A rinofaringite viral abrange quadros como o do resfriado comum e ainda outros englobados sob a denominação de rinite viral aguda.
É a doença infecciosa de vias aéreas superiores mais comum da infância. Crianças menores de cinco anos podem ter de cinco a oito episódios por ano.
Esta situação é causada quase que exclusivamente por vírus. Entre as centenas deles, os mais freqüentes são rinovírus, coronavírus, vírus sincicial respiratório (VSR), parainfluenza, influenza, coxsackie, adenovírus e outros mais raros.
Pelo processo inflamatório da mucosa nasal, pode ocorrer obstrução dos óstios dos seios paranasais e tubária, permitindo, por vezes, a instalação de infecção bacteriana secundária (sinusite e otite média aguda).
Alguns agentes etiológicos, como o VSR e o adenovírus, podem estar associados à evolução para infecção de vias aéreas inferiores.
A gripe, causada pelo vírus da influenza, costuma ser classificada separadamente do resfriado comum, caracterizando-se por um quadro de IVAS com maior repercussão clínica.
Pode apresentar-se, na criança maior, com febre alta, prostração, mialgia e calafrios. Os sintomas de coriza, tosse e faringite podem ficar em segundo plano frente às manifestações sistêmicas mais intensas. Febre, diarréia, vômitos e dor abdominal são comuns em crianças mais jovens. Tosse e fadiga podem durar várias semanas.
- Transmissão: através de gotículas produzidas pela tosse e espirros (como um
aerossol), ou pelo contato de mãos contaminadas com a via aérea de
indivíduos sadios. - Contágio: é significativo em comunidades fechadas e semifechadas, como
domicílio, creches (importante na morbidade de lactentes), escolas e
outras coletividades.
- Período de
incubação: dois a cinco dias. - Período de
contágio: desde algumas horas antes, até dois dias
após o início dos sintomas. - Sinais e sintomas
A rinofaringite
pode iniciar com dor de garganta, coriza, obstrução nasal, espirros, tosse
seca e febre de intensidade variável, podendo ser mais alta em menores de
cinco anos. Alguns pacientes com essa infecção têm o seu curso sem a
presença de febre. Determinados tipos de vírus podem também causar
diarréia.
Durante a
evolução, pode surgir:
– em lactentes:
inquietação, choro fácil, recusa alimentar, vômitos, alteração do sono e
dificuldade respiratória por obstrução nasal em lactentes mais jovens;
– em crianças
maiores: cefaléia, mialgias, calafrios.
Ao exame físico, percebe-se congestão da mucosa nasal e faríngea e hiperemia das membranas timpânicas. Este último achado, isoladamente, não é elemento diagnóstico de otite média aguda, principalmente se a criança está chorando durante a otoscopia.
Alterações inespecíficas leves da membrana timpânica podem estar somente associadas a infecções de etiologia viral, considerando que esses agentes podem estar associados a infecções de ouvido médio.
Complicações da rinofaringite
Algumas
complicações bacterianas podem ocorrer durante infecções respiratórias
virais. Sugerem a ocorrência de alguma delas: persistência de febre além de
72 horas, recorrência de hipertermia após este período, ou prostração mais
acentuada. Além disto, o surgimento de dificuldade respiratória (taquipnéia,
retrações ou gemência) indicam a possibilidade de bronquiolite aguda,
pneumonia ou laringite. As complicações bacterianas mais freqüentes são
otite média aguda e sinusite.
Além disso,
episódios de infecções virais são um dos fatores desencadeantes mais
importantes de asma aguda na criança, principalmente pelos vírus sincicial
respiratório e rinovírus.
Medidas preventivas
– Lavagem das
mãos e cuidados com secreções e fômites provenientes do paciente.
– Prevenção
primária: evitar contato de pacientes mais vulneráveis (menores de 3 meses,
imunodeprimidos) com pessoas infectantes por esses vírus, especialmente em
escolas e creches.
– Não existe
nenhum estudo demonstrando o benefício do uso de vitamina C no tratamento de
IVAS na infância em relação à redução da freqüência ou gravidade das
rinofaringites.
– Vacina para
vírus da influenza
– Em casos de
crianças com IVAS recorrentes que freqüentam creche, resultando em grande
morbidade nos períodos de inverno e primavera, deve ser sempre pesa- do o
risco de permanência com o benefício de retirada da criança da creche.
Diagnóstico de Rinofaringite
O diagnóstico de
rinofaringite é essencialmente clínico. O diagnóstico diferencial deve ser
feito com manifestações iniciais de várias doenças: sarampo, coqueluche,
infecção meningocócica ou gonocócica, faringite estreptocócica, hepatite A
e mononucleose infecciosa. O surgimento de um quadro de IVAS de repetição,
com sintomas quase que permanentes nos períodos de inverno e primavera, deve
fazer o médico suspeitar da existência de rinite alérgica.
Tratamento geral da Rinofaringite
É indicado no tratamento da Rinofaringite: repouso total no período febril, hidratação e dieta de acordo com a aceitação, umidificação do ambiente, uso de antitérmico e analgésicos, como ibuprofeno, uso de descongestionante nasal, mas antes fazer a higiene e desobstrução nasal com solução salina isotônica.