Definição
A hemofilia é um distúrbio hereditário recessivo ligado ao sexo na qual há deficiência nas proteínas da via intrínseca da coagulação o que gera uma formação inadequada de trombina em locais de lesão vascular. Ela pode ser caracterizada em hemofilia A, a qual o feito é no fator de coagulação VIII (fator anti-hemofílico) ou hemofilia B, em que o defeito é no fator IX (fator antihemofílicoB, ou fator Christmas).
Epidemiologia
As hemofilias A e B são doenças determinadas por alterações no cromossomo X, logo atingem majoritariamente o sexo masculino, e estimasse que os casos ocorram em 1 por 5.000 e 1 por 30.000 recém-nascidos do sexo masculino, respectivamente.
Há maior incidência de hemofilia A por conta da maior quantidade de DNA “em risco” para mutação no gene do fator VIII (186.000 pares de bases) comparado com o gene do fator IX (34.000 pares de bases).
Tem um índice mais alto se comparado a doenças autossômicas recessivas, as quais aumentam a frequência diante de relação consanguíneas.
Fisiopatologia
Os genes responsáveis pela manifestação da doença, fatores VIII e IX, estão localizados no braço longo do cromossomo X. Homens com alelo defeituoso em seu único cromossomo X transmitem esses genes a todas as suas filhas, que são portadoras obrigatórias, mas a nenhum de seus filhos, pois se trata de uma doença recessiva. Metade dos filhos das mulheres portadoras obrigatórias que herdarem o cromossomo X defeituoso desenvolve o distúrbio de coagulação e metade das filhas serão portadoras obrigatórias.
As mulheres portadoras podem manifestar sintomas similares à hemofilia caso os alelos no cromossomo X sejam inativados de modo desigual (lionização. A hemofilia feminina pode surgir como resultado da combinação entre um homem hemofílico e uma mulher portadora (homozigoto para o gene defeituoso do fator VIII ou fator IX) ou em mulheres portadoras que têm o cariótipo 45 XO (síndrome de Turner) e são hemizigotos para o gene defeituoso da hemofilia.
As hemofilias são causadas por mais de uma mutação, sendo já comprovadas mutações pontuais missense e nonsense, deleções e inversões, sendo as duas primeiras responsáveis por manifestações mais brandas da doença. A forma mais grave da doença se manifesta, majoritariamente, quando há inversão no intron 22, resultando em recombinação e da translocação do DNA dentro do intron 22 do gene do fator VIII, com áreas de DNA “não funcional” extragênico, mas homólogo, localizadas a distância do intron 22.
Quadro Clínico
É caracterizada por hemorragia incontrolável após lesões dos tecidos, podendo haver manifestações mais graves como eventos hemorrágicos espontâneos frequentes nas articulações (hemartrose) e tecidos moles e por hemorragia profusa com traumatismo ou cirurgia. Pela análise clínica as hemofilias A e B são indistinguíveis entre si. Quanto menos níveis séricos circulantes de atividade coagulante dos fatores VIII ou IX, maior é a gravidade da doença.
Diagnóstico
O diagnóstico de hemofilia é suspeito com base na história familiar e pessoal de sangramento e detecção laboratorial de prolongamentos do TTPa (com o TP normal). É confirmada pela dosagem da atividade do fator VIII ou IX plasmática reduzida significativamente. Porém, o TTPa não é suficientemente sensível ao teste de triagem para ser prolongado em hemofílicos leves, nos quais o nível do fator VIII é algumas vezes maior que 30% do normal.
Tratamento
O tratamento consiste na reposição de proteína dos fatores de coagulação (VIII e IX) defeituosos ou ausentes no organismo. O diagnóstico prévio é fundamento para uma maior efetivação do tratamento.
Autores e revisores
Autor: Bruna Pena Mauricio Santana
Revisor: Bruna Andressa da Silva de Freitas
Liga: Liga Baiana de Emergência
Insta: @lbeunifacs
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
GOLDMAN, L. AUSIELLO, D. Cecil Medicina. 24ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier Sauders, 2018.
ZAGO, MA, FALCÃO, RP, PASQUINI, R. Tratado de hematologia. 1ª ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2013.