A gonorreia é uma doença
infecciosa causada pela bactéria Niesseria gonorrhoeae que age
principalmente no trato urogenital, porém pode afetar também o reto, a garganta
e as membranas que cobrem a parte frontal do olho. Sua transmissão é feita
quase sempre por meio do contato sexual e algumas vezes é transmitida para a
criança um pouco antes do parto (perinatal).
Epidemiologia
No Brasil, o Programa Nacional de
Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS do Ministério da Saúde estimou para o
ano de 1994, 860.265 casos de gonorreia, equivalendo a 56% do total de doenças
sexualmente transmissíveis registradas. Entretanto, oficialmente notificaram-se
119.470 casos de 1987 a 1995. A faixa etária mais afetada é situada entre 15 e
30 anos, com o maior número de casos entre 20 e 24 anos. A maioria das
notificações é encontrada em homens, provavelmente por maior facilidade
diagnóstica, já que 70% das mulheres infectadas não apresentam sintomas. A
infecção gonocócica (gonorreia) apresenta alta taxa de contágio, sendo o homem
o reservatório natural do gonococo (Niesseria gonorrhoeae). O risco de adquirir
gonorreia em um único intercurso sexual na mulher gira em torno de 50%, em duas
exposições gira em torno de 87,5%, e em mais de duas exposições de 100%. No
homem, em um único intercurso sexual, aproxima-se de 80% de chance de aquisição
da gonorreia. A infecção gonocócica e outras infecções sexualmente
transmissíveis (IST’s) geralmente são transmitidas por pessoas com infecções
assintomáticas ou que têm sintomas ignorados ou não percebidos.
Fisiopatologia
Os gonococos atacam as mucosas do
trato geniturinário, dos olhos, do reto e da garganta, causando supuração
(formação de pus) aguda podendo levar a invasão tecidual. Este processo é
seguido de inflamação crônica e fibrose. Em homens geralmente ocorre uretrite,
com pus espesso e amarelado, além de dor no momento da micção. Este processo
pode se estender até o epidídimo. Com o desaparecimento da supuração na
infecção sem tratamento, ocorre fibrose, resultando às vezes, em estenoses
uretrais. Em mulheres a infecção primária é observada no endocérvice e
estende-se à uretra e à vagina, resultando em corrimento mucopurulento. Em seguida,
pode progredir para as tubas uterinas, causando salpingite, fibrose e
obliteração das tubas
Quadro clínico
O quadro clínico varia
um pouco entre os sexos e idades, além dos locais de infecção.
HOMENS: Nos homens as principais
manifestações clínicas são a micção dolorosa além de ardência. A secreção
abundante de pus pela uretra também pode estar presente, além de dor ou inchaço
em um dos testículos.
MULHERES: As mulheres podem apresentar aumento
no corrimento vaginal, passando a ter cor amarelada e um odor desagradável.
Ademais pode ocorrer dor e ardência ao urinar, dor abdominal e pélvica e, além
disso, pode apresentar sangramento fora do período menstrual.
RECÉM-NASCIDOS: Normalmente apresentam sintomas
semelhantes a conjuntivite como olhos vermelhos e inchaço das pálpebras.
Quando a bactéria
infecta outras partes do corpo que não seja o trato geniturinário, o paciente
pode apresentar os seguintes sintomas nos seguintes lugares:
RETO: Ocorre coceira na região anal, além
de secreção de pus e sangramentos.
OLHOS: Os olhos ficam doloridos e com
sensibilidade à luz. Ademais pode apresentar secreção de pus em um ou nos dois
olhos.
GARGANTA: A garganta fica dolorida e o
paciente tem dificuldade em engolir, além de apresentar placas amareladas em
tal região.
ARTICULAÇÕES: Quando o gonococo afeta alguma
articulação do corpo, esta poderá ficar com uma maior temperatura, vermelha,
inchada e muito dolorida.
Diagnóstico
Primeiro é feito uma observação
clínica que muitas vezes já é o suficiente, porém para garantir ao paciente, é
feito o diagnóstico laboratorial. Para a realização do diagnóstico laboratorial,
primeiro é coletado amostras da infecção da uretra, do colo, do reto, da
conjuntiva ou da garganta, dependendo do sítio de infecção. Nesse material é
feito uma coloração de gram (bacterioscopia), para que aconteça a identificação
pelo microscópio. Essas bactérias podem estar em meio intracelular ou
extracelular. Já se o material for mandado para a cultura, é feito o
crescimento em ágar Thayer-Martin (Um tipo de ágar chocolate), além disso o
meio necessita de antimicrobianos para que não haja o crescimento excessivo da
bactéria. Após 48 horas da realização da cultura, os microrganismos podem ser
rapidamente identificados pelo seu aspecto no esfregaço corado pelo método de
gram, pela positividade da oxidase e por coaglutinação, imunofluorescência ou
outros testes laboratoriais. Os gonococos isolados de locais anatômicos diferentes
do trato genital ou de crianças devem ser identificados quanto à espécie pela
realização de dois testes confirmatórios diferentes, devido às implicações
legais e sociais das culturas positivas.
Tratamento
É recomendado que pacientes com infecções genitais ou retais sem complicações sejam tratados com dose única de ceftriaxona intramuscular, ou 400 mg de cefixima oral em dose única. Recomenda-se uma terapia adicional com 1g de azitromicina por via oral em dose única, ou 100 mg de doxicilina 2 vezes ao dia por 7 dias para a possível presença de infecção concomitante por Chlamydia. A azitromicina mostra-se segura e eficaz em mulheres grávidas, mas a doxicilina é contraindicada nesses casos.
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Autores, revisores e
orientadores:
- Autores: Antonio Leonardo de Oliveira Mota e Luís Eduardo Rodrigues Reis
- Revisor(a): Tiago Sampaio dos Reis – @tiagosampaio7
- Orientador(a): Geison Vasconcelos Lira – @nudemesufc