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Resumo sobre a pneumotórax espontâneo | Colunistas

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O que é pneumotórax?

O pneumotórax é o resultado da presença de ar livre no espaço delimitado pelo pulmão e a parede torácica, cavidade pleural que é um espaço virtual, tornando-se visível quando há presença de ar ou líquido. É um achado clínico comum que apresenta diversas peculiaridades, tanto na sua apresentação clínica quanto no seu tratamento (SCHENELL et al, 2017).

Figura 1: Radiografia de tórax de paciente do sexo feminino, 55 anos de idade, apresentando volumoso pneumotórax a direita, comprimindo o pulmão para a região hilar à direita. Fonte: Imagens Google.

Mais informações sobre pneumotórax, acesse nosso texto: Resumo de pneumotórax (completo)

Como pode ser classificado o pneumotórax?

O Pneumotórax é classificado como espontâneo e não espontâneo. O espontâneo divide-se em primário e secundário, enquanto que o não espontâneo é caracterizado como o traumático.

Para caracterizar o pneumotórax em primário é preciso que o mesmo seja idiopático, por outro lado, quando secundário, se deve a uma doença ou condição clínica (ex.: DPOC, doença pulmonar, pneumonia, neoplasias malignas, dentre outras) (SCHENELL et al, 2017).

Epidemiologia do pneumotórax espontâneo

O pneumotórax espontâneo trata-se de uma condição clínica relativamente comum, havendo uma incidência anual de aproximadamente 18 a 20/100,000 em homens e de 1.2 a 6.0/100,000 em mulheres (TAN et al., 2016).

Segundo Schenell et al. (2017), a maior incidência em homens que em mulheres pode dever-se aos diferentes hábitos de tabagismo entre os sexos.  No Reino Unido o pneumotórax espontâneo é responsável por cerca de 8000 admissões hospitalares por ano (BINTCLIFFE; MASKELL, 2014).

Figura 2: Ilustração demonstrando a diferença entre os biotipos brevelineo – mediolineo – longilineo. Fonte: Imagens Google.  

Pneumotórax espontâneo primário

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, o pneumotórax espontâneo primário tem uma incidência de aproximadamente 10 casos para cada 100 mil habitantes por ano no Brasil.

Predomina no sexo masculino, com perfil longilíneo (alto e magro) e em faixa etária jovem, 20-40 anos. De modo geral, é unilateral, um pouco mais frequente a direita. Poucos casos se desenvolvem dos dois lados, 2% aproximadamente, simultâneo e alternado em 4 a 10% dos pacientes.

Há alguns estudos, os quais defendem uma tendência familiar de caráter autossômico dominante. Há uma prevalência maior nos fumantes devido à inflamação das vias aéreas, de modo que se mostra proporcional ao número de cigarros/dia.

Pneumotórax espontâneo secundário

Quanto a incidência do pneumotórax espontâneo secundário, notou-se que é semelhante à do primário, entretanto, muda- se a faixa etária, sendo mais comum nos pacientes acima dos 50 anos de idade (SCHENELL et al, 2017).

A partir dos 45 anos, a incidência do pneumotórax secundário é superior, de forma que, Schenell et al. (2017) afirmam que pacientes com 50 anos ou mais e com uma história de tabagismo importante que apresentarem pneumotórax espontâneo, este deve ser classificado como secundário.

Quais as causas do pneumotórax espontâneo secundário?

A principal causa de pneumotórax espontâneo secundário é a doença pulmonar crônica obstrutiva (DPOC), respondendo por 57% casos, seguida da asma, pneumonia pelo Pneumocystis jirovecii em pacientes infectados pelo vírus HIV, fibrose cística, câncer de pulmão, tuberculose, doença pulmonar intersticial e endometriose (SCHENELL et al, 2017).

A endometriose é uma causa a se destacar, pois apesar de pouco reconhecida ela é possível, havendo casos com confirmação histopatológica de endometriose diafragmática (BINTCLIFFE; MASKELL, 2014).

Distúrbios hereditários também podem predispor ao pneumotórax, cada desordem em si é rara, mas como são muitas as que podem causar o pneumotórax espontâneo, juntas elas constituem-se uma minoria importante (BINTCLIFFE et al., 2015).

As principais são a Síndrome de Marfan, a Síndrome de Birt-HoggDubé, outras mutações mutação no gene da foliculina (FLCN), deficiência de alfa-1 antitripsina e homocistinúria.

Diagnóstico

A quantificação e diagnóstico é dado por meio de radiografia simples do tórax que mostra em aproximadamente 15% dos casos a localização preferencial nos contornos apicais dos lobos pulmonares. Entretanto, a tomografia computadorizada frequentemente é preferida, pois pode demonstrar com maior precisão a extensão e a gravidade do pneumotórax.

Figura 3: Radiografias de tórax de um paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica antes (A) e depois (B) pneumotórax. As radiografias mostram hiperexpansão pulmonar (A) e um pneumotórax do lado direito (B) particularmente marcado à direita em região inferior, com uma borda mais rasa de pneumotórax na zona superior (ver setas). Fonte: Bintcliffe et al. (2015).

Como abordar um paciente com neumotórax espontâneo?

A abordagem ao paciente com pneumotórax tem como objetivo excluir um possível pneumotórax hipertensivo, evitar morbidade precoce, aliviar a dispneia, reduzir o risco de recorrência e identificar aqueles que se beneficiariam de um procedimento cirúrgico (BINTCLIFFE; MASKELL, 2014).

A diferenciação entre um pneumotórax primário ou secundário auxilia na decisão quanto à conduta, já que pacientes com pneumotórax secundário são mais sintomáticos, as complicações são mais comuns e há uma maior propensão ao comprometimento cardíaco associado, devido principalmente à doença pré-existente (BINTCLIFFE; MASKELL, 2014).

A observação, a aspiração ou drenagem e a intervenção através cirurgia torácica são condutas iniciais disponíveis inicialmente em casos de pneumotórax. A escolha de um método será determinada pela condição clínica do paciente. Segundo Bintcliffe et al. (2015), em pacientes com evolução desfavorável a pleurodese e a válvula de Heimlich são opções a seres consideradas.

Autora: Rivca Lima

Instagram: @rivcalima


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

  1. ANDRADE FILHO, Laert Oliveira; CAMPOS, José Ribas Milanez de; HADDAD, Rui. Pneumotórax. J. bras. pneumol.,  São Paulo ,  v. 32, supl. 4, p. S212-216,  Aug.  2006 .   Available from  http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132006000900008.
  2.  BINTCLIFFE, O.; MASKELL, N.. Spontaneous pneumothorax. Bmj, [s.l.], v. 348, n. 081, g2928, 8 maio 2014.
  3. BINTCLIFFE, Oliver J et al. Spontaneous pneumothorax: time to rethink management?. The Lancet Respiratory Medicine, [s.l.], v. 3, n. 7, p.578-588, jul. 2015. Elsevier BV.
  4. SCHNELL, Jost et al. Spontaneous Pneumothorax: Epidemiology and Treatment in Germany Between 2011 and 2015. Deutsches Aerzteblatt Online, [s.l.], p.327-345, 3 nov. 2017. Deutscher Arzte-Verlag GmbH. http://dx.doi.org/10.3238/arztebl.2017.0739.
  5. TAN, Juntao et al. Association Between BMI and Recurrence of Primary Spontaneous Pneumothorax. World Journal Of Surgery, [s.l.], v. 41, n. 5, p.1274-1280, 1 dez. 2016. Springer Nature.

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