Anúncio

Resumo do Nervo Facial: anatomia, semiologia e doenças relacionadas

Resumo de Nervo Facial

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

O nervo facial consiste no VII par dos nervos cranianos. Se origina na ponte e possui uma raiz motora e uma raiz sensitiva. As fibras eferentes são fibras motoras ou fibras parassimpáticas, enquanto as fibras aferentes são sensitivas. Isso garante algumas responsabilidades à esse nervo:

  • Movimentos faciais/mímica facial
  • Secreção lacrimal
  • Secreção salivar (inervação das glândulas submandibular e sublingual)
  • Gustação dos 2/3 anteriores da língua

Anatomia do Nervo Facial

O  NC VII emerge do crânio através do forame estilomastóideo localizado entre os processos mastóide e estilóide. Imediatamente dá origem ao nervo auricular posterior, que segue posterossuperiormente à orelha para suprir o músculo auricular posterior e o ventre occipital do músculo occipitofrontal.

O tronco principal do NC VII segue anteriormente e dará origem aos cinco ramos terminais do nervo facial: temporal, zigomático, bucal, marginal da mandíbula e cervical. Os nomes dos ramos referem-se às regiões que inervam

Esquema realizado com os dedos da mão para direcionar os ramos do NC VII
Esquema realizado com os dedos da mão para direcionar os ramos do NC VII. Fonte: Anatomia Orientada para a Clínica – Moore

O ramo temporal do NC VII emerge da margem superior da glândula parótida e cruza o arco zigomático. É responsável por inervar, principalmente, a parte superior do músculo orbicular do olho, mas também inerva os músculos auricular superior e auricular anterior e o ventre frontal do músculo occipitofrontal.

O ramo zigomático do NC VII segue inferiormente ao olho para suprir a parte inferior do músculo orbicular do olho e outros músculos faciais inferiores à órbita.

O ramo bucal do NC VII segue externamente ao músculo bucinador para suprir este músculo e os músculos do lábio superior.

O ramo marginal supre os músculos risório e do lábio inferior e do queixo. 

O ramo cervical percorre a margem inferior da glândula parótida e posterior à mandíbula para inervar o músculo platisma.

Visualização da anatomia dos ramos terminais do nervo facial (NC VII)
Visualização da anatomia dos ramos terminais do nervo facial (NC VII). Fonte:  Fonte: Anatomia Orientada para a Clínica – Moore

Semiologia 

Semiologicamente, a parte mais importante para avaliação é a parte motora do nervo facial. Por isso, o exame do par VII dos nervos cranianos é realizado através, principalmente, da observação da mímica facial. Deve ser avaliada tanto em repouso como durante a conversa com o paciente. Assimetrias, tiques e movimentos anormais devem ser investigados. 

O exame ativo deve ser realizado através de alguns comandos solicitados ao paciente como:

  • Elevar as duas sobrancelhas – “enrugar a testa”
  • Franzir a testa.
  • Fechar os olhos com força. Neste momento, pode-se tentar abrir os olhos do paciente para avaliar a força muscular.
Tentativa de abrir os olhos do paciente enquanto ele faz força ativamente para mantê-los fechado
Tentativa de abrir os olhos do paciente enquanto ele faz força ativamente para mantê-los fechado. Através desse exame avalia-se a força muscular. Fonte: Propedêutica médica – Bates
  • Mostrar os dentes superiores e inferiores.
  • Sorrir
  • Assobiar
  • Encher as bochechas de ar

Doenças relacionadas ao Nervo Facial

Antes de citar algumas patologias relacionadas a alterações do nervo facial, é necessário entender e diferenciar quando o acometimento ocorre de forma central ou periférica no nervo. Na lesão via corticonuclear (ou central) somente a metade inferior da face contralateral é comprometida, preservando os músculos da testa, devido à inervação bilateral dessa área. Quando a lesão é periférica, a hemiface homolateral é completamente comprometida. 

A preservação da musculatura da testa deve estimular uma avaliação mais aprofundada. Vale ressaltar que essas lesões centrais ocorrem com mais frequência nos AVCs e nas neoplasias cerebrais. 

Paralisia de Bell – é a causa mais comum de paralisia facial periférica espontânea aguda. A causa mais provável dessa afecção é a ativação do vírus herpes simplex (HSV), que culmina no edema do nervo. O exame físico deve ser feito normalmente, observando com maior atenção o ouvido externo em busca de vesículas ou crostas ou lesões de massa dentro das glândulas parótidas. 

Entretanto, por não haver um método bem estabelecido e disponível para diagnóstico de HSV nesses casos, a maioria dos pacientes com paralisia facial periférica é tratado como portador de paralisia de Bell.  

Homem com paralisia idiopática do nervo facial periférico ou paralisia de Bell.
Homem com paralisia idiopática do nervo facial periférico ou paralisia de Bell. A – É possível notar a incapacidade de erguer as sobrancelhas do lado esquerdo. B e C – dificuldade em fechar os olhos e incapacidade de levantar o lado esquerdo da boca. Fonte: © 2021 UpToDate, Inc

Paralisia facial unilateral – de modo geral, identifica-se lagoftalmia, ausência do ato de piscar, epífora, desvio da boca para o lado normal com queda do lado paralisado quando o indivíduo fala, sorri ou faz caretas. A pessoa também apresenta dificuldade para assobiar e encher as bochechas de ar. Além das causas virais, pode ter como etiologia o diabetes Mellitus, as neoplasias, a otite média e os traumatismos.

A paralisia da face se chama prosopoplegia e, quando bilateral, fala-se em diplegia facial

Fraqueza muscular facial – pode ser observada através da retificação da prega nasolabial e a queda da pálpebra inferior. Ao exame físico, é identificada pela facilidade na abertura ocular pelo examinador quando o paciente é solicitado que mantenha o olho fechado e exerça força para tal.

Doença de Lyme – é uma doença transmitida por carrapatos que, dentre várias sequelas, pode cursar com paralisia do nervo facial. Por ser extremamente raro paralisia facial idiopática em crianças, a doença de Lyme deve ser suspeitada como causa de paralisia facial nessa faixa etária numa área endêmica (ou com histórico de ter estado numa área endêmica). Também pode-se suspeitar em adultos com a mesma epidemiologia. 

Paralisia facial bilateral – é rara e sua ocorrência deve alertar para a investigação de condições como síndrome de Guillain-Barré, sarcoidose, infecção por HIV, doença de Lyme e outras meningites basilares.

Posts relacionados:

Referências:

BICKLEY, L.S. BATES – Propedêutica Médica. 12ª ed. Guanabara Koogan, 2018.

HALPERIN, John. Nervous system Lyme disease.  UpToDate, Inc., 2017. Acesso em: 20 de maio 2021.

MOORE, K.L.; DALEY, A.F.; AGUR, A.M.R. Anatomia orientada para a clínica. 7a edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2014.

PORTO, C.C. Semiologia Médica. 8ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara, 2019

RONTHAL, Michael; GREENSTEIN, Patricia. Bell’s palsy: Pathogenesis, clinical features, and diagnosis in adults.  UpToDate, Inc., 2020. Acesso em: 20 de maio 2021.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Minicurso Gratuito

+ Certificado

Anatomia de Cabeça e Pescoço

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀