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Resumo de transtorno esquizoafetivo | Ligas

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Introdução

O transtorno
esquizoafetivo se caracteriza por apresentar elementos tanto da esquizofrenia
quanto das alterações de humor. A terminologia de transtorno esquizoafetivo foi
introduzida em 1933 por Jacob Kasanin para designar pacientes com sintomas
esquizofrênicos e de transtornos de humor, frequentemente, de início súbito
durante a adolescência. A tendência geral era de um funcionamento pré-mórbido
adequado com estressor específico desencadeante dos sintomas. A história
familiar costuma incluir transtornos de humor.

A prevalência
do transtorno esquizoafetivo é de menos de 1% ao longo da vida, mas a
estimativa pode ser imprecisa porque estudos diferentes divergem no critério
diagnóstico sendo que, na prática clínica, o diagnóstico costuma ser atribuído
aos pacientes de incerteza diagnóstica. A diferença de incidência por sexo e
idade é semelhante àquela dos transtornos de humor, afetando homens e mulheres
igualmente em casos de subtipo bipolar e duas vezes mais frequentes em mulheres
para o subtipo depressivo. Na variação de idade, o subtipo depressivo afeta
pessoas mais velhas, enquanto o subtipo bipolar é mais comum em jovens adultos.
O transtorno costuma iniciar mais tardiamente nas mulheres, assim como na
esquizofrenia.

O prognóstico
costuma ser melhor, quando comparado aos pacientes esquizofrênicos, mas pior
àqueles com transtorno de humor. Costumam apresentar quadro menos deteriorante
que a esquizofrenia e respondem melhor ao lítio.

Etiologia
e Classificação

A causa do
transtorno é desconhecida. Acredita-se que pode se tratar de um subtipo de
esquizofrenia, de transtorno de humor ou ainda uma combinação de ambos os
transtornos ou, além disso, uma combinação de sintomas de humor com psicose não
esquizofrênica. As evidências atuais apontam para um grupos heterogêneo de
transtornos que podem incluir todas essas situações.

Acredita-se em
um componente genético e familiar que relaciona a esquizofrenia com os
transtorno de humor. Nesse sentido, uma mutação do gene da esquizofrenia 1
(DISC1), no cromossomo 1q42 parece estar envolvida tanto nos transtornos
esquizofrênicos como nos transtornos bipolar e esquizoafetivo.

Do ponto de
vista da classificação diagnóstica, os pacientes podem ser divididos em 6
grandes grupos: 1) pacientes esquizofrênicos com sintomas de transtornos do
humor, mas que não fecham critério para o segundo; 2) pacientes com transtorno
de humor com sintomas esquizofrênicos, mas que não fecham critério para o
segundo; 3) pacientes com transtorno de humor e esquizofrenia, com critério
para ambos; 4) pacientes com transtorno de humor e sintomas psicóticos não
relacionadas à esquizofrenia; 5) pacientes com um transtorno intermediário
entre transtorno de humor e esquizofrenia; e 6) pacientes com uma combinação
não especificado de uma das categorias anteriores.

Diagnóstico e características clínicas do transtorno esquizoafetivo

Os critérios
para diagnóstico do DSM-V exige uma período ininterrupto de episódio depressivo
ou maníaco que cursa simultâneo com algum dos critérios do grupo A para
esquizofrenia, bem como presença de delírios ou alucinações por 2 semanas na
ausência de episódio de humor. Os sintomas de alteração de humor devem estar
presentes na maior parte da duração das fases ativa e residual da doença.
Ademais, deve-se excluir o efeito de substâncias como causa dos sintomas.

O diagnóstico
diferencial deve ser feito com todos os transtornos de humor e esquizofrenia.
Os sintomas esquizofrênicos devem ter diagnóstico diferencial com as psicoses
de causa orgânica ou induzido por substâncias. Outras condições clínicas devem
ser excluídas, bem como anormalidades neurológicas evidenciadas por exames de
imagem, eletroencefalograma, sendo que o último pode evidenciar alterações
convulsivas, como epilepsia de lobo temporal.

Tratamento do transtorno esquizoafetivo

O uso de
estabilizadores de humor constitui o centro da terapêutica nos transtornos
esquizoafetivos de subtipo bipolar, com boa resposta ao lítio e carbamazepina.
No subtipo depressivo, a carbamazepina apresenta resposta melhor. Esses agentes
podem ser combinados com antipsicóticos, sendo que episódios maníacos merecem
tratamento agressivo, com estabilizadores de humor em alta dose terapêutica,
podendo ser reduzida nas fases de manutenção, o que reduz efeitos sistêmicos e
melhora a adesão. O monitoramento das concentrações plasmáticas, bem como a
avaliação de função tireoidiana, renal e hematológica devem ser realizados
periodicamente, especialmente quando em uso de carbonato de lítio.

Nos casos de
episódios maníacos não responsivos ao tratamento medicamentoso, assim como no
transtorno bipolar, deve-se considerar o uso de eletroconvulsoterapia.

O subtipo depressivo também pode ser tratados com aqueles agentes antidepressivos usualmente utilizados no transtorno depressivo maior, mas deve-se ter cuidado com a possibilidade de viradas maníacas. Nesse viés, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina são considerados como tratamento de primeira linha em função de sua boa respostas e menor perfil de efeitos colaterais, mas agentes tricíclicos podem ser benéficos para pacientes com agitação ou insônia.

Autores, revisores e orientadores

  • Área: Psiquiatria
  • Autor(a): Vinícius Uler Lavorato
  • Revisor(a): Daniel de Sabóia Oliveira
  • Orientador(a): Dra. Laír da Silva Gonçalves
  • Liga: Liga Acadêmica de Psiquiatria do Distrito Federal – LIPSI/DF

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