
Dentre esses, podemos destacar o tratamento com os inibidores dos pontos de verificação imunológicos (ICIs) que podem interferir na toxicidade pneumológica e na síndrome de liberação das citocinas.
Efeitos
Os efeitos ainda estão em estudo. Mas sabe-se que:
- O uso dos ICIs pode tanto restaurar a capacidade imune do paciente oncológico e combater o vírus
- E também podem intensificar o fenômeno conhecido como “tempestade de citocinas” amplamente vinculado à taxa de mortalidade por COVI-19.
Oncogenética e covid-19: conclusão
Nos relatos, ficou nítido que o processo fisiopatológico do vírus interage com a oncogenética, principalmente através dos:
- estímulo aos fatores de crescimento,
- interferência do processo apoptótico,
- estímulo à metástase e
- regulação do sistema imune, consequentemente impactando no crescimento celular e na proliferação.
A busca evidenciou a intersecção de 68 traços de atuação molecular do Sars-CoV-2 com os oncogenes, deixando mais que nítida sua interferência na carcinogênese.
AUTOR: RIAN BARRETO ARRAIS RODRIGUES DE MORAIS | @rianrodrigues10
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS
- Base genética e molecular de COVID-19 (SARS-CoV-2). Mecanismos de patogênese e resposta imunológica, dispomível em: https://scielo.conicyt.cl/scielo.php?pid=S0718-381X2020000300331&script=sci_arttext&tlng=en
- COVID-19 envolve marcadores clínicos para o manejo do câncer e reguladores relevantes para o câncer de proliferação celular, morte, migração e resposta imune, disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-021-84780-y
- MASPs at the crossroad between the complement and the coagulation cascades – the case for COVID-19, disponível em: https://www.scielo.br/j/gmb/a/C86BSSZ79CNwsGz5Dg3xCwh/?lang=en&format=html
- Diagnóstico laboratorial do SARS-CoV-2 por transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR), disponível em: http://www.rbac.org.br/artigos/diagnostico-laboratorial-do-sars-cov-2-por-transcricao-reversa-seguida-de-reacao-em-cadeia-da-polimerase-em-tempo-real-rt-pcr/