Haemophilus influenzae é uma bactéria bacilar pleomórfica, Gram negativo, aeróbia facultativa, ficando assim à vontade no trato respiratório superior e inferior, além de outras localizações de infecções.
Existem sorotipos encapsulados e não-encapsulados, os não-encapsulados normalmente colonizam o trato respiratório superior em todas as pessoas no primeiro mês de vida e podem causar também otites média, sinusite ou até mesmo pneumonia, já os encapsulados, colonizam especialmente crianças não vacinadas, podem causar epiglotites, pneumonia, bacteremia, septicemia, artrite e até meningites. É transmitido através de aerossóis ou secreção do trato respiratório.
Quando suspeitar
A população alvo da bactéria são aqueles pacientes imunossuprimidos/imunodeprimidos, pacientes esplenectomizados, e pacientes não vacinados. Como já falamos acima, a bactéria tende a colonizar especialmente indivíduos não vacinados, normalmente é aquela criança que apareceu com uma infecção que não regride mesmo após o uso de antibiótico isolado, por exemplo, se suspeita de pneumonia por Haemophilus Influenzae em crianças de 3 meses a 3 anos que está com;
- Estado vacinal inexistente ou incompleto
- Uso recente de antibiótico
- Uso de antibiótico isolado
- Epidemiologia local
- A febre não regride em 48-72 horas após introdução de antibiótico
Não há um sintomas específicos que diferenciam a pneumonia por Haemophilus de outras bactérias.
Ela não é só uma causa comum de pneumonia (10%), mas também, causa otite média aguda, devemos também suspeitar de todos os pacientes que preenche os mesmo tópicos citados acima, e em particular, aqueles pacientes que apresentam otite média associado à conjuntivite que pode a acometer vários membros da família .É importante ressaltar que a persistência de febre, otalgia e sintomas sistêmicos mesmo com o uso de amoxicilina-clavulanato ou claritromicina pode ser uma indicação de infecção por Haemophilus.
No quadro a seguir nos mostra a diferença clínica entre a otites média por Streptococcus Pneumoniae e Haemophilus Influenzae
| Sinal ou Sintoma | Streptococcus Pneumoniae | Haemophilus Influenzae |
| Dor | ||
| Leve | 38% | 42% |
| Moderada | 24% | 38% |
| Severa | 24% | 20% |
| Temperatura | ||
| <37.8 C | 50% | 80% |
| ≥37.8 – 38.2 C | 9% | 10% |
| 38.3 – 39.4 C | 41% | 10% |
| Aparência da membrana timpânica | ||
| Opaca, branca ou cinza | 32% | 59% |
| Amarela | 11% | 10% |
| Vermelha ou abaulada | 57% | 31% |
Dados epidemiológicos
Aqui estão alguns dados para refrescar sua memória e te fazer entender melhor onde o Haemophilus gosta de colonizar.
Primeiro, esse estudo nos mostra o quão é importante pesquisar o estado vacinal de nosso paciente, ele nos mostra a incidência X cobertura vacinal pelo Haemophilus.
Percebemos que quanto maior a cobertura vacinal (linha azul) menor é a incidência de casos por Haemophilus (gráfico laranja). Um detalhe interessante que podemos observar é no ano de 2012, onde a cobertura vacinal caiu para o menor nível desde 2001, causando um aumento no número de casos em comparação ao ano anterior.
Segundo, o Haemophilus Influenzae também é uma causa de meningites, que vem diminuindo ao longo dos anos graças a vacina. O próximo estudo fala sobre a distribuição por faixa etária dos coeficientes de incidência de Meningites no estado RS, entre 1999 e 2010.
A análise por faixa etária evidencia queda significativa do coeficiente de incidência de meningite por H. influenzae principalmente em crianças com menos de um ano de idade, embora este continue ser o grupo mais acometido. Dos 208 casos de meningite por Hib notificados no RS no período estudado, 52% ocorreram em crianças com menos de um ano, 30% na faixa etária entre um a quatro anos, e 18% em indivíduos com idade igual ou superior a cinco anos.
FONTE: https://www.scielosp.org/article/csc/2013.v18n5/1451-1458/
A seguir vamos analisar a incidência das bactérias mais comuns que causam meningites em crianças.
Outras meningites bacterianas como a causada por Streptococus pneumoniae e Neisseria meningitidis, em crianças com menos de um ano de idade, também mostraram queda na incidência, embora de forma menos significativa, corroborando que a queda na incidência de meningite por Hib foi devida à vacinação, e não por subnotificação.
Diagnóstico
O diagnóstico de infecções por Haemophilus é feito por cultura de sangue e líquidos do corpo. É importante considerar o sorotipo da bactéria em cepas envolvidas em doenças invasivas.
Tratamento
O tratamento é exclusivo do local/gravidade da infecção, pelo Haemophilus a terapia mais indicada é;
Leitura complementar
Aqui está um link sobre oito casos de doença invasiva por Haemophilus influenzae não tipo b em crianças internadas no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas.
https://www.scielo.br/j/rpp/a/szMmQDhyyFYNkTz9rHXqRbG/?lang=pt&format=pdf
Autor: João Victor Pinheiro Maia
Instagram: @jaovictorpinheiro
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Fontes
Patologia, Bogliolo – 9. edição – 2016
Blackbook Pediatria, Reynaldo Gomes de Oliveira 5º edição
Blackbook Clínica Médica , Reynaldo Gomes de Oliveira 2º edição
https://www.scielo.br/j/rpp/a/szMmQDhyyFYNkTz9rHXqRbG/?lang=pt&format=pdf
https://www.scielosp.org/article/csc/2013.v18n5/1451-1458/
https://familia.sbim.org.br/doencas/haemophilus-influenzae-tipo-b-hib