Saiba nesse artigo um resumo do que você precisa saber sobre digoxina, incluindo indicações, interações e mais informações.
A digoxina é um medicamento amplamente utilizado no manejo de condições cardíacas, especialmente insuficiência cardíaca congestiva e arritmias, como fibrilação atrial.
Derivada da planta Digitalis lanata , a digoxina possui propriedades cardiossativas únicas que trazem benefícios para seu efeito terapêutico, mas também exigem monitoramento cuidadoso devido ao risco de toxicidade.
A digoxina é o único glicosídeo utilizado para fins medicinais atualmente. Trata-se de um fármaco proveniente da planta dedaleira (Digitalis spp.).
Desse modo, esse artigo irá te orientar sobre a digoxina, para um aprimoramento médico e compreensão do que está no coditiano da sua rotina como profissional da saúde.
O que é e quais são seus efeitos?
Suas funções cardíacas são conhecidas desde 1775, quando Withering (1775) afirmou que “tem um poder sobre o movimento do coração em um grau ainda não observado em qualquer outro remédio…”. Atualmente, sabe-se que seus efeitos cardíacos consistem em:
- redução da frequência cardíaca e da velocidade de condução nó AV;
- aumento da força de contração (efeito inotrópico positivo); e
- distúrbios de ritmo, principalmente bloqueio da condução AV e aumento da atividade marcapasso ectópica.
Apresentação da Digoxina
A digoxina faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), o que garante sua disponibilidade nos serviços de saúde públicos. Pode ser encontrada nas apresentações de:
- Embalagens contendo 20, 25, 30 ou 100 comprimidos de 0,25 mg; e
- Frascos com 60 ml de elixir de 0,05mg/mL – podem ser utilizados na pediatria.
Mecanismos de ação da digoxina
A digoxina exerce seu efeito inotrópico positivo através da inibição da bomba de Na+/K+ nos miócitos cardíacos. Para isso, liga-se na porção extracelular da subunidade da Na+/K+ -ATPase, inibindo-a.
Essa alteração modifica as concentrações de Na+, que resulta num aumento transitório de Ca+, provavelmente decorrente dos depósitos intracelulares. O Ca+em excesso resulta num aumento da tensão de contração cardíaca.
Já o retardo da condução AV decorre do aumento da atividade vagal, e é por isso que esse digitálico é benéfico no tratamento de fibrilação atrial rápida estabelecida.
O aumento do período refratário do nó AV, resulta em redução da frequência da redução ventricular (entretanto, a taquicardia atrial permanece, uma vez que a atuação é no nó AV e não no nó sinusal), aumentando a eficiência cardíaca pois restabelece o enchimento ventricular. O nó sinusal, por sua vez, só sofre alteração em doses elevadas de digoxina.
Farmacocinética e farmacodinâmica da digoxina
A principal via de administração da digoxina é por via oral, podendo ser utilizada por via intravenosa em casos de urgência.
80% da sua eliminação é renal, necessitando de atenção no uso em pacientes com insuficiência renal, pois sua meia-vida se torna maior. A meia-vida normal de eliminação é de aproximadamente 36 horas.
Indicações
Os médicos utilizam a digoxina para reduzir a frequência ventricular na fibrilação atrial rápida persistente e tratar a insuficiência cardíaca em pacientes que continuam sintomáticos, mesmo com o uso de diuréticos e inibidores da enzima conversora de angiotensina.
Vale ressaltar que a digoxina também pode ser utilizada para indicações cardíacas fetais, pois ultrapassa a barreira placentária, e maternas, não havendo evidências de dano fetal ou efeito teratogênico.
Contraindicações
Pacientes com amiloidose não devem utilizar este medicamento, pois a digoxina se liga às fibrilas amiloides, aumentando o risco de toxicidade.. Além disso, seus efeitos inotrópicos neste grupo de pacientes não se mostrou benéfico.
Efeitos adversos
A principal preocupação do uso da digoxina é sua estreita margem de segurança entre a efetividade terapêutica e a toxicidade, que pode ser fatal. Por isso, os pacientes em uso dessa medicação precisam ficar sob monitoração devido a concentração sérica dessa substância.
Os efeitos adversos são comuns e incluem náuseas, vômitos, diarreia e confusão, podendo ser graves. Os efeitos adversos cardíacos são variados e incluem:
- Bloqueio AV, devido a diminuição da velocidade de condução do nó AV;
- Batimentos ectópicos, pois a troca de Na+/K+ é eletrogênica e a inibição dessa bomba resulta em despolarização, propiciando alteração do ritmo cardíaco; e
- Bigeminismo, pois o aumento da concentração de Ca+pode causar aumento da pós-despolarização, resultando em batimentos acoplados. Essa alteração pode causar taquicardia ventricular e/ou fibrilação ventricular.
Interações medicamentosas
Os glicosídeos interagem com alguns medicamentos, dentre eles:
- Diuréticos, pois o efeito adverso desses medicamentos é a hipopotasemia. Na vigência da diminuição de K+ plasmática, ocorre redução da competição no sítio de ligação do K na bomba de Na+/K+ -ATPase. Essa redução de competição torna o acesso livre à digoxina, que tem seu efeito aumentado e pode causar arritmias;
- Verapamil, Quinidina e Amiodarona, pois podem aumentar a concentração de digoxina sanguínea, sendo necessário a redução da dose desse digitálico;
- A colestiramina e os antiácidos reduzem a absorção intestinal da digoxina. Por isso, é necessário tomar essas medicações em momentos distintos ou aumentar a dose diária do glicosídeo.
- Alguns antibióticos, como a tetraciclina e a eritromicina podem influenciar no metabolismo intestinal da digoxina, resultando em aumento da sua concentração.
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Referências:
Rang, H.P; Dale, M.M. Farmacologia. Editora Elsevier, 8 ed., 2016




