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Resumo sobre a intolerância à lactose | Colunsitas

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A intolerância à lactose é uma síndrome clínica bastante prevalente nos consultórios médicos. Acesse o texto e fique por dentro do assunto!

  • A intolerância alimentar corresponde a alterações que ocorrem nos processos metabólicos de digestão e absorção do alimento, sem que exista envolvimento de resposta imunológica nesse processo. 
  • A intolerância à lactose é uma síndrome clínica na qual o indivíduo, após ingerir lactose ou alimentos que contenham essa substância, não conseguem realizar digestão nem a absorção desse dissacarídeo. 
Referência 1

Para mais informações, acesso nossos textos: Intolerância à lactose: como realizar as indicações alimentares? e Casos Clínicos de Intolerância a Lactose: | Ligas

EPIDEMIOLOGIA

  • A prevalência de deficiência de lactase é baixa em crianças menores de seis anos e aumenta com a idade. 
  • A deficiência primária de lactase é a causa mais comum de má absorção e de intolerância à lactose. 
  • Afeta cerca de 70% da população mundial. 
  • Varia de acordo com a etnia e com o costume quanto ao uso de produtos lácteos na dieta. 

ETIOLOGIA

  • Entre as causas da intolerância, pode-se citar::
    • deficiência congênita da enzima, quando a criança nasce com um defeito genético que impossibilita a produção da lactase
    • diminuição na produção da lactase em conseqüência de doenças intestinais
    • deficiência primária, que ocorre diminuição da produção da lactase como consequência do envelhecimento. 

LACTOSE EM PRODUTOS DE CONSUMO HUMANO 

Fonte: Referência 2

FISIOPATOLOGIA DA INTOLERÂNCIA A LACTOSE

  • Sob circunstâncias normais, a lactose é hidrolisada no jejuno em seus componentes glicose e galactose. Esta hidrólise gera um aumento temporário da osmolaridade luminal, cujo efeito não é importante devido à rápida absorção dos monossacarídeos
  • Na deficiência de lactase, a lactose permanece isosmótica na sua forma não hidrolisada dentro do lúmen intestinal durante sua passagem no intestino delgado. 
  • Quando alcança o cólon, as bactérias clivam a lactose em seus dois monossacarídeos precursores, aumentando assim a carga osmótica e, por conta disso, ocorre diarreia do tipo secretória. 

QUADRO CLÍNICO

  • Entre os sintomas clínicos, existe: 
    • Dor abdominal
    • Diarreia
    • Náusea
    • Flatulência e/ou distensão abdominal (após a ingestão de refeição contendo lactose que resolve após cinco a sete dias sem ingestão desses alimentos)
  • Não é comum a perda de peso 
  • Esses sintomas podem apresentar intensidades variáveis, dependendo da quantidade de lactose ingerida e do grau de deficiência de lactase. 
  • A criança apresenta-se com fezes líquidas, explosivas, ácidas, acompanhadas de borborigmo, flatulência, dor abdominal e dermatite perineal. 
  • No Intestino Grosso as bactérias fermentam as fezes, produzindo ácidos graxos, flatulência, fezes ácidas e dermatite no períneo do paciente 

DIAGNÓSTICO DA INTOLERÂNCIA A LACTOSE

  • Existem diversas maneiras de se fazer o diagnóstico de má-absorção/intolerância a lactose
  • No Brasil, os mais comumente utilizados são o teste de tolerância à lactose e o teste do hidrogênio expirado com lactose.
  • Entre os testes, pode-se citar:
    • O teste de medida do pH e de substâncias redutoras nas fezes: considera-se sugestivo de intolerância à lactose o achado de pH ≤ 5 e a presença de substâncias redutoras ≥ 0,5 g%.
  • O teste de absorção de lactose pela sobrecarga oral: ingestão de uma quantidade determinada de lactose e o registro posterior do incremento da glicemia. Se surgirem sinais e sintomas até 48 horas após a ingestão da solução-teste, pode-se falar em intolerância à lactose. 
    • existe também a dosagem basal – quando o paciente toma a glicose, em cima dessa glicemia basal, a glicemia deve subir pelo menos 20, caso não suba, há alta probabilidade de ser intolerância a lactose
  • Teste do H2 expirado: cerca de 20% do H2 formado durante a fermentação bacteriana no nível do cólon é absorvido e eliminado pelos pulmões, podendo ser medido por cromatografia gasosa. A técnica consiste na administração de lactose nas doses recomendadas e colhe-se o ar expirado em uma seringa usando um bocal ou máscara facial ou cateter nasal. Valores normais: 10 ppm em condições adequadas de jejum. Valores anormais: > 20 ppm de H2.

TABELA COM DIFERENÇAS DE ALGUNS TESTES DIAGNÓSTICOS:

Fonte: Referência 2

TRATAMENTO DA INTOLERÂNCIA A LACTOSE

  • O objetivo do tratamento em pacientes com com esse tipo de intolerância é eliminar os sintomas enquanto mantém a ingestão de cálcio e vitamina D.

DEFICIÊNCIA CONGÊNITA DE LACTASE

  • O tratamento baseia-se na exclusão da lactose do leite por toda a vida. 
  • Além do leite materno, deve ser suspenso também o leite de quaisquer outras espécies de mamíferos (vaca e cabra).
  • Indica-se fórmulas à base de leite de vaca, isentas de lactose, ou à base de soja, sem adição de lactose. 
  • Os demais alimentos como vegetais, carnes, ovos e frutas poderão ser introduzidos gradativamente mais tarde. 

DEFICIÊNCIA PRIMÁRIA DE LACTASE

  • Os sintomas aliviam-se apenas retirando da dieta leite e derivados. 
  • Quantidades variáveis de lactose podem eventualmente ser toleradas, porque existe apenas uma redução e não ausência de lactase.
  • A restrição absoluta de lactose não é necessária nem recomendável. 
  • Essa medida evita que elas se privam de uma fonte importante de cálcio e de proteína de boa qualidade. 
  • Como nessa deficiência, a intolerância é um fenômeno dependente da dose, os pacientes respondem à restrição à lactose sem ter que evitar totalmente os produtos que contêm lactose.
  • Indivíduos com intolerância à lactose podem começar com uma restrição dietética mais rígida e então trabalhar até o limite individualmente tolerado de ingestão de alimentos contendo lactose. 

DEFICIÊNCIA SECUNDÁRIA DE LACTASE

  • A restrição dietética à lactose em geral é temporária, variando de semanas a meses, pois a tolerância é readquirida após o início do ganho ponderal.
  • O tratamento consiste na suspensão do leite de quaisquer espécies animais que não a humana.
  • O leite materno não deve ser suspenso na diarreia aguda com suspeita de intolerância secundária à lactose, uma vez que em geral os efeitos benéficos dos fatores de proteção superam os efeitos da presença da lactose.
  • A enzima lactase pode ser útil nesses casos. 

Autora: Nicoly Camila Spack

Instagram: @nispack


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

1- BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. Intolerância à Lactose. Disponível em: Acesso em: 26 out. 2021

2- PEBMED. Como diagnosticar e tratar a intolerância à lactose? Disponível em: Acesso em: 26 out. 2021

3 – GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina Interna. 23. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

4 – COELHO, J. Aparelho digestivo: clínica e cirurgia. 4ed. São Paulo: Atheneu, 2012. 

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