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Resumo: folie à deux ou transtorno delirante induzido | Colunistas

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Definição

Folie à deux, transtorno delirante induzido, psicose induzida, psicose compartilhada ou loucura a dois, são algumas denominações de uma síndrome rara definida como o compartilhamento de sintomas psicóticos entre dois ou mais indivíduos, caracterizada por transferência de delírios de um sujeito considerado primariamente psicótico para um ou mais sujeitos secundários, considerados intimamente ligados a ele. 

Epidemiologia

Grande parte dos sujeitos indutores são mulheres e o compartilhamento acontece mais entre parceiros ou entre mães e filhos. As pessoas de idade avançada parecem ser mais vulneráveis à essa condição e cerca de 60% dos sujeitos secundarios ou receptores têm apenas o transtorno psicótico induzido como diagnóstico.

Sem intervenção terapêutica, o curso pode ser crônico, uma vez que o transtorno ocorre com maior frequência em relacionamentos de longa duração e resistentes a mudanças.

Fisiopatologia e Quadro Clínico

Ela pode ser compartilhada por três -“folie à trois”, quatro -“folie à quatre” ou mais pessoas  -“folie en famille” e até mesmo todo um grande grupo de pessoas -“folie à plusieurs”. 

é uma síndrome rara, classicamente descrita por Lasègue e Falret em 1877 como sendo o compartilhamento de sintomas psicóticos entre dois ou mais indivíduos. Foi a partir de

Lasègue que essa síndrome obteve importância clínica. Na literatura científica, pode-se encontrar essa síndrome com várias denominações: insanidade compartilhada, insanidade contagiosa, loucura infecciosa, psicose de associação e dupla insanidade. 

Fatores genéticos parecem estar envolvidos, porém, fatores ambientais também ajudam a determinar o desenvolvimento desta doença, já que é necessário o convívio íntimo entre os parceiros para que ela ocorra. 

Gralnick propôs uma classificação de folie à deux que ainda continua sendo referenciada na literatura científica:

“Folie imposée” = loucura imposta – uma pessoa dominante, conhecida como “primária”, “indutora” ou “principal”, forma inicialmente uma crença ilusória durante um episódio psicótico e a impõe a outra pessoa ou mais pessoas, conhecidas como “secundárias” ou “receptoras”.

“Folie simultanée” = loucura simultânea – descreve a situação em que duas pessoas que sofrem independentemente de psicose influenciam o conteúdo das ilusões uma da outra, tornando-se idênticas ou surpreendentemente semelhantes.

“Folie communiquée” = loucura comunicada – após longo período de resistência, a pessoa saudável acaba sendo envolvida, mas a psicose persiste mesmo quando a pessoa secundária é separada da causadora.

“Folie induite” = loucura induzida – um paciente com psicose grave adiciona ideias delirantes a um paciente susceptível à psicose.

Contudo, na classificação atual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais -DSM-5-, esses casos são classificados como outro transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico especificado, com o especificador sintomas delirantes em parceiro de pessoas com transtorno delirante.

Na classificação de transtornos mentais e de comportamento da Classificação Internacional de Doenças -CID-10-, esse quadro é classificado como transtorno delirante induzido.

Diagnóstico

Na CID-10, os critérios envolvem duas ou mais pessoas que partilham o mesmo delírio e que têm um relacionamento íntimo e geralmente estão isoladas das demais, que pode ser por questões de língua, cultura ou geografia. A CID-10 também descreve que somente uma das pessoas envolvidas no compartilhamento do delírio sofre de um transtorno psicótico  legítimo. Além disso, é preciso que haja de que o delírio foi induzido no sujeito secundario ou nos suejeitos do grupo por contato com o sujeito primário. 

Já o DSM-5 diz que, no contexto de um relacionamento, os conteúdos dos delírios do sujeito primario oferecem base para uma crença delirante pelo sujeito secundario que, de outra forma, não poderia cumprir totalmente os critérios para transtorno delirante. Por outro lado, diferentemente da CID-10, que enfatiza um relacionamento íntimo, o DSM-5 exige apenas um relacionamento.

O sujeito que é o verdadeiro psicótico geralmente é de caráter mais enérgico e ativo que o sujeito secundario, a pessoa induzida, mas este também exerce um papel ativo. O indivíduo que sofre a influência do indutor é mais tímido, mais passivo e com menor autoestima que o sujeito primário e costuma viver uma relação constante com este, de forma praticamente isolada de outras pessoas, assim ficancando alheio à uma rede mais ampla de contatos sociais significativos. As ideias delirantes de ambos sujeitos se retroalimentam e eles passam a compartilhar um sistema comum de crenças.

O diagnóstico mais comum do sujeito primario costuma ser a esquizofrenia, embora possa haver também outros diagnósticos. 

Ele se engaja na sua loucura em função de algum interesse pessoal. A natureza desse interesse parece apontar para uma recompensa como apoio, intimidadee e etc, que se fortalecem com o desenvolvimento do transtorno delirante induzido. 

O conteúdo das crenças delirantes compartilhadas pode depender do diagnóstico do sujeito primário. 

Texto

Descrição gerada automaticamente
Fonte: https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/view/477/553
Imagem: Achados clínicos comuns da Folie à deux

Tratamento

Quando  se  detecta  uma  relação de dominância entre o sujeito primariamente delirante  e  um  segundo sujeito altamente  sugestionável -folie  imposée,  o  tratamento consiste  na separação  dos sujeitos. Quando a separação é insuficiente para a remissão do quadro, ambos sujeitos provavelmente  elaboraram  um  estado  verdadeiramente delirante  e  devem  ter  o  quadro  psicótico  e  a  patologia  de  base  especificamente  abordados.

Frequentemente é necessário começar o tratamento separando os sujeitos envolvidos. A simples separação dos indivíduos envolvidos geralmente já é suficiente para curar a pessoa induzida a acreditar na psicose. Ja o sujeito primário geralmente necessita tratamento medicamentoso com antipsicóticos. O sujeito secundário na maioria dos casos pode ser tratado com psicoterapia, mas se seu comprometimento for especialmente grave e ele for susceptível à psicose, pode também necessitar medicação, caso o afastamento não seja suficiente.

Existe um consenso no que se  refere  a  abordagem  do  quadro  psicótico  com  as terapêuticas   usuais.  Já  a  separação  dos  parceiros  como meio  terapêutico  é  bastante  controversa  embora  tradicionalmente  seja constantemente recomendada.

Diversos  relatos  de  casos  clínicos  referem  remissão  do quadro após separação. 

O manejo da folie à deux pode ser dificultado porque frequentemente apenas um dos parceiros se apresenta  para  o  tratamento.  

Autora: Rebecca Couto Dominguez – @rebeccadmgz


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

  1. MACHADO, Leonardo; CANTILINO, Amaury; PETRIBÚ, Kátia; et al. Folie à deux (transtorno delirante induzido). Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 64, n. 4, p. 311–314, 2015. Disponível em: . Acesso em: 8 Nov. 2021.
  2. FELIX, M. A. et al. FOLIE À DEUX: CONCEITO E RELATO DE CASO. 2017. Disponível em: file:///C:/Users/Becca/Documents/73-Texto%20do%20Artigo-117-1-10-20210626.pdf.

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