O esôfago de Barret é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma esofágico. De acordo com dados epidemiológicos, estima-se que essa patologia atinge cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil.
Entre os doentes com esôfago de Barrett, há uma prevalência no sexo masculino, entre a 50 e 70 anos. O risco de desenvolver adenocarcinoma é 30 a 125 vezes maior que o da população geral. O adenocarcinoma do esôfago é um tumor letal, com uma taxa de sobrevivência em cinco anos de 20%.
Histologia do esôfago
O esôfago é responsável pela condução dos alimentos desde a faringe até o estômago. Histologicamente ele é formado por quatro camadas:
- Mucosa
- Submucosa
- Camada muscular
- Adventícia
Mucosa
É a camada mais interna do tubo, formada por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. Nessa região existem 3 subcamadas:
- Epitélio de revestimento: adjacente ao lúmen
- Lâmina própria: local em que a mucosa se apoia, formada por tecido conjuntivo frouxo, rico em vasos e que emite papilas que penetrem até cerca de um terço de espessura do epitélio
- Muscular da mucosa: formada por faixa de tecido muscular liso entremeado por fibras elásticas
Na imagem abaixo, em 1, observa-se o epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Em 2, a lâmina própria, constituída de tecido conjuntivo. Já em 3, a muscular da mucosa.
Submucosa
É formada por tecido conjuntivo denso não modelado. Na imagem abaixo é possível observar o corte de esôfago em aumento de 4x, corado por Azul de Toluidina.
Em 1, observa-se o epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. O número 2 mostra a lâmina própria, constituída de tecido conjuntivo; em 3, a camada submucosa; em 4, a camada muscular, formada por músculo estriado esquelético; e em 5, a camada adventícia. A seta aponta a camada muscular da mucosa, que separa a mucosa da submucosa.
Camada muscular
Constituída predominantemente por músculo estriado esquelético, que progressivamente é substituído por fibras musculares lisas, que tornam-se únicas a partir da metade inferior do órgão. É composta por duas camadas:
- Circular interna
- Longitudinal externa
É na camada muscular que está presente o plexo nervoso mioentérico (de Auerbach), que são essenciais para os movimentos peristálticos.
Adventícia
Composta por tecido conjuntivo denso não modelado. Na imagem abaixo é possível visualizar todas as camadas do esôfago.
Esôfago de Barret
O esôfago de Barret consiste na metaplasia do epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado presente no esôfago por epitélio colunar metaplásico do tipo intestinal.
Em geral, essa patologia associa-se a esofagite de refluxo de longa duração. Os principais riscos dessa doença são o desenvolvimento de úlcera péptica e malignização (adenocarcinoma).
Manifestações clínicas
Dentre os principais sintomas do esôfago de Barret, estão:
- Síndrome dispéptica: pirose, regurgitação, distensão abdominal
- Síndrome álgica
No entanto, muitas pessoas com esôfago de Barrett não apresentam sintomas.
Patologia do esôfago de Barret
Dentre as principais formas de diagnosticar o esôfago de barret estão:
- Endoscopia digestiva alta (EDA)
- Biópsia
Na EDA encontra-se uma mucosa metaplasia, com aspecto aveludado e de cor salmão ou rosa-claro, que forma pequenas projeções digitiformes na mucosa. Além disso, é possível encontrar áreas de mucosa própria do esôfago, que ainda não foi metaplasiada.
Os principais achados na biópsia é a observação de áreas com metaplasia intestinal em substituição ao epitélio escamoso. O epitélio metaplásico, de aspecto viloso, é representado por metaplasia intestinal incompleta, com fenótipo misto (intestinal e gástrico), em que os achados mais importantes são as células caliciformes.
A evolução do esôfago de Barret para o adenocarcinoma
Nesses casos encontram-se no mesmo paciente epitélio de Barret, displasia e adenocarcinoma, indicando a sequência evolutiva da lesão.
O epitélio metaplásico pode apresentar displasia de baixo ou alto grau, de acordo com a intensidade das atipias celulares e arquiteturais. Dentre as principais características dessa displasia, estão:
- Proliferação desordenada
- Pseudoestratificação do epitélio
- Justaposição de glândulas
- Hipercromasia nuclear
- Perda de células caliciformes e nucléolo
A microscopia mostra uma lesão ulcerada, de bordas irregulares, sinuosos, de limites imprecisos, com um fundo pardo granuloso, recoberto com exsudato fibrino-neutrofílico.
Referência bibliográfica
- BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo. Patologia Geral. 9 a edição. Editora Guanabara. Koogan S.A., Rio de Janeiro, RJ, 2016.
- KUMAR, Vinay. Robbins & cotran-patologia bases patológicas das doenças 8a edição. Elsevier Brasil, 2010.