Definição
O soro antiaracnídico é um antiveneno utilizado para o
tratamento de acidentes moderados a graves causados por aranhas dos gêneros Loxosceles
(“aranha-marrom”) e Phoneutria (“aranha armadeira”), e escorpiões do
gênero Tityus (escorpião marrom, escorpião amarelo). É comum que para a
apresentação clínica em acidentes leves não necessite de soroterapia. É importante
ressaltar que esta soroterapia não é indicada para acidentes com serpentes.

O soro Antiaracnídico
(Loxosceles, Phoneutria eTityus) é composto por
imunoglobulinas heterólogas, específicas e purificadas, capazes de neutralizar
no mínimo 75,0 DMN (Dose Mínima Necrosante) de venenoreferência de Loxosceles
gaucho (soroneutralização em coelhos), 7,5 DMM de veneno-referência de Phoneutria
nigriventer (soroneutralização em cobaias) e 7,5 DMM (Dose Mínima Mortal)
de veneno-referência de Tityus serrulatus (soroneutralização em
cobaias).
O soro Antiaracnídico
(Loxosceles, Phoneutria e Tityus) é obtido a partir do plasma de equinos
hiperimunizados com uma mistura de venenos de aranhas dos gêneros Loxosceles
e Phoneutria e de venenos de escorpiões do gênero Tityus. Essas
espécies foram escolhidas devido a importância médica e epidemiológica que se
apresentam no Brasil.
Apresentação
Solução injetável.
Apresentado em
frascos-ampola contendo 5 mL de solução injetável da fração F(ab’)2.
O cartucho contém 5
frascos-ampola com 5 mL de soro Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria e
Tityus).
Cada mL do soro
neutraliza no mínimo 15,0 DMN de veneno de L. gaucho, 1,5 DMM de veneno
de P. nigriventer e 1,5 DMM de veneno de T. serrulatus.
VIA DE ADMINISTRAÇÃO: INTRAVENOSA.
USO ADULTO E PEDIÁTRICO
Mecanismos
de ação
A soroterapia possui efeito através da
neutralização do veneno em circulação. A eficácia do tratamento com a aplicação
das doses recomendadas é melhor quanto mais precocemente essas doses forem
administradas.
O soro possui
imunoglobulinas específicas que se ligam ao veneno ainda não fixado nas células
dos tecidos eletivos, neutralizando-o. As doses devem ser suficientemente
elevadas (de acordo com a gravidade do acidente), para que a concentração do
antiveneno circulante seja capaz de atingir todo o veneno ainda livre na
circulação sanguínea, dentro de um período relativamente curto. A
atividade neutralizante dos sítios combinatórios das moléculas de
imunoglobulinas, tratadas pela pepsina, mantêm-se inalterada e, ainda, a
possibilidade de formação espontânea de agregados proteicos, responsáveis
também por reações alérgicas indesejáveis, é substancialmente mais reduzida.
Apesar do elevado grau de purificação do soro, continua existindo, em potencial
baixo, a possibilidade de indução às reações alérgicas em indivíduos
hipersensíveis.
Indicações
A soroterapia com o Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria
e Tityus) é indicada especificamente para o tratamento dos acidentes
por envenenamentos causados por picadas de aranhas dos gêneros Loxosceles
e Phoneutria e de escorpiões do gênero Tityus.
Contraindicações
Não
existem contraindicações dignas de nota para o uso do soro Antiaracnídico (Loxosceles,
Phoneutria eTityus), entretanto sua administração deve
ser feita em ambiente hospitalar e controlado por profissionais da saúde. Ainda
assim, é importante lembrar que gravidez, alimentação prévia e/ou ingestão de
bebidas não contraindicam a soroterapia, mas devem ser comunicadas ao médico
assistente. Além disso, o soro Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria
eTityus) não é indicado para o tratamento de acidentes causados
por outros quaisquer animais peçonhentos.
Efeitos
adversos
As
reações são comumente descritas e divididas de acordo com sua apresentação e
frequência:
- Reação
muito comum (de 10% dos pacientes): reações precoces costumas ser leves e
ocorrem até 24 horas após a administração do soro, podendo ser caracterizadas e
conduzidas como anafilaxia. As manifestações alérgicas costumam ser precedidas
por sensação de calor e prurido. Podem ocorrer: urticárias localizadas ou
generalizadas, rubor facial e, eventualmente angioedema, exantema morbiliforme,
taquicardia moderada, rinorreia, espirros, sensação de coceira na garganta,
náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia. - Reação
comum (ocorre entre 1% e 10% dos pacientes): Doença do Soro – uma reação tardia
e que ocorre 5 a 24 dias após a aplicação do soro. A reação é descrita
inicialmente com febre baixa, urticária, erupções cutâneas de diferentes
tamanhos e distribuição irregular. Pode surgir comprometimento articular de grandes
articulações, com dor espontânea e à pressão, dificuldade de movimentação, e
edemas sem rubor. O enfartamento linfoganglionar ocasionar adenopatia
generalizada de intensidade variável, resultando em gânglios com sinais
flogísticos. Normalmente evoluem para a cura sem sequelas. Raramente ocorre
ainda vasculite e nefrite. - Reação
incomum (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes): a reação pirogênica é cada vez
menos descrita e ocorre durante a administração do antiveneno, podendo levar a
febre alta (até 39°C) acompanhada de calafrios e sudorese. Nesses casos, a
infusão é interrompida imediatamente e administrado antitérmico. Após a remissão
dos sintomas, a soroterapia pode ser reiniciada. Se o quadro ainda persistir,
deve ser preparada uma nova solução. - Reação
rara (ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes): evolução rara para quadros
graves de reações precoces que costumam se apresentar com: palidez, dispneia,
edema de glote, insuficiência respiratória com hipoxemia, taquicardia intensa,
bradicardia, hipotensão arterial que podem evoluir para choque e síncope, perda
da consciência e colapso circulatório persistente. - Reação
muito rara (ocorre em menos de 0,01% dos pacientes): Não descrita na
literatura.
Autores, revisores e orientadores:
Autora: Tais Imaculada Prata Machado
Co – autora: Isadora Simonassi
Revisora: Fabiana Helena Andrade Gomes
Orientadora: Alecianne Azevedo Braga
Liga: Liga Baiana de Emergências (LBE) – @lbeunifacs
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Resumo
sobre picada de aranha com mapa mental
(https://www.sanarmed.com/resumo-picada-de-aranha-com-mapa-mental-ligas)