Epidemiologia
Estima-se que no Brasil, anualmente, ocorra aproximadamente 5 mil casos de acidentes com aranhas com uma mortalidade de 0,12%. Porém, é provável que a notificação seja menor que o número real de casos, uma vez que existe uma grande diferença de acesso à saúde pública no país, o que acaba dificultando a notificação. A maior incidência de casos é na faixa etária entre 20 e 49 anos com predomínio do sexo masculino.
Etiologia
No Brasil, as aranhas que possuem importância médica são:
Phoneutria (aranha armadeira) – o maior número de casos ocorre entre janeiro e maio, sendo a região Sul e Sudoeste a com a maior parte das notificações. Essa aranha pode atingir de 3 a 4 cm de corpo e até 15 cm de envergadura de pernas. Possuem principalmente hábito noturno. Os acidentes costumam acontecer devido a manipulação de entulhos ou lenhas, sendo as regiões do corpo mais acometida as mãos e os pés. Provoca acidentes com frequência, mas raramente levam a um quadro grave.

Loxosceles (aranha marrom) – o maior número de casos ocorre entre outubro e março e na região Sul. Essa aranha pode atingir até 1 cm de corpo e até 3 cm de envergadura de pernas. Costumam se esconder dentro de roupas, picam quando comprimidas contra o corpo. É a forma mais grave.

Latrodectus (viúva negra) – tem baixa incidência é o maior número de casos acontece no Nordeste. Essa aranha pode atingir 1 cm de corpo e até 3 cm de envergadura de pernas. Somente as fêmeas são causadoras de acidentes que ocorrem normalmente quando comprimidas ao corpo.

Os acidentes causados por Lycosa (aranha-da-grama) e Megalomorphae (caranguejeiras), são muito frequentes, mas não possuem grande relevância em termos de gravidade.
Quadro Clínico
Phoneutria (aranha armadeira):
Manifestações locais – a picada costuma ser dolorosa e de início imediato, normalmente intensa nas primeiras 3 a 4 horas após o acidente. Pode ser acompanhada de edema, sudorese local e parestesia no membro acometido, onde pode ser vista dois pontos de inoculação. Manifestações sistêmicas – além do quadro local, os acometidos podem apresentar taquicardia, hipertensão arterial, agitação psicomotora e vômitos. Os quadros graves praticamente são restritos às crianças podendo ocorrer sintomas como sudorese profusa, sialorréia, priapismo, hipotensão, choque e edema pulmonar agudo, podendo até evoluir para óbito.
Loxosceles (aranha marrom):
Manifestações locais – a
picada costuma não ser dolorosa. No entanto, o quadro clínico decorrente do
envenenamento pode seguir dois aspectos:
- Forma cutânea – tem instalação lenta e progressiva e é caracterizada por dor, edema endurado e eritema no local da inoculação. Os sintomas costumam de acentuar nas primeiras 24-72 horas podendo apresentar:
- Lesões incaracterística: bolha serosa, edema, calor, rubor com ou sem dor a queimação
- Lesão sugestiva: enduração, bolha, equimose e dor em queimação
- Lesão característica: dor em queimação, lesões hemorrágicas focais com áreas de palidez e necrose. Normalmente é nesse momento que ocorre o diagnóstico.
A lesão cutânea pode
evoluir para necrose seca (escara) entre 7 e 12 dias e que após 3-4 semanas
acaba formando uma úlcera de difícil cicatrização.
Manifestações sistêmicas: mal-estar, cefaleia, febre, exantema.
2. Forma cutâneo-visceral (hemolítica) – além do comprometimento cutâneo também é possível observar manifestações clínicas decorrentes da hemólise intravascular como anemia, icterícia e hemoglobinúria que normalmente se instalam nas primeiras 72 horas. O quadro pode ser acompanhado de petéquias e equimoses relacionadas a coagulação intravascular disseminada. A principal complicação é a insuficiência renal aguda.

Latrodectus (viúva negra):
Manifestações locais –
dor no local da picada de pequena intensidade, que costuma evoluir para
sensação de queimação, pápula eritematoso e sudorese localizada.
Manifestações sistêmicas – dor irradiada, contrações espasmódicas dos membros inferiores, contratura musculares intermitentes, tremores, dor com rigidez abdominal e fáceis latrodectísmica (contratura facial e trismo dos masseteres). Sintomas cardiovasculares como opressão precordial, sensação de morte iminente taquicardia e hipertensão seguida de bradicardia também podem estar presentes. Alguns sintomas que são menos frequentes: náuseas, vômitos, retenção urinaria, priapismo, ptose e edema bipalpebral.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico-epidemiológico, não sendo necessários outros exames complementares para confirmação.
Tratamento
Phoneutria (aranha armadeira) – o tratamento é sintomático com compressa morna no local da inoculação e analgésico sistêmico; pode ser realizada a infiltração anestésica local ou troncular sem vasoconstritor à base de lidocaína 2%. Se recorrência de dor, pode realizar uma nova infiltração em intervalo de 60 minutos. A soroterapia é restrita às indicações conforme gravidade do acidente.

Loxosceles (aranha marrom) – tratamento soroterápico em pacientes classificados clinicamente como moderados ou graves. A administração dos antivenenos deve ser feita por via intravenosa.

Latrodectus (viúva negra) – o tratamento é sintomático e de suporte (antissepsia local, aplicação de gelo, compressa de água morna, analgésico se necessário).

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Autores, revisores e orientadores:
Autor(a): Amanda Oliveira Sousa Rodrigues
Coautor(a): Fabiana Helena Andrade Gomes
Revisor(a): Carolina Jimenez Miranda
Orientador(a): Alecianne Azevedo
Braga
Liga: Liga Baiana de Emergências (LBE) – @lbeunifacs